O néctar, matéria-prima para a fabricação do mel, é produzido pelas flores de muitas plantas. Basicamente é uma substância aquosa de três açúcares – glicose, frutose e sacarose (este é o açúcar comum) – com um pouco de proteínas, sais, ácidos e óleos essenciais. O conteúdo de açúcar do néctar varia de 3 a 80%, dependendo entre outros fatores, da espécie da flor, solo e condições atmosféricas, especialmente umidade.
O mel produzido por uma colônia de abelhas quase sempre é derivado de uma ou muito poucas espécies de flores. Porém, as abelhas fazem uma prévia seleção, pois não “gostam” do néctar que tenha menos de 15% de açúcares; preferem o que contenha alto teor desses glicídios.
Quando as abelhas do campo retornam à colônia, entregam o néctar ao grupo das “colmeeiras”, essas passam a elaborar a substância com seus apêndices bucais, depositando nas células já preparadas para recebê-la. Para transformar o néctar em mel, convertem a sacarose em moléculas de açúcares simples (frutose e glicose), por meio de enzimas apropriadas produzidas por suas glândulas salivares.
Entre as abelhas e as flores rola um estranho amor: de maneira geral, as flores possuem certas características que funcionam para a abelha como um verdadeiro mapa da mina: indicações precisas do lugar por onde entrar e como atingir o néctar. A brancura das pétalas e o amarelo são os tons que as abelhas apreciam, juntamente com o perfume.
Mas só esses sinais são insuficientes. As abelhas se impressionam, por exemplo, por cores que tenham sombras ou contrastes e, assim, as pétalas da azaléia, do lírio e de outras flores apresentam nódoas destinadas a atrai-las. O perfume, cada vez mais forte, conduz o inseto até o fundo da corola. Enfim, as flores servem-se de inúmeros estratagemas para que as abelhas fiquem cobertas de pólen e possam com isso fertilizar outras flores. E sobre tudo paira uma indagação: como duas criaturas tão diferentes, como um vegetal e um animal conseguem harmonizar-se a ponto de modificarem suas estruturas? Os cientistas observaram que os insetos e as flores sofreram ao longo de milênios, evolução paralela, porém ainda ignoram como tudo isso aconteceu.
Desde os primórdios da existência humana na terra os humanos, ditos inteligentes, tentam desvendar os mistérios que regem a vida no planeta. Apesar de seu avanço no que diz respeito a descobertas benéficas para o bem estar do planeta e dos que nele vivem, fazem prognósticos imbecis e absurdos do tipo: o mundo vai acabar tal dia… É claro, não acertam uma, e com certeza para alguns, o mundo já acabou.
Na realidade o mundo vem se acabando todos os dias e nós seres humanos temos tudo a ver com esse processo. Com a morte que assola o reino vegetal todos os dias, o reino animal é amplamente atingido. Na Austrália, por exemplo, se tem notícia que alguns agricultores estão polinizando seus pomares manualmente, pois em algumas regiões daquele país as abelhas praticamente foram extintas. Acredito que quando a última abelha for extinta, a vida no planeta durará apenas alguns dias, pois sem a polinização toda vegetação estará condenada. Os agrotóxicos (veneno) são os maiores inimigos, não só das abelhas, mas de todos os seres vivos do planeta.
Quando uma abelha suga o néctar de uma flor, a natureza está realizando um de seus pequenos mistérios. Por um acordo perfeito com o inseto, a flor indica-lhe o caminho, mas faz a abelha transportar o pólen para outra flor, fenômeno da polinização.
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