O jogo de bolita era um negócio que movimentava muitos sentimentos daqueles piazitos, não era apenas ganhar ou perder uma bolita, era a honra, a medalha de ouro! Não bastava apenas ganhar, tinha que quebrar a bolita alheia, “eu tinha uma leitera que não errava um tiro”!
Sou pala, sou cola, sobre-pala, sobre-cola, não importava muito, desde que tivesse boco primeiro, e se já tivesse tinga na tua, bah! Com tinga, também chamada de nica, e perto do boco já era… Depois que tinha boco bueno, sai de perto ou leva bala. Não vale carrega, não dou limpis, nem mudis, muito menos altis, nem pensar!
Que saudade tchê, agora com sorriso nos lábios lembro que da raia ao boco eram poucos metros de terra batida, de preferência um pouco úmida, boco feito com a própria bolita. Quanto deboche de quem jogava “cu de galinha” ou cloaca de galináceo, pra quem é fresco. Na dúvida de quem tinha chegado mais perto da raia pra ser pala se usava o palmo pra medir, de vez em quando uma peleia…
Boco, triângulo, círculo, não importava, desde que o jogo fosse com os amigos. Eu preferia o triângulo, dava maior ganho, e o meu bolão fazia a limpa, o bolão era bom, mas não dava pra jogar boco, te tingavam logo. Bolita carunchada não valia, e se não fosse de vidro nem levasse.
Se jogava mais no inverno. Quando acabava a temporada se guardava as bolitas num vidro que era enterrado como um tesouro, era um tesouro! Lembro do frio, da mão encarangada, nada que um bafo não resolvesse, até dava sorte, ainda lembro da mão descarnada, era de dar dó a mão de um fome por bolita.
Pra quem não era calavera só restava comprar bolitas no bolicho, se vendia bem barato, mas pra quem comprava era caro e ninguém podia saber, afinal ninguém comprava todo mundo ganhava no jogo, é claro!
Depois de guri mais taludo só se jogada às deva, às brinca era coisa de guri, era brinquedo de criança. Quando acabava o jogo? Quando tu era pelado e perdia todas tuas bolitas, que na verdade se chamavam “bulitas”, ou quando desgraçadamente algum guri maior levava todas as bolitas e ainda ameaça cascudear os jogadores, isto se chamava levantar a raia. Esta era a pior parte, mas que nada, logo se achava um lugar novo pra jogar. Só não dava pra escapar dos gritos da mãe chamando pra tomar banho e ir pro colégio, se não fosse logo a vara pegava.
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De bulita e de boco você entende bem, até porque no futebol era uma tragédia. Cara, como é difícil entrar em contato com você. Sucesso!!!
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Pra quem quer ser professor saiba que a melhor coisa é o carinho dos ex-alunos, a Jéssica foi uma das mais brilhantes mentes que pude trabalhar.
As “quase brigas” são o combustível necessário pra um professor de história indignado e para um escritor aprendiz.
Abraços querida Jéssica!
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Professor!!
Quanta saudade das tuas histórias e das colunas que tu escreves!!
Bah, cada uma!! Hahaha!! Lembro de algumas quase brigas que tu já arranjou!!
Bom, te desejo sucesso sempre!!
Um grande abraço!
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ta loko td essas peleia por causa de um jogo de bulita??? :S
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Ah, no meu tempo, quanta peleia, socos, pontapés!… só não valia no mata-cobra. Tudo por causa das “bulitas”, maravilhosas bolinhas de vidro, parte importante da minha infância também. Na região de onde sou oriundo, só mudava um pouco a terminologia: O círculo chamava-se roda e quando alguém ia surrupiar as bolitas dizia-se que ia “fechar a rosca”. E bolita usada não se chamava de “carrunchada” e sim de “carepa”.
Parabéns, amigo Anderson.
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Hehehehehe
Sensacional!
Parabéns Professor
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As ” vergamotas”!!!!!!!!!!!!
Como pude esquecer?! Apanhadas do vizinho, é claro!
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Quantas “bulitas” eu perdi na minha feliz infância… mas acertei muito boco e ganhei umas bolitas também.
Como a gurizada festejava ao final das refregas de bolita? Comendo “vergamota” furtada de algum vizinho mais descuidado, não sem antes abandonar pelo caminho um pedaço de joelho ou cotovelo na quina de algum muro mais arredio, escapando da guaipecada…
Belo texto, Anderson! Boas lembranças…
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