HAITI: gritos nos escombros. Coluna do Arno

O Haiti é um verdadeiro representante do terceiro mundo. É sem dúvida mais um dos tantos resultados negativos decorrentes de um capitalismo ganancioso, desequilibrado e sem limites.

Até a semana passada ninguém ligava para a situação caótica do pequeno país das Antilhas, nem mesmo o seu vizinho rico, os Estados Unidos.

Bem, mas isso é fácil de entender, uma vez que o Haiti não possui poços de petróleo, nem minas de urânio ou qualquer coisa que possa ser explorado.

O Haiti há bastante tempo faz parte de um número cada vez maior de nações pobres à beira do caos total. Reflexos da longa depressão pela qual passa a economia internacional e que é resultado desta lógica desumana do capitalismo voraz e sem limites.

Um informe oficial das Nações Unidas (ONU), embora defina a pobreza de uma maneira excessivamente restrita, diz que, hoje um bilhão de indigentes sobrevive no planeta, e certamente a maioria da população do Haiti está inserida nessa macabra estatística.

A solução do problema é com certeza muito difícil. Perigos nos cercam e dividem em duas classes bem definidas e distantes uma da outra: ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais miseráveis, diferença que aumenta todos os dias por culpa da lógica intrínseca da economia do mercado globalizado, essência do capitalismo de competição exacerbada e que não se preocupa com seus efeitos sobre o conjunto da sociedade; busca desenfreada de lucro e enriquecimento privado em curto prazo sem serem levados em consideração os custos humanos.

O Haiti, maior ilha do arquipélago das Antilhas, foi descoberto por Cristóvão Colombo em 1492. Em pouco tempo os índios nativos foram mortos ou escravizados. Em 1697 a Espanha cede a administração da ilha aos Franceses, através do tratado de “Ryswick”. Nessa época, parte da ilha era ocupada por piratas oriundos da ilha de Tortuga. A França mandou tropas para expulsar os piratas e garantir sua soberania. Foi dado início ao plantio de cana-de-açúcar e para esse trabalho os franceses trouxeram milhares de escravos africanos.

O Haiti é apenas um terço do território da grande ilha. A outra parte ficou com a Espanha, e hoje é a República Dominicana.

Em 1791, estourou a primeira grande revolução no Haiti, nessa época a população Haitiana era a seguinte: 500 mil negros, 24 mil mestiços e 32 mil brancos. O Haiti foi o segundo país das Américas a conquistar a independência (1804). Seu primeiro governante foi Jean Jacques Dessalines que após dois anos de governo foi deposto e executado. Aliás, a maioria dos governantes do país, ou não completavam seus mandatos, ou eram ditadores déspotas e sanguinários. Para se ter uma ideia, o Haiti teve 21 governantes que tiveram final trágico – explosão de palácio, envenenamento e até linchamento. É mole?!…

Uma das ditaduras mais famosas foi a dos Duvalier. François Duvalier, o “papa doc” (papai médico) governou o Haiti com mãos de ferro de 1957 a 1971. O terror ficava por conta de sua polícia particular o “tontons macoutes” (bichos papões) – prendiam, espancavam e esquartejavam pessoas no meio da rua para, dessa forma, manter o regime de medo nas pessoas.

“Papa doc” morreu em 1971 deixando em seu lugar o filho Jean Claude Duvalier o “baby doc” que assumiu o poder com apenas 19 anos de idade. Governou de forma tão violenta e corrupta quanto o pai. Foi deposto por um golpe militar em 1986. No final das ditaduras Duvalier, o Haiti, que um dia foi chamado de “a pérola das Antilhas” era um país arrasado e empobrecido economicamente.

O que aqui quero mostrar com um pouco dessa história é que o povo haitiano é doutorado em dor e sofrimento, seja por maus tratos de seus governantes ou pelas catástrofes naturais – terremotos e tornados.

Espero que os homens, dito inteligentes e poderosos do planeta, parem de estudar o genoma de ratos ou a vida sexual dos pinguins e prestem atenção para os gritos de socorro dos nossos irmãos haitianos.

dessa

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