Com a colaboração inestimável de Ricardo Bernardo
Há vários anos tenho questionado sobre o local de nascimento de Sepé Tiaraju, sua infância, seus pais, enfim… Várias questões que provavelmente nunca terão uma resposta satisfatória.
Reza a lenda, escrita também no romance de Alcy Cheuiche, que ele seria oriundo de São Luiz Gonzaga, seus pais teriam morrido de varíola ele foi enviado ao povoado missioneiro de São Miguel das Missões e depois lutou na Guerra Guaranítica e blá, blá, blá.
Então de que “buraco” saiu a informação de que ele nasceu em São Luiz Gonzaga? Este é o questionamento do texto. Esta é a pergunta que não quer calar. Os livros que li sobre o tema são evasivos ao comentarem o local de nascimento de Sepé. Falo de livros científicos, como os de Tau Golin e Ceres Karan Brum, que além de competentes e dedicados ostentam a titulação de doutores em história.
Pois eles não se comprometem. Como provavelmente, ou com certeza, não encontraram prova do local de nascimento de Sepé deixam em aberto a questão. Isto se espera de qualquer historiador com formação acadêmica, em não havendo provas científicas de algum fato histórico este não poderá ser comprovado. Pedro Marques dos Santos, historiador sem formação, mesmo assim o melhor historiador deste chão colorado, também não se posicionou sobre o nascimento de Sepé.
Somente para historiadores leigos se permite o “se…”, ou o “quem sabe…”, ou ainda o “supõem-se, portanto que…”. Estes têm licença poética para pensar, falar e escrever com base em empirismos e na metafísica. E foi um desses leigos que no início dos anos 80 escreveu, mais ou menos assim: “Não existem provas concretas, mas me restam poucas dúvidas de que Sepé Tiaraju nasceu em São Luiz” frase extraída do livro de José Gomes sobre a história de São Luiz Gonzaga.
Uma frase um tanto contraditória, mas que ganhou força e acabou impregnando-se no imaginário são-luizense, como se tal fato fosse realidade comprovada cientificamente através de estudos históricos e documentais.
Portanto, as posições dos historiadores leigos são válidas somente fora da academia, ou fora do cienticifismo histórico. Mas que fique claro que o passado não muda, ele é um só, o que variam são as interpretações sobre os fatos.
Voltando a “vaca fria” quero encerrar afirmando que foi uma grande jogada econômica e política ter aproveitado a lenda sobre Sepé e “ter ganhado de mão” de São Miguel das Missões, agora Sepé é de São Luiz Gonzaga, até provem o contrário. Talvez nunca.
E se um dia provarem e se por acaso também provarem que Sepé não foi o herói que todos, ou a maioria, pensam, vão renegá-lo do título de são-luizense? Questões…
Convenhamos, cada um enaltece aquilo que lhe convém, portanto ele só é são-luizense porque, além de supostamente ter nascido aqui, foi um herói guarani que comandou a resistência durante a Guerra Guaranítica. Mas caso contrário, se ele tivesse lutado ao lado dos exércitos Ibéricos, continuaria enaltecido como são-luizense e herói? São muitas dúvidas e nenhuma resposta qualificada.
Mas o que eu gostaria é que alguém trouxesse uma prova que mostre Sepé tendo nascido em São Luiz Gonzaga. Até que se prove vai permanecer a desconfiança. Os entendidos, ou metidos a historiadores que se posicionem, ou se calem logo e aproveitem a lenda.
Popularity: 3% [?]

























Muito bom o questionamento em si. Há muito mais interesses políticos, e comerciais, por trás da nebulosa lenda de Sepé, que qualquer fundamento histórico sólido. É interessante ressaltar que, paradoxal que seja, nós utilizamos a figura desse índio para nossos interesses gaúchos. Ao mesmo tempo em que o enaltecemos como herói rio-grandense, nos esquecemos de que somos parte do lado que venceu a guerra e ficou com as terras. Ou seja, nós descendemos dos bandidos e não dos mocinhos. E herdamos o território.
Vote!
0
0
Numa entrevista com Guga sobre A Vida de Sepé Tiarajú, ele contou que de geração a geração, existe a segunte informação:
“Sepé Tiaraju nasceu em São Luiz Gonzaga. Suspeita-se que Sepé seria filho ou afilhado de Pe. Antonio Sepp e sua mãe uma índia. Sepé na adolescência foi encaminhado para São Miguel, onde recebeu instruções para uma boa formação. Aprendeu várias línguas e técnicas de guerra para defender seu povo”.
O problema seriam os registros, pois o problema era esconder sua paternidade.
Vote!
0
0
Se por ventura alguém souber me informar se naquele tempo não haviam mulheres guerreiras que tenha deixado seu nome na história ou coisa parecida. Na real preciso dessa informação para anexar a um documentário que estou fazendo que deverá ser enviado as Nações Unidas referente a um projeto de reconhecimento histórico a grandes guerreiros e “guerreiras” jesuítica da época de Sepé Tiarajú, ele já está em nosso documentário. Obrigada.
Vote!
0
0
Talvez jamais haja provas reais do local de nascimento de Sepé. Mas apesar disso ou talvaez até por isso, não devemos nos deixar levar por especulações sem base comprobatória!!! No todo um excelente questionamento historico cientifico.
Vote!
0
0
Buenas Amigo!
Parabéns pelo artigo…
pena que são poucos os missioneiros de São Luiz que valorizam nossa história Guarani…fala-se tanto desta questão de onde nasceu o herói guarani? mas além da estatua missioneira, temos alguma outra Rua, Praça,Avenida, que valorize esse guerreiro?
Vote!
0
0
Professor Anderson e seus questionamentos….
Sepé Tiarajú tornou-se um simbolo da cidade, recentemente é claro. Foi adotado por São Luiz como procedente daqui, mas se não fosse SLG, seria outra cidade, pois com a falta de registros não se pode provar o contrário. Com certeza isso dá um destaque maior ao missioneirismo da cidade, sem falar nos benefícios de ser “A Terra de Sepé Tiarajú”. Entretanto, SLG não investe em turismo; como muitas pessoas acreditam que Sepé é realmente daqui, deveria-se tirar mais proveito e investir, mas como, se um dos primeiros passos é ter um registro completo e bem elaborado da nossa história e não se tem? e como encaixar Sepé nessa história e na escrita de um livro, sem ter registros concretos?? baseando-se em suposições?
Neste escasso referencial historiagráfico o mais completo é o livro do Seu Pedrinho, mas precisa de atualização de dados e informações adquiridas atualmente.
Éhh!!! São Luiz não valoriza e não se interessa pela sua história, e quando o faz, acredita em coisas que não pode provar.
Vote!
0
0
Bueno sobre Sepé… De que vale a comprovação histórica do nascimento? A quem isso pode servir? Neste tipo de debate ao qual nos criamos sobre de onde saiu a Coluna Prestes? As rixas bairristas de pouco ou de nada valem se pensarmos em algo maior como os porquês e onde elas influenciam no nosso cotidiano, e quanto a comprovação científica volteremos ao debate dos positivitas q somente o palpável é considerado verdade, renegando outros resquícios que a história deixa, entre eles as lendas e crendíces.
Vote!
0
0
Se concederem-lhe o título “simbólico” de cidadão são-luizense estarão comprovando por esse ato que Sepé não passa de um mito, o que a comunidade local julga o contrário. Para os mitológicos está comprovado que ele era de São Luiz, mas para a ciência histórica essa informação até o presente momento não tem nenhuma validade, pois faltam provas concretas e evidentes sobre o seu suposto local de nascimento.
Vote!
0
0
Caro Anderson e demais:
Não esqueçamos que Sepé foi “adotado” por São Luiz Gonzaga há pouco tempo. Em dias outros, o preconceito contra o índio (e em desfavor da carga ideológica da frase atribuida ao José – essa terra tem dono) impedia o seu reconhecimento como um efetivo líder missioneiro da resitência indígena (assim como a coluna invicta era amaldiçoada e o colégio jesuita foi posto abaixo).
Por isso, entendo como um avanço cultural, político e histórico da nossa velha São Luiz Gonzaga esse novo olhar sobre o índio Sepé, independentemente de onde ele tenha nascido.
Se não nasceu em São Luiz, então que lhe concedam simbolicamente o título de cidadão sãoluizense.
Vote!
0
0
Grande amigo Anderson, grácias pelo e-mail.
Quando digo “minhas palavras ganham eco”, refiro-me ao tema, por ser o Sepé admirado por todos nós e nunca por serem “minhas”.
Tá certo que dou uma exagerada mas não é para tanto.
Seria o cúmulo do ufanismo, pra não dizer arrogância, heheh
Vote!
0
0
Obrigado ao Vico pela colaboração.
Concordo em deixar o José Tiaraju para debates entre historiadores, penso ser a solução menos complexa.
Mas quanto ao Sepé mitológico, vamos encará-lo como herói, apesar de crer que ele é tão herói quanto Nheçu, Roque Gonzales, Jesus Cristo ou Che Guevara, para não me estender mais, pois todos lutaram por aquilo que lhes parecia ser o correto.
Vamos aproveitar o eco que nossas palavras têm e tentar descobrir “de que ‘buraco’ saiu a informação de que ele nasceu em São Luiz Gonzaga”. Isto move minha curiosidade, de onde saiu esta informação pela vez primeira.
Segue…
Vote!
0
0
“O Sepé Histórico, o José Tiaraju, eu deixo aos nobres historiadores debaterem e brigarem a vontade, mas com relação ao Sepé Mitológico e Lendário eu digo e sustento que nasceu em São Luiz Gonzaga; e ele cristalizou-se em 19 de abril de 2006, na data da inauguração de sua estátua no trevo de São Luiz Gonzaga, aliás, a única estátua da figura exclusiva de Sepé.
Não bastando minha palavra, tenho ao meu lado os escritores: Alcy Cheuiche e Newton Alvim, mais um historiador de São Gabriel; os jornais: Zero-Hora, A Notícia e mais uma multidão de admiradores… E se precisarem de um abaixo assinado validando tudo isso, consigo rapidamente, pois minhas palavras ganham eco facilmente pelas ruas da velha São Luiz.
É o mito que nos encanta e Sepé fez-se herói por necessidade, ele é o símbolo da eterna luta do excluído contra o opressor.É nesse símbolo de resistência e superação que nos inspiramos.
Por isso todos nós, até os nobres irmãos historiadores, o admiramos…
Abraço.
Vinícius Ribeiro-escultor”
Vote!
0
0