Desenho: a alma da tela… – Coluna do Arno

Pablo Picasso dizia que “um quadro é um ser vivo que respira. Se puser um espelho junto a ele, o espelho fica embaçado. Se não fica, deveria ficar”. E se considerarmos o quadro um ser vivente, creio eu, que ele teria também uma alma.

Era natural que à medida que a pintura ia se tornando abstrata, o desenho perdesse a função de elemento básico dessa forma de expressão. De fato, para um Mandriam, um Kandinsky e seus seguidores, o quadro dispensava o desenho: formas geométricas e manchas repelem a linha que, no entanto constituía a infra-estrutura da linguagem pictórica durante muito tempo. Mas mesmo antes da pintura abstrata, já aquela função do desenho esmaecia. Basta pensar em Matisse, que não somente levou a pintura a uma extrema simplificação, mas fez o mesmo com o desenho. Tema figurativo era mero pretexto para desenrolá-lo do traço metódico sobre o branco do papel; ali o desenho já quase não existe.

A Arte acadêmica que os impressionistas quase botaram a pique fundava-se na tradição renascentista do desenho. Todos os grandes mestres renascentistas e pós-renascentistas insistiam na importância do desenho para a formação do pintor e, independentemente de suas palavras, os seus quadros e esculturas estão aí para comprovar esta importância. É certo que muitas vezes, dada a característica do estilo e das escolhas, o desenho quase desaparecia no quadro pronto. Isso é muito das suas qualidades específicas: eram sacrificadas ou encobertas na realização pictórica. Mas ele subsistia como base à infra-estrutura do quadro.

A formação das escolas de arte, onde a tendência é criar formulas para o ensino da pintura, conduziu o que se chamou de Academização da Arte. Na verdade, quando a Arte Acadêmica já estertorava, ainda surge um mestre do desenho como “Ingres”. E veio a razão que desaguou no Impressionismo. Sabemos hoje que os mestres impressionistas são todos grandes desenhistas e que, deram uma vida nova à figuração dos seres e das coisas, e uma nova maneira de captar e desenhar a realidade. Surge e vai amadurecer na arte de um Toulouse – Lautrec (pintor francês), e de um incomparável Van Gogh (pintor holandez). Depois deles é que a crise do desenho se aprofunda: o decorativo de “Nabis” e a fúria desagregadora dos Fauves, e a cor então assume o papel fundamental abrindo uma das portas que conduziria a abstração e ao cubismo. Não obstante, uma tendência manteve sua fidelidade ao desenho como elemento fundamental da linguagem da pintura: o expressionismo. Sua origem está em Vincent Van Gogh, o eterno mestre das cores.

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