Por Arno Schleder
Sepé Tiaraju foi índio da tribo guarani, um dos primeiros povos que viveram na região, hoje denominada Rio Grande do Sul, muitos anos antes de aportarem aqui os Europeus.
Nasceu na redução jesuítica de São Luiz Gonzaga no ano de 1722 (até provarem o contrário); esta Missão ao lado de outras seis. São Nicolau, São Borja, São Lourenço, São Miguel, São João Batista e Santo Ângelo formavam as sete cidades que passaram para a história com o nome de SETE POVOS DAS MISSÕES.
Alguns livros e documentos a respeito da história referente à SEPÉ TIARAJU, falam de um homem de grande virtude e sabedoria além de grande guerreiro. Sepé falava no mínimo quatro idiomas: guarani, espanhol, latim e português. Destacou-se também nos estudos humanísticos e científicos e nos mais diversos serviços comunitários tais como agricultura, o famoso “Tupãmbae” – Trabalho para Deus; artesanato em couro, música e metalurgia. Seu preparo era tal que no dia 31 de dezembro de 1749 foi eleito prefeito da cidade de São Miguel Arcanjo, a chamada “pérola dos sete povos”, através do voto de seus concidadãos. Como era área sob o domínio da bandeira do Reino de Espanha, nessa função levava o nome de “Corregedor” e administrava a cidade toda, auxiliado pelo “Cabildo” (Câmara de vereadores).
É claro que nada acontecia sem a fiscalização severa dos padres jesuítas, que previamente tinham feito a cabeça dos Caciques.
O tratado de Madri de 1750, assinado entre Portugal e Espanha, consideradas as duas maiores potências da época, determinou a troca da Colônia do Sacramento (hoje Uruguai), pelos Sete Povos das Missões (hoje Rio Grande do Sul). Alguns historiadores acham que nessa estúpida negociata, que foi o Tratado de Madri, teve com certeza a mão poderosa de alguns segmentos da Igreja, que não concordavam com a forma de administração implantada pelos jesuítas nas reduções, (República Teocrática Comunista dos Guaranis), e não viam com bons olhos o desenvolvimento daquela sociedade. Os Jesuítas eram temidos e tinham inimigos dentro do próprio clero.
Um grande Exército foi formado entre Portugal e Espanha e assim uma numerosa expedição militar bem armada invadiu o território missioneiro para executar a tarefa de expulsar os Guaranis que, obviamente não concordavam com o absurdo tratado. Como admitir abandonar suas casas, plantações, gado e todo o sonho da nova civilização teocrática guarani? Como trocar sete cidades desenvolvidas com suas escolas e templos majestosos, por uma fortaleza encravada no meio do lodo, com meia dúzia de casebres à sua volta, no Estuário do Prata?!
Iniciam-se os preparativos para a defesa do território. Sepé Tiaraju, à frente de um pequeno grupo de guerreiros, marcha para dar combate aos invasores, tentando dessa forma ganhar tempo para que os outros caciques organizassem um Exército com maior número de guerreiros para, dessa forma, poder dar sustentação à guerra que se iniciava.
“GUERRA GUARANÍTICA” é o nome que se deu aos violentos conflitos que envolveram os índios Guarani e as forças portuguesas e espanholas no sul do Brasil que ainda não era Brasil e sim, “PÁTRIA DOS GUARANI”.
Os europeus invadiram as terras missioneiras, cometeram aqui um dos grandes holocaustos da humanidade, criaram documentos como bem entenderam, a seu benefício próprio e se adonaram do território, pois para a maioria dos europeus os guaranis não eram considerados seres humanos.
Não podendo se contrapor diretamente ao grande poder de fogo do inimigo que dispunha de canhões e muitos mosquetes, Sepé, como hábil estrategista que era, com seus guerreiros armados apenas com lanças, arcos e flechas, e armas brancas (adagas e sabres), aplicou pela primeira vez no pampa a tática da “Guerrilha” e assim passou a atacar e incomodar o inimigo. Comandou uma dessas escaramuças no dia 7 de fevereiro de 1756, no Batovi ou Sanga da Bica, na entrada da, hoje cidade de São Gabriel. Foi lanceado por um soldado português. No chão, já ferido recebeu um tiro de garrucha, disparado por D. José Joaquim de Viana, na época governador de Montevidéu – que não passava de uma fortaleza no Estuário do Prata.
Até hoje para os descendentes dos derrotados, não há um documento comprovando onde nasceu ou mesmo como morreu SEPÉ TIARAJU. Mesmo assim nós missioneiros, chimarreando em volta dos fogões nas noites frias do inverno sulino, continuaremos a enaltecer os feitos daquele que morreu para defender o povo guarani e que sem dúvida sempre será o grande herói dos missioneiros. SEPÉ TIARAJU filho de São Luiz Gonzaga, terra em que tenho orgulho de viver.

Arno em frente ao Monumento à Sepé, em São Gabriel-RS, próximo a Sanga da Bica, possivel local da morte de Sepé Tiaraju
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