A ação destrutiva dos terremotos – Coluna do Ricardo

Ricardo Bernardo

 Menos de dois meses após o terremoto que destruiu o Haiti em janeiro passado, outro tremor atingiu a América na madrugada do último dia 27 de fevereiro, dessa vez sobre o Chile, na costa do Pacífico. Com uma magnitude de 8, 8 graus na escala Richter (que vai até 9), e com seu epicentro no mar, a 325 km da capital Santiago, esse pode ser considerado um dos maiores tremores da história. Porém, a princípio, apesar de ser um dos mais fortes já registrados, os danos e conseqüências são menores em relação ao que aconteceu no Haiti, uma vez que a infraestrutura das construções e edificações chilenas é de longe, muito melhor do que as do país caribenho.

 

Para compreender como acontecem os terremotos é necessário conhecer a estrutura geológica do planeta. O globo terrestre é revestido por enormes blocos de rochas, mais conhecidos como placas tectônicas, que permanecem em constante movimento, a deriva sobre o magma existente no interior do planeta, como se fosse um gigante quebra-cabeça. Sobre essas placas estão os continentes, montanhas e mares. Seguidamente elas entram em atrito com as placas vizinhas, resultando nos tremores de terra que são sentidos em algumas partes do mundo. As regiões mais suscetíveis a esses fenômenos são exatamente aquelas onde há o encontro de duas placas tectônicas. Nesses locais, é comum existir vários vulcões, que servem também para expelir o magma do interior do planeta.

 

Na região dos Andes, onde se situa o Chile, a presença de terremotos é algo bastante comum, uma vez que ela se encontra na divisa de duas placas tectônicas: a Sul-Americana e a de Nazca. Essas duas placas atuam em sentido contrário uma em relação à outra, facilitando o atrito entre ambas. Além do mais, a Cordilheira dos Andes é resultado da atuação das duas placas tectônicas ao longo de milhões de anos, a partir da sobreposição da placa Sul-Americana sobre a de Nazca.

 

O Chile está localizado em uma das áreas de maior atividade sísmica da Terra, o chamado Círculo de Fogo. Nessa região banhada pelo Pacífico, que compreende toda a costa oeste da América, o leste e sudeste da Ásia, bem como a costa leste da Austrália e demais ilhas da Oceania, acontecem cerca de 80% dos terremotos registrados no planeta. Paralelo ao terremoto no Chile, um alerta de ondas gigantes foi emitido em todos os países banhados pelo Pacífico, pois enquanto no continente se registram os tremores, o mesmo fenômeno no mar produz efeitos diferentes, aumentando a altura e intensidade das ondas. Além do mais, por alguns dias ainda são sentidas as réplicas, que são tremores de menor magnitude, que seguem o tremor principal. Por isso temia-se que o litoral de vários países fosse atingido, o que poderia causar sérios prejuízos e grandes tragédias, mas que acabou não se confirmando.

 

As placas tectônicas, ao entrarem em atrito, liberam uma quantidade de energia equivalente a milhares de bombas atômicas. Sendo assim, em questão de segundos um terremoto pode destruir cidade inteiras, matar pessoas e ser notado a milhares de quilômetros do local do epicentro, pois quanto maior quantidade de energia liberada, mais longe ele poderá ser percebido. Apesar do Brasil não apresentar terremotos em seu território, por estar localizado no centro da placa Sul-Americana, o tremor no Chile foi sentido até mesmo em São Paulo, distante 2850 km do epicentro. Também em janeiro, o tremor no Haiti foi verificado no nordeste do Brasil, pelos sismógrafos do Rio Grande do Norte.

 

O Chile já sofreu inúmeros terremotos de grandes proporções ao longo de sua história. Em 1960, foi atingido por um forte abalo sísmico, mais forte que o atual, ocasionando ao Japão e outros países do Pacífico ondas gigantes, que chegaram a matar algumas dezenas de pessoas. Vale lembrar que na época não existiam equipamentos para informar sobre a possível ocorrência desses desastres como existem hoje.

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