Ricardo Bernardo
Uma das maiores polêmicas do mundo esportivo nos últimos dias e que vai permanecer ativa ainda nos próximos meses, é sobre a convocação de Ronaldinho Gaúcho para a disputa da Copa da África do Sul. Depois do amistoso da seleção contra a Irlanda, no último dia 2, as chances do craque do Milan disputar o mundial ficaram bem mais distantes, uma vez que o jogo serviu para confirmar o que todos já sabiam: o técnico Dunga tinha o grupo praticamente fechado para a Copa do Mundo. A última dúvida persistente, na lateral-esquerda, parece que foi sanada, com Michel Bastos que foi titular no amistoso, comprovando possuir grandes chances de ir ao mundial em junho. Com isso basta Dunga escolher seu reserva, numa disputa entre André Santos e Gilberto, com larga vantagem para esse último, que possui mais experiência que seu concorrente, além de já ter disputado a Copa de 2006.
Mas o assunto da vez é mesmo sobre a possível convocação de Ronaldinho Gaúcho. A imprensa nacional está pressionando Dunga para convocá-lo, semelhante ao que aconteceu na véspera da Copa de 2002, quando a mídia pedia Romário no elenco que viria a ser pentacampeão do mundo. Mas Dunga deverá repetir Felipão, que apesar dos apelos populares e da imprensa não levou o “baixinho” naquela oportunidade.
Na última entrevista coletiva concedia, o treinador deixou bem claro o que pensa a respeito disso e de seu grupo de jogadores. Enfatizou a oportunidade que Ronaldinho teve durante as Olimpíadas de Pequim em 2008, mas que não aproveitou. Realmente, parece que ele foi à China fazer turismo e não para jogar o que sabia, ou então pensou que só nome e fama seriam suficientes para ir ao mundial. Mas Dunga é diferente do Parreira, que em 2006 concedia mordomias aos medalhões e o resultado foi aquele que todo mundo sabe.
O Ronaldinho raramente apresentou o mesmo futebol dos clubes na seleção, seja nos tempos que jogava no PSG da França ou no Barcelona. A única atuação magnífica dele foi nas quartas-de-final da Copa de 2002, naquele jogo duro contra a Inglaterra, cobrando uma falta da lateral direita direto para as redes, enquanto todos esperavam o cruzamento para a área, fazendo assim o gol da classificação. E nas primeiras vezes que foi convocando, quando ainda era um menino que aplicava lençóis no próprio Dunga, como na final do Campeonato Gaúcho de 1999. A estréia dele na seleção foi magnífica marcando um golaço ao aplicar um chapéu no marcador em um jogo contra a Venezuela na Copa América daquele mesmo ano. Mas depois vieram os fracassos nas Olimpíadas de Sydney em 2000, Pequim 2008 e da Copa 2006, a recusa em jogar a Copa América de 2007 e por aí vai.
Ronaldinho Gaúcho achava que só por ele ser o Ronaldinho Gaúcho o Dunga iria convocá-lo. Mas o que o técnico da seleção avaliou nesses quase quatro anos de trabalho foi a participação e comprometimento dos atletas com a seleção brasileira e não aqueles que eram fenômenos em seus clubes, mas na seleção não rendiam o mesmo. Quando Ronaldinho Gaúcho sentiu que só nome não adiantava para ir a Copa e resolveu jogar bola, já era tarde demais, pois queria fazer em três meses o que não fez em quatro anos.
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