Agricultores de sofá – Coluna do Leitor

Margarida Goldschmidt 

Existentes desde 1989 com o lançamento do SimCity, jogos de simulação se popularizaram nos últimos anos. Caracterizados por não serem simples jogos de “apertar botões”, e sim por sua estratégia e dedicação do jogador, esses jogos recriam uma forma de vida que pode ser representada por um restaurante, uma vida fictícia ou uma fazenda.

Redes Sociais como Facebook e Orkut tem como aplicativos mais usados os jogos: Farmville e Colheita Feliz com 80 e 18 milhões de usuários, respectivamente. Os dois simulam uma fazenda virtual onde é possível plantar, colher, vender e, no caso do Colheita Feliz, até roubar. Ainda há um tempo real de espera do amadurecimento de sua plantação, que, depois de vendida gerará um dinheiro virtual que poderá ser reinvestido, tal como uma fazenda real. Alguns itens são exclusivos de usuários que investem dinheiro “de verdade” por meio de cartão de crédito. Isso gera grandes lucros às empresas desenvolvedoras desses games, pois é necessário um investimento irrisório para a manutenção dos mesmos. 

A razão desse fenômeno ainda é uma incógnita. O que leva adultos a criarem vacas que produzem leite com chocolate e galinhas com ovos de ouro? Diversão? Uma maneira de esquecer o mundo real? Não se sabe, mas a inclusão digital tem uma grande responsabilidade nisso. Os gráficos são infantis, a lógica é simples, porém o maior número de jogadores não é de crianças e sim, de adultos que jogam rapidamente em meio ao trabalho.

Qual o futuro disso? O que acontecerá com o jogo? Será substituído por uma novidade, como todos os fenômenos tecnológicos? Ou se manterá por muito tempo? Acredito que caminhamos para a queda, já está na hora das pessoas caírem na realidade, pois 80 milhões de jogadores pode ser considerado o ápice.

Colheita Feliz: simulação de uma fazenda real.

Colheita Feliz: simulação de uma fazenda real.

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