Migração: causa e consequência – Coluna do Leitor

         As principais causas das migrações são vitais para a maioria das espécies do reino animal e, quando acontecem em condições de normalidade não causam consequências mais sérias. Assim, os pássaros migram em função do clima, como é o caso das andorinhas que nos visitam durante a primavera e verão e nos deixam durante o outono e o inverno. Outras espécies migram em função do alimento, o principal distribuidor das espécies, ou ainda em busca de ambos, clima e alimento favoráveis.

         Se fosse possível a relação dos seres vivos entre si e, deles com o meio, sem a interferência do homem, não haveria problemas ou catástrofes, pois tudo aconteceria dentro do mais perfeito equilíbrio.

         Aconteceria no nosso município, no nosso estado, no nosso país, no nosso continente, não houvesse a invasão do homem branco; e no mundo todo; não fosse a causa que trouxe o branco para a América latina, que é a mesma que move a espécie humana no mundo todo; a ganância.

         Deveria estar falando sobre cultura; tinha assumido esse compromisso. O postergarmos, dada a urgência em contribuirmos para que haja uma reflexão sobre as causas de alguns problemas que temos e que se agravam e amiúdam a cada instante. Antes de entrar no assunto proposto, devo lembrar que enquanto escrevo, mosquitos me carneiam as pernas; são 17 horas e o pernilongo não tem o hábito diurno; deve ser o outro, já o encontrei neste quarteirão em outros verões. E há uma piscina sem tratamento a 20 m de onde me encontro como centenas de outras em nossa cidade.

         Voltemos ao tema proposto: no último sábado – 20/03/10, no programa “A natureza em destaque”, da APARP (Associação de Proteção Ambiental Amigos do Rio Piratini) pela Rádio Cidade FM de São  Luiz Gonzaga, veio à tona o problema da invasão da nossa cidade pelas pombas, que, aliás, não é um problema apenas de São Luiz Gonzaga. É generalizado, não são apenas as pombas, a maioria dos animais está invadindo as cidades. Sabemos que o acaso não existe, portanto a migração dos animais para as cidades também não é obra do acaso.

         Mesmo após todos os genocídios promovidos, no nosso caso por Portugal e Espanha ao tomarem as terras dos índios; até há uns 50 anos atrás a maioria da população vivia no meio rural, aqui e no mundo todo. Os crimes ambientais não eram tão notados porque a natureza era rica e as pessoas produziam alimentos para si e vendiam o excedente para aqueles que não produziam. Era a agricultura de subsistência que, apesar de pouca tecnologia e, também por isso, precisavam de menores áreas e dessa forma agrediam menos o meio ambiente.

         Com a evolução da tecnologia, das políticas econômicas agrícolas e agrárias, os pequenos agricultores vão sendo expulsos do campo e os empresários rurais preferem a produção de mercadorias à produção de alimentos. Necessitam de maiores áreas, máquinas maiores com mais potência e menos pessoas. Com isso as cidades vão inchando e os problemas sociais de toda a ordem, crescendo e se multiplicando.

         No campo, estando este nas mãos daqueles que não tinham vínculo nenhum com a mãe natureza, começou e não parou mais a devastação. Florestas e campos foram devastados, inclusive a mata ciliar causando dessa forma o assoreamento dos rios e muitos se transformaram em esgotos cloacais; sem contar a enorme carga de agrotóxicos que das grandes lavouras escorrem para seus leitos já fragilizados. Banhados foram drenados, e assim quase a totalidade do ecossistema foi sendo extinta e assim muito de nossa fauna se extinguiu e os animais que ainda resistem, agora estão invadindo as cidades em busca de abrigo e comida.

         Os grandes monocultivos, além de não produzirem alimentos, pelo simples fato de serem monocultivos, desequilibram o ambiente e dessa forma a natureza fica vulnerável a todo o tipo de problema, doenças e pragas. Estas principalmente, atingem níveis altíssimos, pela ausência de organismos controladores (PPD) predadores, parasitas e doenças; o que leva no mínimo a uma aplicação de inseticida por semana; algo destrutivo e caro feito sem qualquer consideração com as pessoas e a vida. Diariamente aviões sobrevoam nossa cidade em toda sua periferia. Assim, em breve teremos que entregar todo o centro da cidade para os animais, pois estes que são menores e mais sensíveis terão que invadir o centro da cidade, uma vez que a periferia está envenenada.

Para onde iremos nós?

Prof. Orci dos Santos Machado

Divulgue!