Somente uma investigação criteriosa, promovida por instituições isentas (como, por exemplo, o Ministério Público), poderá determinar se a Prefeitura foi omissa ao não remover a favela construída sobre o aterro antes do acontecimento funesto. Pena que a Globo, sempre tão bem “informada” e cercada de “especialistas”, não noticiou preventivamente o perigo, evitando com isso o infortúnio. Renegando regras básicas de jornalismo, a Rede Globo concede ao prefeito-acusado alguns parcos segundos à apresentação de suas razões. Para atirar pedras, dedica dezenas de minutos e arregimenta uma penca de “especialistas”. Para a defesa, um mínimo de tempo. Esse é padrão Globo de jornalismo.
Para quem não lembra, Brizola foi um dos primeiros – e poucos – líderes políticos que enfrentou com coragem o poderio econômico e midiático da família Marinho (vídeo abaixo).
Brizola costumava dizer que Roberto Marinho era o “Stalin” das comunicações, sendo que as vozes dissidentes eram remetidas para a “Sibéria do gelo e do esquecimento” (ver vídeo abaixo).
Mas a briga dos Marinho com o trabalhismo é mais antiga, vem da era Vargas. Continuou com Jango. Diz o jornalista Paulo Henrique Amorim (ler aqui):
“Os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – têm memória.
Eles sabem que o pai ajudou Vargas a meter uma bala no peito.
Eles perseguem Vargas até depois de morto.
O problema é que nós, amigos navegantes, também temos memória.
E sabemos que a UDN só chega ao poder com o Golpe”
Se a Rede Globo está efetivamente apreensiva com o destino e segurança dos pobres de Niterói e do Estado do Rio de Janeiro, poderia denunciar a especulação imobiliária que arremessa os menos favorecidos para os morros, já que impedidos de acessar terrenos em áreas livres de risco.
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