“AMA – ZÔNIA” – Coluna do Arno

   Arno Schleder

   Do meu ponto de vista e de mais alguns céticos a floresta amazônica começou a morrer com a chegada do primeiro homem branco naquela região. Isto remonta à era do nosso “descobrimento” pelo europeu extrativista e explorador.

   No final do século XIX a Amazônia foi alvo de uma grande invasão do homem branco, na sua maioria estrangeiros que vieram para extrair a borracha na época, matéria prima de última geração. O ciclo da borracha foi dos maiores acontecimentos deste período em que a Amazônia brasileira ficou conhecida no mundo inteiro. Em 01 de março de 1871 o coronel norte-americano George Earl Church, construiu a ferrovia Madeira Mamoré, obra que consumiu milhões de dólares e milhares de vidas humanas, calcula-se que mais de seis mil operários morreram na execução dessa aventura.

  Verdadeiras cidades foram construídas em plena selva. Manaus, a capital, tornou-se uma das cidades mais famosas do mundo; grande comércio, bancos, cassinos, hotéis de luxo e o Teatro Amazonas, uma fantástica construção quase toda com material importado menos a madeira, é claro. O madeirame, assoalho, móveis e alguns portais foram todos confeccionados com madeiras nobres da floresta Amazônica. O primeiro bonde elétrico da América do Sul, não entrou em funcionamento no Rio de Janeiro nem em Buenos Aires, foi em Manaus que ele fez sua estréia.

    Esta história já foi há muito tempo, a realidade da região amazônica hoje é bem diferente. O homem é o principal responsável pelo desmatamento da Amazônia. Desde que começou a ocupação intensiva da região, nos anos 70, cerca de 67 milhões de hectares de mata já foram destruídos, uma área igual a três vezes o estado do Paraná. Parte da exploração da floresta Amazônica se dá de forma ilegal – é o caso da extração de madeira, já que apenas 20% do setor agem de acordo com as normas estabelecidas pelo governo.

    Os ambientalistas deram o seguinte diagnóstico: Se as plantações de soja, as fazendas de gado continuarem avançando sobre a floresta, 50% da Amazônia brasileira deverá desaparecer até 2060.

    Nos mapas e documentos a Amazônia é brasileira, porém nossa soberania está sendo questionada por estrangeiros que já levaram muito de nossas riquezas e agora também querem se apossar da nossa floresta. Aí me pergunto: O que o governo está fazendo para de fato garantir nossa soberania?

    Em 2003 estive de passagem pela Amazônia e vi muitas queimadas e nossas fronteiras totalmente abertas, assim é muito difícil falarmos em soberania.

    Os estrangeiros dizem que a Amazônia é do mundo. Olhando de um ponto de vista mais globalizado, posso dizer que Nova York também é do mundo, e posso dizer para eles também que o monóxido de carbono que liberam todos os dias, não me faz bem. Por terem se recusado a assinar o protocolo de Kyoto, são bem atrevidos!

   Como bom gaúcho não me preocupo unicamente com a Amazônia. Minha preocupação maior é com a invasão de pinus e eucaliptos que os estrangeiros estão trazendo para dentro do nosso território. Somos prováveis candidatos a um grande deserto.

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