Afogando o ganso – Coluna do Arno

Arno Schleder

    Em 2014, se estiver vivo (o dia amanhã a Deus pertence), provavelmente assistirei a conquista da copa pela então seleção brasileira de futebol. Não é preciso ser a mãe Diná para descobrir que com essa convocação do “Dunga”, a nossa seleção, no máximo, chegará às quartas de finais.

   A FIFA (Federação Internacional de Futebol) faz as coisas acontecerem do jeito que quer em termos de futebol, sabemos que o futebol mundial hoje vai bem além de uma competição esportiva, é na verdade um grande jogo de interesses, envolve comércio, política e até segurança nacional.

    Quem se lembra da copa de 1998? Quando aquela fantástica seleção brasileira entregou a rapadura para a França considerada um país sem tradição no futebol e que tinha um único jogador que fazia a diferença: “Zidane”. Quem se lembra do mal estar do Ronaldão?! Interessante que depois daquele incidente, a saúde do Ronaldo voltou ao normal, inclusive para aguentar as baladas.

   Na copa da Alemanha, novamente o espinho na nossa chuteira foi a França, e com o mesmo “Zidane”; e aí o tropeço foi sem dor de barriga mesmo. Agora a França também estará na África do Sul, classificado por um juiz da FIFA com um gol de mão, pode? Desconfio que a França se atravesse novamente, digamos, nas oitavas de finais e aí o Brasil dará uma goleada à título de vingança, mesmo porque o incrível “Zidane” não estará jogando e dessa forma não teremos em quem por a culpa. Já escrevi das dúvidas que tenho sobre quem descobriu o Brasil, porém, tenho certeza de que quem descobriu o futebol Francês foi a seleção brasileira.

   Em 1970 o Brasil foi para o México com uma grande seleção (as “feras do Saldanha”), tanto que trouxe a taça Jules Rimet. Aquela seleção foi toda preparada por um grande treinador João Saldanha, gaúcho nascido no Alegrete. Porém, ao faltar pouco tempo para o início da competição, Saldanha foi substituído por Zagalo, pois Saldanha era membro do partido comunista não era, digamos assim, muito simpático ao regime militar.  O povo brasileiro enfrentava um dos maiores infernos políticos de sua história. Muitos brasileiros acreditam que os gritos de GOOOL que vinham do México ajudaram a abafar os gritos nos porões da ditadura.

   A copa do mundo na Argentina em 78 não foi diferente, com um agravante: o futebol dos hermanos estava tão ruim que tiveram que envolver na sacanagem, a seleção do Peru.

   O Brasil passou a ser considerado o país do futebol a partir de 1958 (Suécia) e 1962 (Chile) quando conquistou o bicampeonato. Nunca mais a façanha foi repetida por nenhum dos participantes. Em 2014 quando o Brasil sediará a copa, certamente não vai querer repetir o fiasco de 1950 quando em pleno Maracanã, recém inaugurado, entregou a rapadura para os Uruguaios que até hoje “tiram sarro” com a nossa cara.

   Por que o Dunga não convocou o Ronaldinho Gaúcho, a gente já sabe, agora por que ele não levou Paulo Henrique ( o Ganso), um dos melhores atacantes do momento… Bom, todos nós sabemos que na África do Sul tem “ZEBRA” será que é nisso que nosso treinador está acreditando?

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