Ameaça nuclear. EUA ou Irã? – Coluna do Charles

 

nuvem de cogumelo deixada pela bomba atômica que explodiu a 550 m. de altitude no centro de NagasakiJapão.
Ontem, 03MAI, foi a abertura da 8ª Conferência Mundial de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP)
em Nova York. O encontro é promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e se estende até o próximo dia 28.

 
O encontro vitamina as já controvertidas discussões sobre segurança mundial, armamento nuclear e uso de energia nuclear. No centro do debate encontram-se EUA e Irã.

 
Os EUA, conforme revelado na conferência, possuem 5.113 ogivas nucleares ativas,  capazes de destruir o planeta dezenas de vezes. E investe aproximadamente 52 bilhões de dólares por ano em armamento nuclear (sugestão: poderia destinar boa parte desses valores para programas de segurança alimentar em paises não desenvolvidos). 

 
O Irã não tem nenhuma ogiva. Desenvolve um programa nuclear sem fins bélicos. O objetivo é a produção de energia, a exemplo de muitas nações.

 
Rememorando. Qual foi o único país do mundo a ter utilizado bombas atômicas contra a população civil, matando milhares de inocentes e mutilando e contaminando outros? EUA ou Irã? E armas químicas, como o agente laranja, empregado pelos EUA na guerra do Vietnã?

 
Como cidadão pacífico, a quem devo temer? Quem efetivamente ameaça a segurança mundial?

 

Não vou com a cara do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Fanático religioso, autoritário e homofóbico são adjetivos que lhe caiem bem.


 
No entanto, sua proposta de definição de um calendário específico para a eliminação de todas as armas nucleares existentes no mundo, apresentada ontem na ONU, por ocasião da abertura da conferência sobre a revisão do TNP, merece o apoio irrestrito da comunidade internacional.

 
Aliás, a posição brasileira na conferência do TNP, pela voz de seu chanceler Celso Amorim, foi perfeita. Amorim recordou que o tratado de não-proliferação, desde sua entrada em vigor há 40 anos, divide o mundo entre os que têm armas nucleares (somente cinco paises) e os que não as possuem. Segundo Amorim,  essa diferenciação demonstra os desequilíbrios do atual sistema internacional, que tem de ser reformulado.

O Brasil também defendeu o direito dos países a desenvolver planos nucleares com objetivos pacíficos e que a melhor garantia para a não proliferação é a eliminação total das armas nucleares. 

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