Arno Schleder
Preconceito é defeito que infelizmente acompanha os seres humanos desde a existência do planeta.
Em alguns países incluindo o Brasil, bem recentemente, negro e branco não frequentavam os mesmos lugares na sociedade. Havia casos em que os ambientes eram previamente preparados para esse “apartheid” sem fundamento. Quando morriam negros não eram enterrados em cemitério de brancos. Os imigrantes europeus que vieram habitar o sul do Brasil (Rio Grande do Sul e Santa Catarina) trouxeram uma bagagem triste de preconceitos. Por exemplo: Luteranos não enterravam católicos em seus cemitérios e vice versa.
Uma das classes que ainda hoje sofre a violência do preconceito são as prostitutas, apesar de ser das profissões mais antigas do planeta.
Relato aqui um episódio acontecido em algum cafundó perdido do interior do Sul do Brasil.
Maria, simplesmente Maria, apareceu como por encanto no lugarejo. As fofoqueiras do lugar diziam que fora ali abandonada por um viajante que prometeu buscá-la e nunca mais voltou.
Morena, cabelos negros, pele clara tinha olhos esverdeados e um corpo escultural além de uma boca bem desenhada, munida de lábios carnudos. Com todo esse aparato não foi difícil organizar sua vida e montar sua empresa. Tornara-se assim a primeira prostituta (assumida) do lugarejo.
Maria no começo alugava um quartinho de pensão. Porém, foi muito eficiente quanto à escolha de sua clientela: só os mais ricos tinham acesso aos favores de Maria. Em breve compraria a pensão. Na verdade quem bancava a boa vida dela era o coronel Alcântara, poderoso chefe político do lugar. As fofoqueiras até falavam que o coronel já a conhecia de “outros carnavais” e que o abandono do viajante foi providencial.
Por onde a morena passava com seu vestido florido, de aberturas provocantes, as senhoras e donzelas viravam o rosto, (na verdade mais por inveja do que raiva), pois não havia homem que não lançasse um olhar, no mínimo sonhador, pra cima da linda mulher. No entanto, as puritanas e as beatas do lugar carregavam um trunfo como consolo: quando Maria morresse seria enterrada fora do cemitério, que era onde sepultavam assassinos, suicidas e prostitutas.
Quando ainda jovem, uma doença misteriosa se abateu sobre ela. E tal como apareceu, Maria se foi. No velório quase ninguém… No cortejo apenas o coveiro e o Padre, este carregando uma coroa de flores que diziam ter sido paga pelo Coronel. Durante muito tempo o túmulo da prostituta ficou solitário atrás do Campo Santo. Aquela solidão póstuma era um símbolo do castigo que a comunidade impunha aos que no seu pseudo conceito eram tidos como impuros.
Com o passar do tempo as pessoas foram morrendo e o cemitério ficando pequeno. Os muros foram sendo derrubados e os túmulos se alastrando. Morreram os coronéis, as santas senhoras beatas, as “donzelas”. Todos enterrados no cemitério que se tornou extremamente populoso.
Hoje, se alguém quiser visitar o túmulo de Maria vai encontrá-lo bem no meio do cemitério, cercada pelas defuntas mais distintas do lugarejo.
Em uma lápide simples de seu túmulo se lê; “Nasci, como qualquer ser humano, amei e fui amada e vivi a vida intensamente como poucas mulheres do meu tempo, sem me preocupar ao lado de quem seria sepultada.” A SEMPRE LEMBRADA MARIA’.

Pintura de Toulousse-Lautrec, pintor francês que iluminou sua carreira pintando as prostitutas dos bordéis parisienses. Na imagem, o salão da Rue des Moulins, em Paris (1894)
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…O preconceito e todos os sentidos é antigo e nocivo. E atitudes desesperadas de combate-los fazem com que governos e responsaveis por leis tomem atitudes que deveriam ser revistas e/ou melhor discutidas. Aproveito teu texto para expressar minha opinião sobre o sistema de cotas. Enquanto a África de Mandela demorou decadas tentando acabar com o Apartheid, no Brasil luta-se para criar um Apartheid, dividindo negros e brancos, onde a solução seria investir na educação igual para todos. Não é criando regalias para um determinado grupo que se resolve um problema que afeta também os brancos, ou seja, a escola primária pública.
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Amei!!!!!!!!!!!!!!
joga purpurina e ilumina!!!!!!!!!
o ser humano é um bichinho dificil!!!!!!!!!
morre e fede igual aos outros! beijos professor!
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Muito interessante o que você escreve é bastante educativo. Parabéns!!!!!!Bjs
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Excelente!!
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