Sem arte nem parte – Coluna do Arno

  Arno Schleder

  Se procurarmos reconstruir a história da arte brasileira, veremos que os artistas sempre foram servidores mansos da comunicação. Dessa forma passaram a aceitar todo o tipo de ingerência em suas obras – críticas humilhantes e avacalhações – sem o mínimo de critérios ou nexo; tudo em nome da sobrevivência.

    Quando deles se fala é num tom de gozação e inveja. Simpatia, apenas quando se mesclam com a decoração que está em moda no momento. “Decoração”, palavra equivocada que vale para os meios em que se ignoram os critérios estéticos históricos e morais. A arte é uma outra coisa; é tudo, menos decoração.

    Artista é nome genérico, que quer dizer muitas coisas, e muitas são as facetas desta profissão, aliás, profissão que há bem pouco tempo não era considerada como tal.

    No campo da arte tem de tudo: os revolucionários, os inconformados, os que acreditam em imitações da natureza como nos livros Sacros, e têm os que ousam dizer que o importante é pintar aquilo que o mercado compra e então passam a pintar de manhã para vender à tarde e comer de noite.

    Têm artistas que chamam mais a atenção pelas roupas que usam ou pelas palavras que falam, tem mocinhas de mini-saias tão curtas quanto o seu talento na pintura; tem senhoras que para se consolarem com suas vidas de frustrações também acham na pintura a solução. Têm os fanáticos, os do hobby, os que pintam só para as Bienais.Têm aqueles que banalizaram tanto a arte, que a transformaram em mercadoria de qualidade inferior, dessa que se vende nos “balaios” de um mercado desinformado e cada vez mais mercenário e medíocre.

    Não é difícil toparmos com anúncios do tipo “promoções com grandes descontos” e por aí a fora. E, se de fato formos analisar mais profundamente as “obras” em questão, descobre-se que, o que está à venda é só tinta, algodão grosso, madeira e uma bela moldura.

    Não podemos confundir uma mostra de artes plásticas com o feirão da esquina.

    Muitos consideram o artista um mero mercador de sonhos, e que, como tal, tenha pouco a contribuir com essa humanidade desvairada que corre de um lado para outro sem ir a lugar nenhum, sem tempo para analisar uma verdadeira obra de arte.

    O artista de fato é um sonhador, que entrou dentro do sonho e sobrevive dele. O verdadeiro artista emoldura sonhos que irão preencher espaços vazios em paredes e no interior de algumas pessoas. Vazios que não sabem bem porque carregam, talvez por falta de tempo de se voltarem para o seu interior e descobrir qual o seu verdadeiro sonho.

    Quero parabenizar a todos os artistas que verdadeiramente labutam pela verdadeira arte, pela passagem do Dia do Artista Plástico – 8 de maio.

Van Gogh: obras vendidas após sua morte

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