Transgenia do vinho – Coluna do Arno

 Arno Schleder

    A França como se sabe, é um dos maiores produtores de vinho do mundo. Os produtores franceses são reconhecidos e respeitados pela alta qualificação de seus vinhos e, no mercado mundial, sua influência é muito importante.

    Para os vinicultores da França, as ameaças surgem em muitas roupagens, mas poucas coisas lhes perturbam mais do que a irreverência de outros, também vinicultores, em relação ao “terroir” (uma combinação do solo e clima da região aonde a vinha se desenvolve). Esse sentimento foi tão forte que o país chegou a desenvolver a própria espécie de “terroiristes”, grupo mascarado de vinicultores. Eles atacam caminhões tanques transportando vinho estrangeiro e provocam pequenas explosões em supermercados que comercializam certos vinhos estrangeiros.

   Mas agora os vitivinicultores franceses deparam-se diante de um novo horror: o vinho transgênico. Em 18 de dezembro de 2007, a “Public library of Science”, publicou a primeira sequência genética completa de uma nova variedade de uva – a Pinot Noir. Ao descompactar a gigantesca massa de dados do código genético da Pinot Noir, Ricardo Velasco e sua equipe do Instituto Agrário S. Michele All’Adige (IASMA), Trentino Itália, venderam muitos segredos genéticos dos aromas desta uva particular, ajudando a abrir caminho para o vinho geneticamente modificado.(matéria da revista Adega).

    O vinho normal ou natural carrega os aromas de seu “terroir” e às vezes seu aroma lembra frutas vermelhas, café, e até chocolate. Um dos principais é sem dúvida o carvalho que se junta ao vinho não pelo “terroir”, mas sim, através do recipiente onde envelhece, e hoje com a modernização dos equipamentos, muitas vinícolas utilizam bordalesas de aço inox dessa forma e para que o vinho adquira o aroma do carvalho, são colocados pedaços da madeira dentro dos recipientes.

   Com o trabalho realizado com o vinho transgênico, a inserção de aromas como chocolate e café no genoma da uva a questão do “terroir” bravamente defendida pelos franceses vai por terra.

    A preocupação dos franceses e de muitos outros envolvidos no mundo do vinho, é que as pesquisas exageradas mudem de forma negativa a história do vinho no mundo.

    Edgar Rechtschaffen em sua matéria na revista Adega nos diz o seguinte: “um gene para a produção de ácido acetilsalicílico, melhor conhecido como “aspirina” ajudaria na prevenção de ataques cardíacos e coágulos sanguíneos e você teria seu médico prescrevendo sua meia garrafa diária de vinho tinto. O efeito analgésico da aspirina preveniria as ressacas antes que elas começassem. E talvez fosse possível a introdução do citrato de sildenafila, o ingrediente ativo do Viagra. Para muitos homens isto ajudaria a derradeira humilhação causada pelo consumo excessivo do vinho. (remédio em excesso também mata).

    A título de nossa região eu, como curioso estou tentando descobrir a origem e o nome de uma uva Rosê produzida por um amigo aqui em São Luiz Gonzaga. O vinho dessa uva, por exemplo, já vem carregado de aroma de madeira e noz-moscada, independente do vasilhame em que foi elaborado e adormecido. Espero em breve ter alguma resposta para poder dar nome a esse vinho, que é magnífico em sua coloração e paladar, segundo aqueles que já o provaram. Assim, graças à curiosidade e teimosia tenho algumas garrafas do Rosê desconhecido em minha adega. Nós, os apaixonados pela filosofia do vinho, torcemos para que a transgenia fique longe das pequenas adegas onde se prima pela qualidade do vinho natural. Quem trabalha o vinho com amor e dedicação cuida de sua adega como se fosse um santuário.

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