Arno Schleder
É o rosto que faz o homem. É através da expressão, dos olhos e da boca que exteriorizamos nossos sentimentos. Nele está contida a individualidade que diferencia um homem numa multidão. Isso foi o que meus mestres me ensinaram quando comecei a retratar seres humanos em meus desenhos e telas.
Aprendi que posso retratar uma pessoa de três maneiras bem distintas: a primeira é copiar os traços através de uma fotografia e ser fiel aos traços impressos pela máquina fotográfica, a segunda é sentar-me próximo ao modelo vivo e desenhar ou pintar, captando toda a energia emocional daquele momento e coloca-la harmoniosamente, na expressão do retrato. A terceira é quando o pintor trava determinado relacionamento com a modelo e passa a conhecer suas atitudes, seu jeito de viver. Então quando está só em seu atelier começa a pintar o retrato daquela pessoa sem a fotografia e sem a presença pessoal do modelo, e é desta forma que o pintor passará para o retrato a imagem que realmente tem daquela pessoa, e é assim que se pinta a alma das pessoas.
Você já imaginou uma pessoa sem rosto? Ou que suas feições fossem escondidas e nós não pudéssemos ver-lhe o rosto, o sorriso, as expressões faciais? Tudo referente a ela se tornaria mistério. Entre alguns povos, como os melanésios e os antigos etruscos, certos deuses eram representados sem rosto.
Quando um homem cobre o rosto, sua intenção pode ser a de preservar em sigilo sua identidade (como a máscara de um ladrão). Mas o ato pode também ter um significado mais profundo e simbólico: retirar da pessoa suas características particulares igualando-a a um grupo, a uma instituição ou a uma coisa. É o caso, por exemplo, do carrasco cujo capuz o transforma na personificação da morte. Do sacerdote primitivo, que com uma máscara encarna os espíritos, ou do ator que se torna uma personagem. Em qualquer situação, a máscara sempre despersonaliza a pessoa.
A Enciclopédia Ilustrada Conhecer relata o fato de um psiquiatra americano, chamado Lazareff, que apresenta uma seleção de máscaras a seus pacientes, e lhes pede que escolham sua preferida. Há máscaras lisas, ferozes, chorosas, rostos de homens célebres – uma enorme coleção de máscaras. E o paciente, em cada sessão, escolhe a que melhor lhe parece. Recoberto pela máscara, identificado e defendido por ela, abandona-se às suas fantasias e extrai de dentro de si coisas que ele mesmo não suspeitava. A persona – que é a máscara – ajuda o paciente a compreender sua pessoa.
Nos dias atuais, a maioria das pessoas tem medo de mostrar quem de fato elas são. Tem muito lobo com vestimenta de cordeiro e vice-versa.
- Máscaras símbolo do teatro
- Lobo em pele de cordeiro
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Pois é, caro professor.
Concordo plenamente que o rosto é o retrato da alma.Sabemos exatamente pelo rosto da pessoa como ela está. Se triste, se preocupada, se feliz…
As feiçoes denotam o interior.Também questiono quando as pessoas escondem o rosto, quer sob uma máscara, uma cirurgia plástica ou até mesmo os homens quando usam barba.
Interessante o teu tema. Gostei.
Um abraço.
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Tema excelente, caro Arno. Com várias possibilidades de exploração.
O uso da máscara tem essa contradição que tu afirmas em uma parte da tua crônica.O Uso da “máscara” pode significar um ato de covardia, mas também um ato de coragem. Pode ser o carrasco, como também pode ser um Robin Hood, um “clandestino” que luta contra uma determinada tirania.
A psicanálise revela que todos nós, de certa forma, utilizamos máscaras, porque é a “máscara do dia” que, enfim, revela uma fração específica da nossa personalidade multifacetada. Se estou trite, uso uma máscara. Se feliz, outra. E se trite, mas querendo demonstrar uma falsa felicidade, já recorro a uma terceira.
Eu, por exemplo, escrevo esse texto utilizando a máscara do “Realista”. Mas esse “avatar” acaso não é a revelação do meu “eu” mais autêntico?
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Olá, meu querido professor Arno
aqui estou novamente para comentar uma coluna sua.
camo sempre adorei, mas essa eu achei de uma simplicidade encantadora, e uma riqueza de conteudo incrivel.
Parabéns!
ate terça-feira. vou um pouco mais cedo ta bom?
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