O vinho de Van Gogh – Coluna do Arno

Arno Schleder

             A partir do momento em que a arte virou um bom investimento, na década 1980, os preços dos mestres dispararam. Telas que um dia não encontraram compradores, hoje são cotadas em dezenas de milhares de dólares. Vendidas no correr do martelo, a arte se transforma em objeto de especulação. E por serem inacessíveis aos orçamentos minguados dos museus, as obras-primas trocam definitivamente o olhar do grande público pelo olhar e cobiça das coleções particulares.

            Absolutamente vanguardista para sua época, Van Gogh nunca se curvou às exigências de escolas, modismos ou mercado. Ao contrário, ele investiu na ousadia e na procura de uma vertente artística única. O preço que pagou em vida pela busca de originalidade foi pesado, Van Gogh só conseguiu vender uma única tela “O Vinhedo Vermelho”, por cerca de quatrocentos francos, (em valores atuais cerca de mil e oitocentos dólares). Para quem vivia em deplorável situação financeira dependendo sempre da ajuda do irmão, a venda poderia ter sido um alívio momentâneo. Mas para Vincent a única tela colocada nas mãos do primeiro colecionador quatro meses antes de morrer, nada representou; o artista nunca se deixou desencorajar pela falta de compradores, bastava-lhe para viver, a compreensão de uns poucos esclarecidos e a certeza expressa na carta ao irmão Théo: “Se o que faço é bom, nada perderemos, no que se refere a dinheiro, pois à semelhança do vinho que amadurece na adega, as telas também ganham valor.”

            O tempo se encarregou de confirmar as certezas de Van Gogh e às vésperas do centenário de seu desaparecimento em 1989 surgiu um momento de revanche junto aos colecionadores. “Íris”, tela que não recebera nenhum centavo, no ano de sua morte acabou sendo vendida por 54 milhões de dólares, tardia recompensa para quem um dia foi o pão amargo de cada dia…

            Digo sempre para meus alunos; não espere que alguém bata a sua porta e lhe pergunte: você tem uma pintura para me vender? Apenas pinte sem tentar adivinhar o que vai acontecer amanhã, porque, como vinho de boa safra, um dia terá valor reconhecido. O tempo, com certeza, fará sua parte, mas primeiro é preciso que o pintor faça a sua.

            O pintor mais caro do mundo hoje é, sem dúvida, Vincent Van Gogh, sua tela: “O Retrato do Doutor Gachet” foi vendida em 1990 por 82 milhões de dólares.

            O pintor holandês entrou para a história como um herói romântico, um gênio incompreendido em seu tempo. Sua tragédia pessoal funcionou como uma alavanca, jogando a cotação de suas telas ainda mais alto. É claro que o talento do pintor sem dúvida é o que mais conta. Vincent Van Gogh realmente foi um gênio dos pincéis, capaz de revolucionar a pintura num curtíssimo espaço de tempo entre os anos de 1886 e 1889. Junto a todos esses fatores, o holandês foi considerado o pintor mais caro do século XX com nada menos que quatro das dez mais valiosas telas do planeta.

            A maioria das casas que leiloam obras de arte situa-se em New York, uma das mais famosas é Christies no Park Avenue. Quando um quadro de Van Gogh lhes chega às mãos, a festa é grande, pois 10% do negócio fica com a casa. Foi exatamente a Christies que em 1990 vendeu “o Retrato do Doutor Gachet”, faturando nada menos que 8,2 milhões de dólares só para bater o martelo.

          Em viagem realizada em 2001, visitei o museu de Arte de São Paulo – MASP. Fiquei emocionado diante de uma das obras de Vincent Van Gogh. A tela chama-se “O Escolar”, pintada pelo mestre das cores em 1888.

"O Escolar" - estive a dois metros de distância diante desta magnífica obra.

"O Escolar" - estive a dois metros de distância diante desta magnífica obra.

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