Saudades do Trem – Coluna do Arno

O trem de ferro, em desuso hoje em dia, nasceu de uma decepção. Os decepcionados foram os mecânicos ingleses Richard Trevithick e Andrew Vivian que em 1802 haviam construído uma “diligência a vapor para a estrada”, uma pesada máquina montada sobre duas rodas com aros de ferro. E, um detalhe, se recusava a andar… Daí Trevithick ter tido a idéia de colocar seu veículo sobre trilhos. Surgiu daí, a locomotiva. E uma nova era nos transportes terrestres.

Se a ferrovia é relativamente recente, a idéia de usar trilhos para o deslocamento de rodas não é. Egípcios e Romanos, por exemplo, sabiam que barras de madeira ou ferro, fixas ao solo, reduziam o atrito do rolamento e diminuíam o esforço da tração. E desde o século XVI os ingleses usavam trilhos de madeira em suas minas de carvão, graças aos quais, um só cavalo podia puxar diversos vagões com várias toneladas de minério. Foi nessa época que os ingleses conseguiram outra façanha: o trabalho na genética equina. Mexendo na morfologia do cavalo conseguiram que este diminuísse de tamanho, (os hoje conhecidos “Pônei”, animais de pequena estatura próprios para o trabalho nas minas). Bom, vamos voltar aos trilhos: a madeira se desgastava rapidamente , tentou-se recobri-la com chapas de ferro o que não deu muito certo. Aplicou-se então o ferro gusa, depois com a evolução tecnológica para o ferro laminado, por fim, para o aço. E a madeira foi esquecida.

O que não se esqueceu, antes pelo contrário, foi a força do vapor, cujo emprego vinha sendo pesquisado desde os meados do século XVIII. A primeira máquina a locomover-se graças a essa energia foi provavelmente a célebre caldeira de Cugnot, em 1769. Andou pouco, mas em compensação conseguiu derrubar um muro.

Até a decepção que levou Trevithick experimentar seu fracassado engenho sobre os trilhos das minas de Penydarram, País de Gales 1804, a experiência funcionou. E a Maria fumaça do “Tio Ricardo” (“Uncle Dick’s Puffer”), de cinco toneladas – a primeira locomotiva a vapor construída pelo persistente mecânico, pode rebocar cinco vagões com 10 toneladas de ferro e 70 homens ao longo de um trecho de 14,5 Km, coberto em 14 horas e 5 minutos. Em 1808 a “catch me Who can”, de Trivithick, era exibida ao público de Londres, percorrendo uma linha de trilhos em círculo.

 Hoje a fenomenal “Maria fumaça” está fora dos trilhos, exceto em alguns lugares onde administradores inteligentes as usam para fomentar o turismo. No Brasil temos dois pequenos trechos em Minas gerais na região de Ouro Preto e outra na Serra Gaúcha. 

A Europa continua firme nos trilhos. Os trens na Europa são ainda um transporte de luxo e respeito. Lá você atravessa quatro ou cinco paises viajando em trens rápidos e confortáveis pagando passagens relativamente baratas.  Nas estradas européias o trânsito de caminhões é o mínimo possível. A economia de mão de obra e combustível é óbvia.

No Brasil os trens foram parados durante a ditadura militar, nossa malha ferroviária foi totalmente sucateada em nome do pseudo progresso imposto pelas multinacionais que aqui queriam vender caminhões, combustíveis e pneus. Aqui na região missioneira temos uma ferrovia, em muitos trechos, totalmente abandonada. Isso, para mim é progresso ao contrário.

Os trens, com certeza marcaram uma época romântica na trajetória da humanidade. Eu pessoalmente tenho algumas histórias.  Em 1963 tinha 10 anos e fiz uma viajem de trem (Maria fumaça) com meu pai. As imagens daquela viagem nunca mais se apagaram de minha memória.

 

 

 

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