Existe apenas um ponto em comum entre um comício Nazista, de 1932 e um sóbrio comício eleitoral do Partido Trabalhista Inglês. Em ambos os casos o objetivo é o mesmo: a conquista do poder do Estado como instrumento para se proceder a uma série de transformações na estrutura de determinada sociedade.
Nos países democráticos todos os cidadãos exercem o direito de voto e participam de uma atividade política, pois o simples fato de depositar ou digitar seu voto em uma urna vai se refletir na distribuição de poder no estado, mas o corpo de eleitores não se confunde com a camada, relativamente reduzida dos políticos profissionais, que devotam todo o seu tempo de forma integral à atuação política.
A figura do político profissional surgiu no ocidente no século XVI, com os “conselheiros dos príncipes”, e assumiu seus traços mais característicos na Itália. Maquiavel foi um desses conselheiros.
Foi na Grécia clássica, há quase 2.500 anos, na Atenas antiga que surgiu a idéia da “oratória”. Embora sua economia fosse baseada na escravidão e a atividade política ficasse restrita aos cidadãos livres, naquela pequena Cidade Estado da Grécia Continental, apenas 40.000 habitantes e só um, de cada dez atenienses tinha direito a voto. E a direção real dos assuntos públicos pertencia a um punhado de grandes oradores.
Na velha Atenas, hábeis demagogos podiam conduzir com sua oratória, os participantes da assembléia. É claro que também rolavam acordos, conchavos, compra de voto e outras negociatas (no mundo atual a coisa não é muito diferente). Mas as concepções de seus filósofos, entre os quais Platão, e Aristóteles, sobreviveram à passagem dos séculos e influenciaram o pensamento político ocidental dos dias atuais.
Os oradores Gregos usavam os anfiteatros com acústica natural, mas também discursavam no meio da rua. Sempre subiam em cima de alguma coisa, uma escada ou mesmo uma pedra, porque já naquela época o político gostava de olhar o povo de cima pra baixo. Só nesse gesto ele já se sentia com determinado poder.
Hoje em dia têm os palanques que, às vezes, vem abaixo com o excesso de peso porque, geralmente não sobe só o político, mas junto vai um bando de bajuladores. O conteúdo da oratória também não mudou muito. As teorias da ciência política contentam-se, muitas vezes em explicar o funcionamento do sistema, a necessidade do voto, o mecanismo de uma convenção partidária e outros aspectos, sem descer às minúcias da prática diária de governo.
Recentemente, ouvindo uma emissora de nossa cidade, que entrevistava políticos de um município vizinho, um deles falou uns 8 minutos. A maioria do discurso eram “abobrinhas”, endeusou o seu partido o tempo todo, era “Deus no céu e o partido na terra”. Até parecia que pai e mãe tinham menos importância que partido. O povo que o elegeu, para ele não existia.
A conclusão é que os candidatos só se lembram do povo na hora de pedir voto, depois ele vai só trabalhar para aquele pequeno grupo do seu partido com o qual vai dividir as vantagens do poder. A coisa é mais ou menos assim: se você tem boa oratória e sabe prometer e não cumprir já é um passo para se candidatar.
No ato de inauguração do monumento Jaime Caetano Braum, trabalho magnífico do amigo Vinícius Ribeiro, apareceram políticos de toda a região, todos exigiram que seu nome constasse no protocolo e, todos queriam o microfone e também se esforçaram para ter um ótimo lugar na fotografia. Nos discursos, muitas promessas, eu estava lá, e pelo que ouvi, aquele local em breve se transformaria em uma praça iluminada e com a estrutura merecida por D. Jaime, porque Jaime em vida já era um iluminado.
Quem passar hoje, nove meses depois, vai sentir o abandono e o descaso e o desrespeito com o Payador maior e com a obra magnífica do escultor Vinícius. Nenhum dos dois merece essa pouca vergonha, nem tão pouco o povo Missioneiro. Até sugeri para o Vinícius que esculpa uma foice e a coloque em uma das mãos da estátua e na outra um lampião para que o payador não fique escondido no capinzal e nem no escuro da noite.

Com a Era Péricles, na Grécia a origem da "oratória".
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Ao Arno parabéns pelo texto, concordo com o Charles, os políticos foram lá dar um “respaldo” à obra, foram importantes no momento, mas agora nada fazem pela infraestrutura do local.
Ao Vico: a próxima deixa no pátio da tua casa, vai receber melhor tratamento!
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Questões para se refletir:
Se os polítcos ali estiveram, quem os convidou? Estavam lá sem convite? A presença desses polítcos não era desejada? Ou a presença deles era desejada porque se pretendia “algo” desses políticos? A relação oferecida pelos políticos naquele ato mostra-se inadequeda, afinal não cumpriram a “aliança”? Qual a aliança proposta pelos que convidaram ou permitiram a presença desses políticos?
Os polítcos utilizaram o evento para propaganda? E esses políticos também não foram chamados para serem “usados”?
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Sem dúvida, há uma crise de representatividade parlamentar (crise entre o representado e o representante).
Diz o colunista: “(…) A conclusão é que os candidatos só se lembram do povo na hora de pedir voto”.
Também é muito comum a constatação de que o eleitor invariavelmente não lembra em que votou.
Síntese: quem outorgou o mandato não sabe quem é o sujeito outorgado, e o parlamentar não presta contas ao outorgante.
Se esses dois diagnósticos estiverem certos (e eu penso que estão), a tentativa de superação da crise de representatividade parlamentar passa por iniciativas de reaproximação entre o eleitor e o eleito, momento de prestação de contas daquele que exerce mandato e daquele que lhe conferiu o mandato.
Isso exige um cidadão mais mobilizado, mais preocupado com o espaço público. A crise da representatividade não é uma crise somente da “classe política”, mas também do “corpo de eleitores”. E a esse último é que compete modificar o status quo, porque é a parte interessada na mudança. Terá consciência desse desafio? Textos como o do Arno se prestam a despertar essa consciência.
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Muito boa a abordagem Arno, sobre o descaso com o monumento!
Os políticos vieram para a inauguração, com o intuito de realizarem uma pré-campanha eleitoral, pois Jayme Caetano Braun é destaque em todos os cantos do Rio Grande. Vale lembrar que na época estávamos há exatos um ano das eleições de outubro, e a figura do pajador serviria como ampla propaganda para seus interesses.
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só vou dizer que eu adorei, pq eu tinha dito que nao ia mais comentar as suas maravilhosas colunas.
bj
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Cada povo tem o político que merece!!!!!!!!!!
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este é apenas mais um dos descaso da administração.
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Normal, uma cidade que recolhe o lixo aos moldes de 30 anos atraz e que compra camionete de mais de R$ 70.000,00, cabine dupla para um secretario andar.
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