Lambaris do Ximbocu – Coluna do Arno

Arno Schleder

Tenho uma interrogação comigo sem resposta lógica. Porque os japoneses caçam baleias?

Na idade média o objetivo principal era a carne. No século XVII, outras partes da baleia eram aproveitadas como o óleo (inclusive para a pintura), o marfim das barbatanas, extratos hormonais e até a carcaça era aproveitada para fertilizantes e para ração animal

Em 1962 o consumo japonês de carne de baleia chegou a 226 mil toneladas, depois disso houve um declínio que reduziria o total para 15 mil toneladas em 1985.

O Japão, país minúsculo e com uma superpopulação, sem minas de ouro ou prata, sem poços de petróleo e que não exporta nenhum grão de soja ou de trigo é considerada a segunda potência econômica do Planeta. Tem alguma coisa difícil de entender, nesse caso.

Sua cultura milenar molda sua existência tirando de pequenos espaços seu sustento. O único espaço grande que conhecem é o oceano e é dele que vem a maior parte de seus alimentos.

Criar gado no Japão de forma extensiva como aqui, nem pensar. Por isso, seu conhecimento científico evolui e isso já, há centenas de anos. Quem ainda não viu ou ouviu falar do “bonsai”, árvores em miniatura. Os japoneses também plantam verduras em minúsculos vasos e produzem vegetais exclusivamente na água.

Nós missioneiros temos algumas coisas em comum com os japoneses. A história pouco fala sobre isso. É que na mesma época que os jesuítas entraram em nosso território, também entraram no Japão, porém, com algumas diferenças. Aqui vieram “civilizar” e no Japão encontraram uma civilização já pronta. Na América do Sul os jesuítas encontraram espaços infinitos, no Japão os espaços eram restritos; e eles tiveram muita dificuldade para conquistar um pequeno espaço. Até hoje a igreja católica no Japão é pouco expressiva.

Outro fato em comum é que a primeira arma de fogo disparada por um índio guarani foi trazida do Peru pelos Jesuítas (Batalha do M’bororé 11 de março de 1641). No Japão a primeira arma de fogo disparada por um japonês também foi trazida por um jesuíta. Só para lembrar o leitor, a batalha do M’bororé foi o basta que os guaranis deram nas incursões dos bandeirantes paulistas que eram assassinos e ladrões e invadiam nosso território em busca de escravos.

Quanto à caça às baleias, os japoneses têm a resposta na ponta da língua – É para fins de pesquisa e estudos científicos. Aí eu me pergunto: estudar o quê? E para quê? Será que os japas vão tentar diminuir o tamanho das baleias para criá-las em aquários caseiros como fazem com alface e outras hortaliças?! Eu não acredito. A maioria dos restaurantes no Japão serve carne de baleia como prato principal. Dessa forma, cada cliente é um pesquisador de baleia em potencial.

O leitor poderá se perguntar o porquê da minha preocupação com as baleias, já que nós missioneiros estamos distantes do mar. É simples, meu amigo, preservação das baleias é tão importante para o equilíbrio da vida no planeta quanto a preservação dos lambaris no Rio Ximbocu!… ( Ximbocu – é um pequeno afluente do Rio Piratini, localizado em São Luiz Gonzaga na região das Missões).

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