Já escrevi em outra ocasião ‘que o vinho brasileiro ainda é tratado de maneira preconceituosa, por estrangeiros dos quais, muitos não reconhecem o Brasil como país produtor de vinhos. Isso até dá para entender. O difícil de aceitar é o preconceito dos próprios brasileiros.
Certa vez uma pessoa me fez o seguinte questionamento: como produzir vinhos de boa qualidade no Brasil, se o nosso clima não é considerado próprio pra isso? Expliquei da seguinte forma: em primeiro lugar temos que nos dar conta da dimensão continental que nosso país possui. No Rio Grande do Sul, há muito tempo responsável por 95% da produção vinícola do Brasil, temos variações no clima e no solo; e o vinho feito das uvas plantadas na Serra Gaúcha – Bento Gonçalves, Garibaldi e outros municípios da região serrana, são diferentes do vinho elaborado das uvas plantadas na região da Campanha – Santana do Livramento, Bagé, etc. Isso comprova a importância do solo e do clima. O relevo, bastante variado, vai da montanha até as grandes planícies e chapadas. O clima tem seus extremos: do frio, de sensação térmica siberiana (Serra Gaúcha, mais precisamente, Aparados da Serra São José dos Ausentes), ao calor com temperaturas compatíveis com qualquer deserto do mundo. A variedade de solo é ainda maior.
Se observarmos mais atentamente no Brasil vinícola, há centenas de condições de climas e “terroares” diferentes e, com certeza, nessa variação toda iremos encontrar alguns lugares que serão perfeitos para se cultivar as parreiras das quais se possa elaborar vinho de qualidade superior, considerando que o clima tem interferência direta na elaboração do vinho.
A qualidade do vinho está determinada nas bagas da uva. O cacho da uva é como um recém nascido – extremamente dependente da mãe, a videira. Muitas outras frutas continuam a amadurecer mesmo depois de colhidas. A uva não! Uma vez colhida, perde imediatamente o processo de alimentação do interior das bagas pela videira e o cacho não amadurece mais. Dessa forma, para se obter um bom vinho, a uva tem que ser colhida na hora certa. Até a hora do dia conta como elemento importante. Geralmente, se colhe a partir das primeiras horas do dia, em torno de cinco ou seis horas até às nove horas da manhã.
Quem descobriu a região da campanha como território fértil para o plantio da vinha, foi o viajante francês Auguste de Saint-Hilaire, que passou pela região no século XIX. Escreveu em seu diário que as terras da campanha, principalmente na fronteira com o Uruguai eram fracas e boas apenas para o cultivo da videira. Um americano leu esse diário mais de cem anos depois, e na década de 1940 veio para o Rio Grande do Sul, comprou terras em Santana do Livramento onde plantou parreiras que foram o embrião para a criação da vinícola Almadén.
A safra 2010 na região sul não foi muito promissora em termos de vinhos de qualidade, pois o período de chuvas foi bastante extenso e dessa forma as videiras alimentaram a baga com uma ração aguada, tornando sua composição diluída e implicando maior volume de polpa, menos açucarada. Esse processo resulta em vinho medíocre, com baixo teor alcoólico, pois o álcool do vinho é a transformação do açúcar da uva.
Fiz vinho em pequena quantidade na safra 2010, e fui contemplado com um vinho relativamente elevado, acredito que tive sorte quando realizei a sua graduação. Esse vinho, no entanto está em sono profundo e só será acordado depois de um longo período de descanso.
- Vinhedos na região de Santana do Livramento
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Gostaria de parabenizar a linda foto da Juli. quando vi ela logo lembrei da adega deste colunista.
parabéns pela foto Juli, e parabéns pela linda adega Arno.
beijos.
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…O Arno, não falando na sua materia em questão, mas talvez tu saiba a quem solicitar. Cheguei em São Luiz depois d um tempo e a noite, e vi a estatua do velho Jaime totalmente no escuro, sem iluminacao nenhuma. Como tu ta sempre dentro desse ambiente cultural, se possivel gostaria q fizeste uma reivindicacao sobre esses fatos ao poder publico, ou de quem de direito. Grande abraço
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oi querido!!!!!!!!!!!!!
estamos entrando em ferias, na escola, ainda bem que nao nocurso de desenho e muito menos das suas belissimas colunas, sinto uma angustia pois as suas colunas eram publicadas aos domingos e agora nao tem dia certo, pq isso está acontecendo?
nao entendo, gostaria de uma resposta.
a proposito, falando da sua coluna de hoje eu adorei muito ela, aprendi um montao de coisas, nao gosto de ler sobre vinhos, mas lendo ela começei a me interreçar sobre o mesmo.
parabéns!
continue assim.
beijos!
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Meu caro leitor anônimo, gosto não se discute e em termos de vinhos isso se acentua ainda mais, para você ter uma idéia, o custo do engarrafamento de um vinho não é barato. Uma rolha da boa qualidade, coisa que também não é fabricada na Argentina, custa em média um dólar. A garrafa, também mais ou menos esse preço. Rótulo, lacre e a mão de obra para realizar esse trabalho que, certamente não é escrava, fica em torno de dois dólares (a unidade). O que sobra para o vinho?
Vinho de qualidade, de sete reais, dá o que pensar, mas, como disse no começo, meu amigo, “gosto é gosto”… Quanto à carga tributária, concordo com o amigo…
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Acredito que o preconceito a que é submetido o produto nacional, materializa-se na alta carga tributária embutida nele. É possível comprar vinhos de boa qualidade na Argentina por apenas sete reais. Não há competição, é desumano! Uma verdadeira surra!
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