A arte – uma forma de linguagem – Coluna do Arno

O desenho e a pintura surgiram na Pré-história como forma de comunicação, pois a escrita ainda não existia. A manifestação artística mais importante desse período, devido ao seu realismo e habilidade técnica, foi descoberta em fins do século XIX. São desenhos e pinturas (parietais) em cavernas do Sul da França e do Norte da Espanha. No entanto mesmo em nossos dias existem comunidades em estado primitivo, cuja cultura se assemelha à dos povos que viveram no período glacial, cerca de 14 a 12 mil anos a.C. nas cavernas. Os desenhos e as pinturas serviam para contar seus feitos de caçadas e batalhas tribais. Nem eles sabiam que sua forma de comunicação chegaria até os dias de hoje.

A arte é uma manifestação intimamente ligada ao espírito humano. Desde as origens das civilizações o homem busca dar sentido aos objetos que cria, além de uma forma mais eficiente e útil para o fim a que se destinam qualidades que independem da simples utilidade e que satisfazem uma necessidade de harmonia e beleza. É bastante frequente que as duas necessidades coincidam. A maior leveza, a maior solidez de uma flecha, de um arco, de um vaso ou de uma estrutura são fatores que conduzem à beleza. Isso nos leva a uma primeira concepção de que o belo é a sublimação do útil.

Mas ao lado dessa ideia simples devemos considerar que o homem introduz no objeto que cria certos elementos sem relação com a utilidade. Assim é que vamos encontrar mesmo nos povos mais primitivos, o gosto pela decoração, pelo emprego de linhas, formas e cores que nada tem a ver com o desenho prático do objeto, e que apenas servem pra lhe conferir uma categoria ou uma superioridade.

Não se pode deixar de considerar outros fatores importantes, como o sentido místico, espiritual e ou religioso da obra. Porque, é muitas vezes através da arte que os homens cultuam seus deuses.

Certa vez, questionado a respeito da linguagem da minha pintura, dei a seguinte resposta: “Através da minha pintura abri uma janela para dela olhar e sentir o profundo das coisas, das pessoas, enfim, o mundo do qual faço parte. Minha pintura como no tempo das cavernas é ainda uma forma de linguagem que busca comunicar-se com o mais profundo do ser humano. Nem sempre sou correspondido, mas, entendo que cada mensagem terá seu tempo para ser analisada e compreendida. Minha pintura é na verdade um acordo que fiz com a tela. Ela aceita meus medos, angústias, saudades; me aceita, exatamente como sou: cheio de defeitos. Em troca preencho seus espaços vazios, lhe dou cores e forma, faço dela um ser em forma de obra e assim caminhamos juntos sem saber de fato aonde essa estrada vai nos levar. Mas, acreditem gosto dessa caminhada! Minha pintura nunca foi decorativa. Sempre achei que uma obra pode fazer muito mais, pois acredito que ela é o elo entre o espírito e o profano de nossa vida.

 

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