É feio ser ateu. Quando você diz que é ateu, as pessoas te olham atravessado, como se tu estivesse cometendo algum gravíssimo (Rá!) pecado.
A falta de fé, em um mundo onde praticamente todas as pessoas têm algum tipo de fé, não é bem vista.
O ateu é um pária. É um sujeito que não acredita em nada, e portanto, não merece crença. O ateu é visto como uma pessoa sem moral, como alguém que não é digno de confiança, que alguma aprontou, já que só isso explica a ideia de um louco, de renegar a existência de Deus. Ou Buda, ou Jeová, ou Tupã, ou Alá, ou Zeus, ou o Polvo Paul, ou seja lá o que for, pelo menos é essa a impressão que as pessoas crentes parecem ter com relação á quem é descrente.
“E mais fácil atacar a preferência alheia do que justificar a própria com argumentos”
Outra coisa interessante são os mal-entendidos em que nós, ateus, nos envolvemos. Eles são fruto do fato de que vivemos em uma sociedade que justifica suas preferências de uma forma bastante simples:
Avacalhando as crenças alheias.
Tu já deve ter visto uma cena parecida:
-Eu sou da Igreja Universal.
-Universal? Sério? Ahahahahah.
-Tá rindo do quê? Tu é católico, pedófilo e nazista!
É, nós somos assim, é mais fácil atacar a preferência alheia do que justificar a própria com argumentos. E, no campo religioso, isso é ainda mais evidente, e abre o precedente pros mal-entendidos que eu mencionei antes.
Alguém fala sobre espiritismo. Eu falo, com todas as letras, que acho isso uma tremenda bobagem. O conceito de reencarnação, a história de hospitais espirituais, e reencontro com familares mortos, psicografia e o escambau, pra mim é uma rematada tolice, e se até na TV as pessoas têm o direito de despejar suas crenças religiosas na nossa cara, eu tenho direito á demonstrar minha descrença quando achar conveniente.
“Aí me perguntam qual é a minha religião, e voilá!”
Faço meu pequeno discurso anti-espiritismo, e imediatamente, alguém se arma com meus argumentos, falando, também, contra o espiritismo, dizendo que grande pataquada ele é, e usando a imensa bobagem que é conversar com fantasmas para justificar, pasmem: O evangelismo.
Opa. Eu não sou evangélico. Comprar uma garrafa com água do rio Jordão pelo telefone, pra mim, é uma bobagem tão imensa quanto entrar na fila para receber uma hóstia, ou receber um passe, ou colar a testa no chão pra pedir perdão por pecados que se pensou em cometer.
Aí, eu digo pro evangélico ao lado que sentar na frente da TV todo dia pra ouvir Edir Macedo, Silas Malafaya ou R. R. Soares, pra mim, é um equívoco tão grande quanto comprar os livros do Kardec e do Xavier.
Aí me perguntam qual é a minha religião, e voilá!
Surge a mais notável faceta dos ateus. Nós somos a única vertente que consegue a proeza de unir todos os credos. O evangélico e o espírita apontam suas metralhadoras giratórias contra mim, incapazes de conceber a ideia de que eu não tenho religião, e acho todas elas uma perda de tempo sem par.
“As pessoas acreditam em religiões por que precisam da crença”
O que eu posso dizer pra justificar a minha não-crença? O que eu posso tentar mostrar aos convertidos que eles não tenham visto? Como posso explicar á eles que, a cada minuto de cada dia, eu sou colocado face à face com um mundo onde não há milagres, mas apenas cruéis coincidências?
Eu adoraria abraçar, sem precisar de provas, uma deidade de paz e amor que fiscaliza nossas ações, pune os ímpios e recompensa os bons, mas sério, alguém vê algum sinal, por ínfimo que seja, de mágica divina no nosso dia à dia? Alguém consegue olhar a humanidade, podre como é, e pensar que ela é trabalho de uma entidade superior?
Alguém consegue abrir o jornal, ou assistir ao noticiário, e pensar em qualquer tipo de justiça divina?
As pessoas acreditam em religiões por que precisam da crença. Elas precisam acreditar que o perverso poderoso que está acima da lei dos homens será punido por uma esfera superior, elas precisam acreditar que seu sofrimento será recompensado, e precisam desesperadamente crêr que voltarão á ver aquela pessoa amada que se foi.
A religão existe para manter o ser humano sob controle, por que o ser humano não sabe se comportar. Eu entendo a necessidade da religião, acredito que a ignorância das pessoas clame por algum tipo de promessa mágica que garanta o civismo, cada vez mais raro.
Se bem que até para o dogma religioso as pessoas encontram brechas, como as crenças compostas, você conhece, também, o tipo. A pessoa gosta de determinadas partes de uma religião, e as segue, ao mesmo tempo frequenta o templo de outra, e ainda abre o jornal no horóscopo todo dia de manhã, montando uma religião que não lhe obriga a mudar seu comportamento, mas criando um credo que se adapta á seu modo de vida, não importa o quão torto ele seja.
“E isso eu faria mesmo se ele não pedisse”
Eu não. Eu não preciso da promessa de recompensa nem da ameaça de punição para agir direito, eu não sou tão alheio às leis da natureza a ponto de precisar acreditar em uma nova e eterna vida depois da que estou vivendo agora. Eu valorizo meu hoje, e fui educado para saber viver em sociedade, não preciso de ninguém me fiscalizando pra eu me sentir forçado á fazer o que é certo, tampouco quero continuar vivendo depois que meu corpo morrer. Estou extremamente confortável com a ideia de fim, e a única vida após a morte que espero é a lembrança de meus entes queridos, não preciso nem quero mais nada.
Entretanto não quero ser confundido com os ateus de ocasião, aquelas pessoas que renegam todas as religiões, não por que não acreditam em nada, mas apenas por que têm medo de tudo aquilo com que lhe ameaçam, seja o umbral, o inferno ou a casa do Capita, e ignoram todas as religiões apenas para não sentir o peso da própria consciência
É tão ruim ser ateu quando se age da forma mais correta possível sem esperar recomensa ou temer punição? Eu suponho que, se há um Deus, ele não se importa se eu rezo de joelhos, de olhos fechados ou com a testa no mármore, ele quer apenas que eu me comporte com meus semelhantes, e isso eu faria mesmo se ele não pedisse, afinal, é a forma certa de fazer as coisas quando você quer que a coletividade funcione.
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Vinícius Silva da Cruz
Acadêmico – Ciência da Computação
São Luiz Gonzaga – RS
lordehenry@gmail.com
webnerds.com.br
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A Fé remove neurônios! Não deixe de ler o livro DEUS: UM DELIRIO., do Biologo Britãnico Richard Dawkins … até mais ver! Fernando Batista Berni., Wolverine., São Luiz Gonzaga., R/S., BRASIL …
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Obrigado Charles. Aliás está na biblia, heresia e Blasfemia, Passivel do fogo puruficador.
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Cara, fazia muito tempo que não lia umas boas verdades, parabéns pela iniciativa
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Na boa… XXXXXXXXX.
Eu nao tenho religiao e acho a religiao completamente dispensavel, eu nao preciso de nenhum intermediario pra falar com o “ser superior”.
Eu nao posso me dizer ateu porque no fundo eu acredito em algo maior que nos, e creio que no fundo todos acreditem. Mas religiao pra mim é bobagem, e so outra maneira de marketing ou comercio encoberto pela fé!
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Parabens VINICIUS,muito bom, tambem parabeniso a Mytty, pois ela disse exatamente oque eu tambem acho.
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O importante é a tolerância, saber conviver com o diferente, respeitar suas convicções. Se creio em Deus e respeito os outros, que me deixem com minha fé. Se não creio em Deus ou deuses, e respeito os outros, que me deixem em paz.
O que deve ser recusado não o ateismo ou crença em Deus, mas a intolerência. Ela sim que é repugnante.
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Pertinente. O que quis chamar de repugnante é o conceito, a ideia; e não, e jamais, a pessoa que a professa. Assim sendo, acho repugnante sim o ateísmo, mas nunca o ateu.
Um exemplo disso pode ser dado pelo filme O Pianista. Sabemos que o nazismo e o comunismo são repugnantes. Mas no filme há nazistas adoráveis, e nazistas desprezíveis. Comunistas adoráveis, e comunistas desprezíveis. Judeus adoráveis, e judeus desprezíveis. Poloneses adoráveis, e poloneses desprezíveis. Assistam o filme para entenderem melhor.
Minhas apologias, foi a ideia que quis crititar, e jamais a pessoa humana.
Um debate deve prezar pelo princípio da impessoalidade!
Cordialmente
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straniero..
repugnante,etc..etc..já ouvi de tudo…ofensas e agressões verbais fazem parte do preconceito que os ateus em geral acabam por ter de conviver..
mas nunca retribuí essas e outras ofensas e não pretendo começar agora..
sempre respeitei a opinião dos outros,sejam que assunto for..
não ofendo pessoas ou nesse caso grupo(ateus) somente porque as opiniões delas são diferentes das minhas..
acho que diálogo e debate sempre são válidos,para que possamos expôr diferentes “lados” de um mesmo assunto,e que as pessoas possam tirar suas próprias conclusões e com isso inclusive,quem não conhece bem possa informar-se mais através desses debates..
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Existe uma grande diferença entre o crente e o místico. O crente acredita porque teve experiências que o fizeram crer. O místico acredita por causa do seu sexto sentido, a apurada intuição.
Sugiro a leitura de Universo Autoconsciente, de Amit Gonswami.
E os autores clássicos Spinoza e Leibniz.
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Acredito que a virtude está sempre no meio-termo. Assim sendo, o ateu é tão repugnante quanto o fanático. E por favor, não vamos confundir o ateu com o agnóstico!
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sou atéia assumida..não ligo p/ o que os outros pensem ou deixem de pensar sobre a minha não fé..
respeito todas as religiões,e a fé das outras pessoas,pois acho que cada um tem direito de acreditar ou deixar de acreditar no que bem quiser,desde que isso não prejudique ninguém..
não é por eu não acreditar em deus,demonio,duendes,papai noel,pé grande,fantasmas,etc..etc..que tenho que agredir ou discriminar quem tem fé..
a única coisa que critico é guerra,terrorismo,roubo,etc..em nome de deus e religião..
existe bons e maus,indiferente de se ter religião ou não,de se ter fé ou não..
viver bem,sem prejudicar ninguém,assim é um dos meus lemas de vida..
ajudo animais,crianças e cuido do meu planeta..faço minha parte,coisa que muitos religiosos fanáticos não fazem..
e,ATÉIA SIM!!!!!!!!!!
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Ao amigo,
Respeito o que sente por conta da forma como anda sendo tratado pelo próximo, particularmente na questão de uma quase imposição de uma aceitação por uma religião. Vivemos momentos de intolerância e acredite se quiser, dentro de nosso país que possui o hábito de dinfudir sua pluralidade, sua aversão a qualquer tipo de preconceito, seja por conta de credo, raça ou cor. Está escrito em nossa Carta Magna, mas não é o que acontece na prática. Ficamos apavorados com a ações daqueles, atravésde sua “Jihad” (guerra santa, em árabe), destruir os infiéis; mas, bem perto daqui, vemos o quão são intolerantes certos cidadãos que, por opção, “aceitaram Jesus”. Sou católico, mas gosto de ouvir a opinião (ou visão) de todos sob as mais variadas questões e fico muito agradecido pela sua que, de alguma forma, contribuiu para a minha formação de opinião a respeito do momento em que vivemos. Costuma-se dizer que a natureza do homem é falível; por conta disso, as instituições (e entenda instituição, as diversas religiões existentes)que, formadas por estes mesmos homens, podem também, ao meu ver pelo menos, cometer equívocos. No período do Novo Testamento, vemos a perseguição dos judeus e sua consequente crucuficação ao homem que havia proferido a seguinte frase: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Passou-se um tempo, e os cristãos passam a dstruírem os “infiéis” (na época, mulçumanos) para a expansão do cristianismo. Mais um tempo, a inquisição, capitaneada pela Igreja Católica, brincando de “caça-fantasmas”, pondo àqueles que renegavam Jesus e idolatravam o diabo (lembre-se que tem judeu que foi nessa). Passou mais um tempo e um cidadão austríaco vê que o fracasso da Alemanha da época era por culpa dos judeus e dá-se início ao holocausto, negado pelo presidente do Irã e agora vivemos a Guerra ao Terror, protagonizada pelos combatentes da “Jihad” e aqueles que vêem como obrigação a projeção de poder de seu país sob toda a terra conhecida… O “bagúio” tá doido! Tá frenético! Certa vez, ainda estudante fui apresentado a dois casos esquemáticos apresentados por mestres de reconhecido e notório saber que, naquele momento, ao menos, apaziguou as minhas angústias. O primeiro perguntou a minha classe a definição de vida… Silêncio Geral… Afinal de contas, assim como você, temos a perfeita compreensão do que é vivo e o que não é vivo, mas definir vida fez fundir os neurônios de todos à época e ele lançou uma “pegadinha” científica na ocasião. Conduziu o nosso raciocínio, na época, de forma a que todos acreditassem que o ser vivo eram todos aqueles que possuíam ao menos um código de replicação, que pudesse ser reproduzido. Ou seja, que houvesse um DNA… mas, para dar um verdadeiro “nocaute intelectual” na turma, ele perguntou sobre os vírus; pois, como sabemos, não possuem DNA. Precisam de um DNA de uma hospedeiro para se replicar e, como sabemos, são classificados como seres vivos, um verdadeiro capricho da natureza? Pânico geral! É tão bom quando se quebram paradigmas! Já um segundo nos demonstrou por meio de fórmulas matemáticas o deslocamento e comportamento de moléculas de água dentro de um copo quando submetido a uma força necessária para realizar um redemoinho dentro do mesmo. Cheguei a ficar emocionado com a descoberta. Digo tudo isso porque há coisas nas quais ainda esbarramos, não conseguimos apresentar respostas para tudopor enquanto… Me repugna de como foi banalizada a vida, com que facilidade e crueldade que o dom mais maravilhoso que nos foi dado, é tirado. Vivemos, repito, a era dos estremos. Dizem que o tempo de Deus édiferente do nosso, daí essa falsa sensação de estar “descoberto” das vistas Dele… Não há como explicar aquele oceano de ódio do Oriente Médio e alguns pontos da África, a miséria em grande parte do Brasil e da Índia. E, se tudo isso não te acender uma ‘luzinha’… Que ao menos você deixe aos seus descendentes um legado digno com fortes bases em valores morais, filantropia e etc.
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Vinícius, parabéns pela coragem de expor tuas convicções.
Mas cuidado, o macartismo de plantão está por aí.
Não se preocupe, se te colocarem numa fogueira, mobilizo os bombeiros!
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