É a LEI igual para todos? – Coluna do Arno

A cada dia que passa aumenta o número de pessoas condenadas por alguma infração ou delito. De certo modo é o preço que se deve pagar pelo pseudo progresso, pela melhora da qualidade de vida e pelo próprio aumento da população mundial. 

Onde está presente e onde se esconde a agressividade entre os seres humanos? Cada um de nós, tanto o “bom chefe de família” quanto o pior assassino, traz dentro de si um potencial de agressividade. Mas o número de pessoas que utiliza essa potencialidade para cometer crimes está crescendo dia após dia tornando a polícia cada vez mais impotente.

De nada adianta perguntar quem são esses criminosos. Mais útil seria talvez, compreender que entre o homem comum, aparentemente incapaz de matar uma mosca, e o criminoso, a diferença é apenas de grau. A diferença é que no criminoso, esse potencial se manifesta de maneira mais violenta, enquanto que para o homem comum, em geral permanece controlado, embora possa extravasar numa briga ou numa discussão. O importante seria procurar descobrir porque esse potencial de criminalidade se manifesta em uns e em outros não. Uma coisa, porém é certa: se queres descobrir se alguém é violento ou não, dê-lhe um chute ou um beliscão, a resposta com certeza virá em segundos.

O desenvolvimento de qualquer indivíduo é altamente complexo. A educação que o indivíduo recebe na família afeta seu desenvolvimento e tem um papel fundamental na formação do seu caráter. Tudo começa na família.

Em nossos dias a criminalidade aumentou assustadoramente, com em nenhuma outra época. As estatísticas sobem constantemente, e a mídia que até bem pouco tempo só mostrava as coisas boas que aconteciam, agora encontrou na violência um filão a ser explorado. Todos os dias somos bombardeados de notícias de crimes cada um mais violento que o outro, e como tudo na mídia se vende, também está vendendo a violência. No momento em que está tudo calmo em nossa volta, se ligamos o rádio ou a TV, a violência vem pra dentro de nossos lares. Vem através das manchetes de crimes brutais, roubalheiras escancaradas, políticos corruptos, fazendo trapaça com o dinheiro público, sem serem condenados ou quando o são, as penas parecem até ser brincadeira, o que é fácil de compreender ao sabermos que a maioria deles está protegida por um grande número de advogados de alto gabarito que sempre acharão uma brecha na lei para proteger seus clientes.

     Quem faz as leis são os próprios políticos, os quais são eleitos pelo voto do povo e aquele que vende seu voto por alguns trocados ou alguns quilos de alimento, com certeza, pagará um preço altíssimo por entregar sua dignidade de forma tão vil.

Existe uma grande dificuldade em se constatar a veracidade de qualquer estatística de crimes. É preciso lembrar que um bom número de pessoas acusadas de infrações criminosas é absolvido. Há também os que, embora suspeitos, não são acusados por falta de provas. E, naturalmente, existem os milhares e milhares de criminosos que não são descobertos. Tudo isso sem contar o número de crimes que nunca chega ao conhecimento da polícia. São várias as razões que contribuem para que o cidadão deixe de informar a polícia sobre roubos, assaltos e arrombamentos sofridos. Vai desde o medo da vingança por parte do criminoso até o receio de perder tempo em depoimentos e testemunhos perante a Justiça. Muitas vezes existe a convicção de que a polícia é ineficiente ou que as sanções legais não são adequadas. Para o cidadão  fica a sensação de que o estado protege o criminoso enquanto que o cidadão comum fica a mercê da própria sorte.

Diante de tudo isso ficam as perguntas:

Como exigir leis que me protejam como cidadão?

Qual a diferença entre Lei e Justiça?

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