Ricardo Bernardo
Nos próximos dias terá início a Semana da Pátria, que assim como todos os anos, culminará com o desfile cívico de 7 de setembro. Nessa época é lembrada a independência do Brasil, onde escolas e repartições públicas hasteiam a bandeira e executam o hino nacional antes de iniciarem suas atividades diárias. Isso me faz crer que o patriotismo brasileiro se resume a apenas uma semana do ano, exceto em período de Copa do Mundo, como aconteceu em junho passado.
O problema em questão é concluir desde quando o Brasil é independente, pois o fato ocorrido em 7 de setembro de 1822 foi uma manobra política muito bem articulada. Dom Pedro I, autor da célebre frase “independência ou morte!”, era português; de descendência portuguesa era seu filho e sucessor, Dom Pedro II, que permaneceu no trono até 1889. Em nenhum outro lugar da América foi implantada a Monarquia, com um europeu no poder após a independência das colônias.
Além do mais, as cores da bandeira do Império, posteriormente mantidas com a proclamação da República, eram as mesmas da família real portuguesa. Durante muito tempo, principalmente nas séries iniciais, foi ensinado erroneamente que o verde e amarelo representavam as matas e as riquezas do país, respectivamente. Por que mesmo após a considerada independência, tantos símbolos relacionados a Portugal continuaram sendo utilizados? Que independência foi essa que manteve os portugueses no poder por mais de seis décadas?!
Também não pode considerar-se independente uma nação que continuou com a escravidão por longos anos, sendo a última da América a abolir tal prática. E para completar, foi obrigada a pagar o montante de dois milhões de libras esterlinas à Inglaterra, exigência feita por Portugal para reconhecer a soberania brasileira. Ali nasceu a dívida externa do país. Seria muito melhor ter continuado colônia sem débito nenhum!
Outros acreditam que a independência tenha ocorrido realmente em 1889, através da proclamação da República. Mas tal episódio não passou de um golpe militar com a finalidade de beneficiar a uma minoria de ricos latifundiários do centro do país, insatisfeitos com o Império. A República Velha foi marcada pela política do café-com-leite, onde para atender seus interesses, paulistas e mineiros se revezavam na presidência, deixando o resto do Brasil à margem do poder. Que independência era essa voltada apenas para dois Estados?!
Com a Revolução de 1930 e a tomada do poder por Getúlio Vargas, o cenário continuou praticamente o mesmo, principalmente no período do Estado Novo (1937 – 1945). Nessa fase, Vargas governou de forma ditatorial, semelhante aos regimes totalitários que estavam em vigor na Europa, com a limitação do poder das unidades da federação, implantação de partido único e censura. Um ditador no poder era sinônimo de independência?!
O fim da Segunda Guerra Mundial marcou um período de extrema tensão no mundo com o surgimento da Guerra Fria, onde as disputas entre capitalistas e socialistas também norteavam os rumos da política brasileira. Investimentos estrangeiros, construções de rodovias, implantação de indústrias automotivas, entre outras, foram algumas medidas dos governos aliados aos EUA. Em contrapartida, Jânio Quadros e João Goulart reaproximaram relações com Cuba, União Soviética e China, porém foram considerados perigosos. Era independência seguir os interesses estrangeiros, que pregavam um regime político e econômico em detrimento ao outro?!
A tomada do poder de forma inconstitucional pelo golpe militar de 1964 tinha como finalidade livrar o país do comunismo, segundo seus defensores. A ditadura instalada na época foi uma das mais sangrentas da história do Brasil, com perseguições, mortes, torturas, enriquecimento ilícito, censura, além de outros fatores. Era independência ter um governo ditatorial, que dentre inúmeras arbitrariedades, não permitia a liberdade de expressão?!
É difícil afirmar quando o Brasil tornou-se realmente independente, pois durante décadas o país seguiu aquilo estipulado pela minoria detentora de poder e influência. Talvez por isso, a cada ano o 7 de setembro perde em importância para a sociedade brasileira, que o considera apenas como mais uma oportunidade de descanso e lazer.
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Parabéns pela lucidez de pensamento Dilmar!
Vai uma citação do grande Cícero:
“Nas divergências civis, quando os bons valem mais do que os muitos, os cidadãos devem ser pesados, e não contados “
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…Excelente intervenção, DILMAR. Uma visão “real” das coisas, e, principalmente, sobre a polícia…Só quem está no “front” arriscando tomar um tiro na cabeça vindo d um bandido, é que consegue ter a exata noção do que está falando… Parabéns pela sobriedade!!!!!
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Parabéns DILMAR!
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Meu caro Charles,
respeito muito a tua intelecta opinião, mas a respeito de violência policial há que se considerar outros fatores que não sejam simplesmente aqueles medidos por pessoas que desconhecem, diretamente, o tema, como é, com certeza, o teu caso. Digo diretamente querendo falar em pisar no barro, no esgoto, na imundície, cuidando a si e ao companheiro para não morrer, com a adrenalina a mil, isso a qualquer hora ou a qualquer dia da semana.
Quem fica atrás de uma mesa mexendo em papéis e dando pareceres baseados em “teria sido assim”, quem sabe devesse “fazer assim”, definitivamente não sabe o que é isso.
Interessante mesmo é se os intelectuais, que se baseiam em estudos terceirizados, com base em números nem sempre confiáveis, subissem aqueles morros do Rio de Janeiro e entrassem em favelas em São Paulo, NA CONDIÇÃO DE POLICIAIS, dispostos a enfrentar, a cada esquina, em cada viela, um tiro na cara. E olha que essas condições estão chegando rapidamente em nossas pacatas cidadezinhas…
Acho engraçado como as pessoas acham fácil investigar, abordar e prender, nos dias de hoje, marginais e drogados de toda espécie, exigindo dos policiais, que aliás ganham muito pouco para isso, que tratem a bandidagem com carinho e buquê de flores, esquecendo que atrás desses profissionais está uma família que também fica à sua espera.
Evidentemente que há abusos e isso deve ser punido, mas o que está ocorrendo é que o esquerdismo radical parece que não consegue se adaptar aos novos tempos, culpando, invariavelmente, a polícia por toda a espécie de violência nas ruas.
Os Estados Unidos, bem citado por você, é campeão mundial em mortes de inocentes como forma de punição estatal. Lá, se a pessoa não obedecer a ordem policial, é imediatamente contida a tiros, porque lá o Estado está representado no policial (muito valorizado por sinal) e o cidadão DEVE OBEDECER; aqui, é o contrário. Lá não precisa de “caveirão” porque se isso ocorrer eles tratam o caso como praticamente uma guerra civil e dai o bicho pega; helicópteros da polícia não são derrubados, porque se isso ocorrer daí o bicho pega mesmo! Se desacatar um policial que está representando o Estado, vai preso e FICA LÁ; aqui, nem vai pro presídio. É por isso que lá não existem tantas mortes, Charles. Há, ainda, respeito pela Polícia.
E outra, dá uma estudada sobre quantos POLICIAIS morrem por ano nos Estados Unidos e quantos morrem aqui no Brasil; quanto que é o salário médio da polícia de lá e quanto é o salário médio aqui…
Quanto às UPPs, são uma boa iniciativa, mas que não sirvam apenas como manobras políticas.
E não quero falar mais nada sobre esse assunto, porque é muito estressante.
Dilmar Santana Maciel
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Gostei dessa coluna, principalmente do final, concordo pois sao muitas as pessoas que aproveitam o sete de setembro para descanso e lazer.
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Sobre violência policial, conforme já escrevi nesse Guia em outra oportunidade:
(…) A BBC publicou, no início da semana, relatório divulgado pela Human Rigths Watch, ONG que luta pelos direitos humanos. Pois o referido relatório denuncia que as polícias de São Paulo e Rio de Janeiro mataram juntas 1.534 pessoas em 2008.
Para se ter uma idéia da gravidade da situação, esse quantitativo é maior que o número de mortes cometidas por policiais em toda a África do Sul, país com taxa de homicídios mais alta que a de São Paulo e Rio de Janeiro. A BBC revelou que na África do Sul, a polícia matou entre ABR2008 e MAR2009 a quantia de 468 pessoas (o país sul-africano considera em suas estatísticas o ano fiscal).
(Nos EUA) país cujo nível de violência policial é considerado elevado, 371 pessoas foram mortas pela polícia em 2008.
Conclusão: São Paulo e Rio de Janeiro, pela ação policial, juntos matam quase cinco vezes mais que todos os EUA (…)!
Conforme o relatório Força Letal, Violência Policial e Segurança Pública no Rio de Janeiro e em São Paulo, boa parte das mortes atribuídas às forças policiais não tem origem em confrontos, mas decorreram de inaceitáveis execuções sumárias (…).
A polícia não presiça ser orietada pela violência. Exemplo disso é polícia pacificadora inaugurada no Rio de Janeiro, as chamadas UPP, que já dãio resultado.
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Que bobagem Sr. CHARLES. Você aqui demonstrou ser contra o mundo, um critico sem saber nada do que está falando e continua o mesmo egocêntrico. Vc por acaso estava lá, por acaso essa polícia não é oriunda da mesma sociedade, ou será essa polícia é oriunda de outro planeta? Ora tudo tem limite seu Charles, mas dizer que a polícia “gostava de subir o morro para espancar mulheres, negros e pobres”… Tenha um pouco de vergonha ao falar tantas asneiras. Todos sabemos que a polícia é violenta, pois não há lei específica que a protege, então a proteção é feita pelo temor. Também sabemos que temos policiais corruptos, assim como honestos e heróicos policiais. Creio que a percentagem de policiais corruptos ganhando um baixo salario é bem inferior aos políticos que ganham alto salario.
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Talvez Straniero (quem será Straniero?) seja policial, pois saltou de pronto em sua defesa. Segue, então, trecho da música “Polícia”, letra do Tony Bellotto:
“Dizem que ela existe
Prá ajudar!
Dizem que ela existe
Prá proteger!
Eu sei que ela pode
Te parar!
Eu sei que ela pode
Te prender!…
Polícia!
Para quem precisa
Polícia!
Para quem precisa
De polícia…
Dizem prá você
Obedecer!
Dizem prá você
Responder!
Dizem prá você
Cooperar!
Dizem prá você
Respeitar!…
Polícia!
Para quem precisa
Polícia!
Para quem precisa
De polícia…”
Quem será Straniero? A pergunta que não quer calar. Façam suas apostas!
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