NOTADO ou NOTÁVEL – Coluna do Arno

A palavra “fama” se torna perigosa quando tenta associar talento artístico com idéia de competição e reconhecimento, muitas vezes gerando distorções: o valor fama se sobrepõe ao valor talento e, nos dias atuais é muito comum encontrarmos famosos sem nenhum talento e muitos talentosos sem nenhum reconhecimento. Programas de televisão lançam dezenas de famosos todos os anos, a maioria sem nenhum talento, tanto que no ano seguinte tem que fabricar mais um lote de famosos, pois os do ano anterior já foram esquecidos.

 Entre esses estão: os Big Broders de ambos os sexos, políticos corruptos e suas amantes que depois de tirarem o dinheiro dos mesmos, ainda posam para revistas masculinas. É que depois que inventaram o Photoshop, até galinha velha vira franguinha. Aliás, o computador é de fato uma arma poderosa, capaz de transformar muitas coisas, porém jamais poderá substituir o talento de um artista verdadeiro, por ser impossível vencer o talento que vem da alma com um talento que vem pelo fio da tomada.

Aqui vou citar um exemplo de fama repentina, muito comum em nosso país: “Estou me lixando para a opinião pública. Parte dela não acredita no que vocês (jornalistas) escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege” – disse Sérgio Moraes (PTB-RS). O deputado continuou esbravejando contra a mídia: “Podem me atirar no fogo que não tenho medo. Não é pouca vergonha eu estar aqui. Pouca vergonha são aqueles que nunca concorrem a nada, se intitularem patronos da ética e da moral; é um jornal que não recolhe impostos, é bater no trabalho infantil e usar crianças em novelas”, afirmou.

 Para o senso comum, ser celebridade não corresponde a ser célebre e sim, ser famoso. Não é ser notável, mas ser notado. É importante afirmar e insistir que o valor do artista provém de sua capacidade de expressão da arte, seja por meio de poesia, escultura, desenho, pintura ou música… A busca que as celebridades travam pela fama é puro narcisismo. Isso não combina com o papel da arte, porque o narcisista é um sujeito que se coloca como expectador de si mesmo, o que vai contra a doação e generosidade, partes da essência do artista.

O artista, justamente por ser generoso, permite que sua arte cumpra a função de elucidar as pessoas por meio de questionamentos, apesar de, muitas vezes trabalhos de pura arte serem julgados por pessoas que apenas lançam um olhar superficial sobre determinada obra, e dessa forma apenas julgam aquilo que os olhos captam.

 Têm programas de televisão que colocam de maneira sádica dentro do “mesmo balaio”, artistas, celebridades, e até mesmo políticos corruptos. Não tem graça, mas dá audiência. Esse procedimento acaba por rebaixar o artista como se fosse um ser desqualificado.

Ao tratar o artista de maneira desprezível, tentam reduzir a função da arte a algo de pouco valor. Se você quer ser artista esqueça a fama (passageira) antes que ela te esqueça. Cante, pinte, esculpa, desenhe, dance, escreva e componha e, se alguém gostar, compartilhe. Assim nos escreveu o filósofo Mauro Corrêa.

 

 

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