POR QUE PRESERVAR? – Coluna do Arno

O homem não é um ser abstrato, errante no espaço. Pertence a um lugar e estabelece relações entre as coisas, lugares e pessoas. Assim nós o fizemos com os que vieram antes de nós e, aqui na nossa região ergueram suas casas e igrejas, traçaram praças e cultivaram hortas, campos e jardins, fabricaram equipamentos e objetos necessários para sua vida cotidiana. Os índios e padres jesuítas fabricaram instrumentos musicais. Tocaram, cantaram, dançaram, esculpiram, desenharam e pintaram. Fizeram arte como poucos povos de sua época. O produto desse trabalho é a nossa história.

Para modificar a natureza, os homens criam objetos e instrumentos de trabalho segundo condições e necessidades próprias. Inúmeros traços materiais da passagem dos que nos antecederam devem ser salvaguardados, possibilitando a reconstituição de um mundo no qual podemos nos reconhecer.  

Patrimônio Histórico: caso de vida ou morte. O patrimônio Histórico, segundo o decreto nº. 25 de 30/11/1937, é: “o conjunto de bens móveis ou imóveis existente no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por se acharem vinculados a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.” E ainda os monumentos, sítios e paisagens que importe conservar e proteger.

Assim como em outros paises, no Brasil, especialmente a partir da “Carta de Veneza” (1964), houve uma mudança importante na concepção de Patrimônio Histórico. Passou-se então a reconhecer um grande valor tanto aos grandes conjuntos arquitetônicos, quanto às obras modestas que foram sendo adquiridos no decorrer do tempo, significação cultural e humana.

A preservação de prédios antigos torna-se válida quando a eles se atribui uma função útil à sociedade. Por que não aproveitar o que já existe, ao invés de construir? Além da economia de recursos, velhas edificações como fábricas, residências, escolas, moinhos e templos poderiam ter seus espaços valorizados por serviços comunitários e atividades culturais.

Por exemplo: Centros culturais e de lazer, abrigando salas para exposições, projeções de filmes, oficinas de arte, artesanatos e palestras; museus, arquivos e bibliotecas. Centros de Atendimento médico-social; escolas, creches e cursos profissionalizantes; Centros comunitários e Associações de moradores…

Povoados, vilas, bairros, conjuntos de prédios também podem ser preservados e, o turismo cultural bem elaborado, seria um forte instrumento de valorização das raízes locais.

Cabe a cada comunidade preservar e decidir sobre o reaproveitamento dos testemunhos de sua história, garantindo assim sua própria humanização e qualidade de vida.

Um povo pode crescer e evoluir, sem destruir. E a vida desta gente pode ser lida nas ruas de sua cidade, pois em cada pedra e em cada construção está a marca de sua história.

São Luiz Gonzaga, vem a tempo perdendo a sua característica de cidade antiga. Prédios centenários já foram demolidos e em seu lugar construídos “caixões envidraçados”. A questão de pesquisar e preservar a nossa história, é fato sem importância para os administradores da nossa cidade. Quando será que colocarão em prática as leis de tombamento? Sabemos que a São Luiz de hoje já foi construída em cima dos alicerces da velha missão jesuítica, inclusive fazendo uso das mesmas pedras, pedras estas que a maioria dos sãoluizenses olha sem importância nenhuma. Porém, todas estão impregnadas de história.

No tempo do ex-prefeito Aguinaldo foi feito um projeto de restauração do prédio do antigo colégio dos padres por uma arquiteta de São Gabriel. Foi interrompido por causa da documentação incompleta. Não se sabe por que não houve continuidade. Desconfia-se que seja pelo pouco interesse na questão da preservação e recuperação da nossa história.

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