Indepedência Maquiada – Coluna do Arno

É historicamente sabido que, se Napoleão Bonaparte não tivesse dado um “corridão” na família Real Portuguesa, nossa independência teria sido, no mínimo, retardada ou, quem sabe teria acontecido de uma forma diferente.

A história oficial nos leva a crer que tudo aconteceu de maneira heróica e romântica, como aquela que nos deram para ler nos tempos de colégio, ilustrada com o “Grito do Ipiranga”, famosa pintura de Pedro Américo, pintor brasileiro que estudou pintura na Europa, graças a uma bolsa de estudos doada por D. Pedro II.

Pedro Américo, apesar de ser republicano de carteirinha aceitou a incumbência de pintar o quadro da independência. O contrato com o Imperador foi em 1886, em que se propôs a entregar a obra num prazo máximo de três anos. Portanto, a pintura que retratava nossa “independência” foi encomendada 64 anos depois de sua declaração (1822). A encomenda foi feita pelo Imperador porque o ibope da monarquia andava em baixa, tanto que em 1889 aconteceu o golpe militar que proclamou a república.

Na cena, o pintor expressa uma brasilidade maquiada com elementos europeus. A soldadesca aparece com farda de gala, porém, o Brasil da época ainda não tinha Exército, só uma guarda para fazer a segurança da Família Real e seus servidores mais chegados. Prova disso é o fato de que quando havia ameaça de invasão de piratas ou esquadra inimiga, o povo fugia para os morros próximos à cidade. A segurança marítima era assegurada por algumas Naus da marinha Britânica que estavam a serviço da Corte Portuguesa. Aliás, alguns oficiais da guarda de D.Pedro eram mercenários ingleses.

Os cavalos que os imaginários participantes da comitiva de D.Pedro I montavam eram todos animais Purossangue Inglês, coisa que também não existia no Brasil da época e, mesmo que existisse não seriam os animais adequados para uma viagem nas serranias de mata atlântica na região de Santos SP. Ali, naquele terreno, as viagens só eram possíveis em lombo de mula.

Quem visitar alguns museus e palácios na Europa, com certeza encontrará muitas telas pintadas principalmente, dos tempos de Napoleão que, se comparadas à tela de Pedro Américo, verá seus elementos muito idênticos.

Apenas dois personagens brasileiros constam na tela. Um é o cavalo montado pelo imperador, animal mestiço, originário de cruzas de animais já realizadas no Rio Grande do Sul. A idéia era, certamente, reforçar a brasilidade do Imperador. O outro elemento é o que representa o povo brasileiro, é o “caboclo” que aparece      à direita na tela, de pés descalços, calça remangada e sem camisa.

Após 188 anos da nossa “independência”, o “sem camisa” e “pé no chão” continua sendo um símbolo forte no Brasil. Será que com a história do “Pré-sal” isso vai mudar? Queira Deus que sim.

Quanto a nossa devoção patriótica deveríamos exigir determinada reciprocidade. Eu, como cidadão brasileiro devo respeitar e amar a minha pátria mãe. Será que, em troca a pátria mãe está cuidando bem de seus filhos? Ah!… e não podemos esquecer que o Lula não estava presente no dia da Independência.

Arno Schleder

"Um, dois, feijão com arroiz"... e petróleo.

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