Os Tuaregues – Coluna do Arno

por Arno Schleder

Em Pleno deserto do Saara, ao vasto território que fica entre o lago Chade (em Chade) e as cidades de Gadames (na Líbia) e Timbuktu (no Mali), vivem os estranhos Tuaregues. Não é por causa do manto velado que eles permaneceram quase desconhecidos até 100 anos atrás, e sim porque eram temidos; antigamente saqueavam as caravanas do deserto e desapareciam misteriosamente. Nos fins dos séculos XV, os Tuaregues eram autênticos bandidos da areia: dominavam oásis, e consequentemente as rotas das caravanas. Para que a caravana passasse livre de assaltos, cobravam tributos sobre o total das mercadorias transportadas. Faziam também um pouco de comércio: uma das rotas mais procuradas era a do oásis de Tagaza, onde havia grande quantidade de sal, precioso na época. Bolsas cheias de ouro em pó eram trocadas por uma simples pedra de sal em Timbuktu, onde uma pulseira valia quatro escravos. Nessa época, dos descobrimentos marítimos, eram tão desfavoráveis as condições de travessia do Saara, dominado pelo Islam e pelos Tuaregues, que as expedições tinham que contornar todo o continente. Essa foi uma das razões do “périplo africano”, graças ao qual se descobriu o caminho das índias. Com a mudança nas condições políticas do Norte da África, a vida dos Tuaregues alterou-se sensivelmente.

Os Tuaregues relacionam-se etnicamente com os Berberes da cadeia montanhosa do Atlas. Constituem a população com maior estatura da África do Norte. A família Tuaregue é uma das mais unidas do mundo muçulmano. Não são polígamos. Embora convertidos ao islamismo desde o século VII, mantêm seus hábitos monogâmicos.

Antes este povo nômade e guerreiro era inimigo tradicional dos árabes e dos grupos negros da região, dos quais apresavam escravos. Hoje embora contra sua vontade possuem cidadania de muitos paises diferentes, Nigéria, Mali, Argélia, Chade, Líbia e outros. Com o estabelecimento de fronteiras políticas, a vida nômade tornou-se mais difícil. Por isso os Tuaregues mudam sua organização social. Na medida do possível, conservam os costumes cuja origem se perdeu no tempo. O camelo continua sendo um companheiro inseparável. Possui duas raças principais de camelos, o de pêlo escuro bom para dar leite, e o “mehari”, de pêlo claro, bom para correr na areia. Os guerreiros de hoje usam armas modernas, porém não se desfazem jamais de suas espadas de lâminas longas confeccionadas com bom aço forjado por excelentes artesões do deserto. Os Tuaregues modernos só assaltam inimigos declarados, mas por via das dúvidas andam sempre bem armados. Seu código de honra lembra o dos cavaleiros medievais: palavra dada é dívida de sangue, portanto, honrada sempre.

Na forma de vestir, se diferem dos árabes. No mundo árabe quem cobre o rosto são as mulheres. No mundo dos tuaregues são os homens que escondem o rosto. Aliás, o homem Tuaregue é considerado o homem mais vestido do mundo. Só os pés e as mãos são descobertos e uma abertura para os olhos, todo o corpo é cuidadosamante coberto com longas túnicas. O véu protetor não é tirado nem para dormir.

Tuaregs, os guerreiros do deserto

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Timbuktu - Cidade mais importante do povo Tuareg

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