Quem ganha com a guerra? – Coluna do Arno

Arno Schleder

Quando foi povoado, o Rio Grande português ainda não era governo nem mesmo capitania (1807). Quando Portugal se apossou do território depois da sangrenta Guerra Guaranítica, da qual o território missioneiro foi o principal palco dos acontecimentos, Portugueses e Paulistas, ou já estavam no Brasil, ou vinham diretamente das ilhas Lusas do Atlântico. O que quero dizer é que o Rio Grande teve a contribuição em sua formação de várias etnias, que acabaram se mesclando com aquelas já existentes aqui (guaranis, espanhóis e outros), depois do desmonte das Reduções Jesuíticas. O gado deixado pelos jesuítas e guaranis foi o grande pivô de acontecimentos históricos que contribuíram de forma contundente para a vida daqueles que viviam aqui no garrão do continente. O charque passou a ser o principal fator econômico dos rio-grandenses. Porém, a política do Brasil “independente”, que ainda era fortemente conduzida por cabeças de pensamento português, impunha altos impostos ao charque produzido aqui, enquanto facilitava a entrada de charque uruguaio e argentino. Eis o estopim para a Revolução Farroupilha – Guerra dos Farrapos.

A Revolução Farroupilha durou alguns meses, pois foi um movimento interno no Rio Grande do Sul, que serviu para que partidários deste ou daquele lado chegassem a um acordo comum, se pegariam ou não em armas contra o império. a partir do momento que os Rio-grandenses decidiram que queriam viver num sistema republicano de governo houve sim, uma forte ruptura com o império. Os gaúchos então se organizaram militarmente, criando uma força armada, uma constituição republicana. Aí nasceu também uma bandeira para representar o mais profundo sentimento pátrio. A partir desses acontecimentos, o conflito se tornou uma guerra, isto é, país contra país. Mas os imperialistas nunca aceitaram este termo, pois continuavam a tratar os gaúchos como simples vassalos rebeldes. Porém, para grande parte dos rio-grandenses, o território gaúcho passou a ser uma república com governo, força armada, bandeira, hino e constituição. Aí eu cito o grande General Neto, pois foi de sua garganta que soou pela pampa o Grito de Independência da Nação Farroupilha, ou República Rio-Grandense.

A guerra durou nove anos e alguns meses. Nela tombaram 10 mil vidas humanas num Rio Grande ainda despovoado. Isto foi considerado uma grande perda. 80 mil cavalos pereceram no decorrer de toda a campanha. A província contabilizou seu maior desastre econômico de toda a história. Mas foi graças a esses acontecimentos que nasceu esse povo que hoje chamamos de gaúcho. Homens e mulheres que durante a guerra deram provas do seu valor, e que em muitos momentos foram mais brasileiros do que muitos imperiais.

A Guerra dos Farrapos foi mais uma Guerra de estratégias, fugas e perseguições. Guerrilheiros Farrapos e Republicanos viviam como gato e rato, um sempre tentando pegar o outro desprevenido, e isso às vezes acontecia. Um fato, porém, chamou muito a atenção dos Republicanos, foi quando os Gaúchos planejaram a invasão de Santa Catarina. Davi Canabarro, Guerrilheiro experiente chefiaria as tropas de terra. Giusepe Garibaldi, comandante da Marinha Farrapa, daria cobertura por mar atacando os portos da província. Estava já todo certo e decidido, porém era necessário resolver um problema. Os dois lanchões que deveriam consituir a frota revolucionária estavam imobilizados na foz do Rio Capivari. Se tentasse cruzar a Lagoa dos Patos para alcançar a barra do Rio Grande, seria interceptado pela frota Imperial que promovia um forte bloqueio na região.

Mas como Garibaldi queria a todo custo tomar a província vizinha, resolveu tirá-los de onde estavam a despeito de todos os obstáculos. Se não podiam sair navegando iriam sair por terra. Mestre Joaquim de Abreu carpinteiro de ofício e revolucionário por convicção, forneceu a solução salvadora; construiu dois gigantescos carretões em cima de um magnífico rodado reforçado. Após  suportar o peso dos lanchões (12 e 18 toneladas) com seis dias de muito trabalho, os barcos estavam sobre as carretas, sendo em cada uma delas atreladas 50 juntas de bois e assim elas foram arrastadas até a lagoa do Tramandaí onde os barcos foram postos na água. A tomada de Santa Catarina não deu o resultado esperado, porém, a façanha dos lanchões ficou como um grande feito da engenharia bélica farroupilha.

São Luiz Gonzaga teve uma participação, no meu entender, lamentável em um episódio que marcou profundamente o espírito da revolução. Assim nos cona a História: o General João Manoel de Lima e Silva, um dos Revolucionários mais brilhantes do movimento foi aprisionado em São Luiz Gonzaga na saída de um baile. A prisão foi realizada sob o comando do Capitão Roque Faustino, de origem guarani, que mais tarde o matou no Passo Geral do Piratini, um afluente do Rio Uruguai. João Manoel de Lima e Silva era tio do então grande comandante das tropas imperiais no Rio Grande do Sul, Luis de Lima e Silva, mais tarde Duque de Caxias.

João Manoel de Lima e silva era considerado o “cérebro da revolução”, o homem encarregado de toda a contabilidade das forças farroupilhas. Os próprios comandantes Imperiais lamentaram essa perda.

A maçonaria teve grande influência do começo ao fim da guerra.

A maçonaria teve grande influência do começo ao fim da guerra.

O grande feito da engenharia de guerra farrapa.

O grande feito da engenharia de guerra farrapa.

Giuseppe Garibaldi e Bento Gonçalves, duas figuras importantes da Revolução.

Giuseppe Garibaldi e Bento Gonçalves, duas figuras importantes da Revolução.

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