Arno Schleder
A qualidade emotiva de cada cor já era conhecida e utilizada desde os tempos mais remotos. Especialmente nas representações sacras, em relação às quais existiam regras próprias e inconfundíveis. Os antigos romanos, por exemplo, coloriam algumas de suas divindades com vermelho e outras com azul ou verde. Também na Renascença, foram seguidas as normas clássicas dos mais antigos, pintando-se os personagens sagrados e as divindades mitológicas com uma coloração simbólica.
Pela leitura de tratados antigos, descobrimos que o vermelho significa fogo, calor, força e poder real; o amarelo, luz, desejo e prazer; o verde, esperança, doçura, serenidade e fervor religioso; o rosa, a ternura, a primavera, a pureza e a bondade; o cinzento era sentido como a cor da tranquilidade, da economia e da bondade. Como frisou Leonardo Da Vinci, “A pintura é cosa mentale” ou, melhor dizendo, o intelecto depende da psique. Ou vice-versa.
O azul significa principalmente, a solenidade, o misticismo religioso e o amor espiritual; o violeta claro denotava ternura, melancolia e sonhos deliciosos; o violeta-avermelhado era a cor da guerra, da calamidade e das paixões humanas; enquanto o violeta-azulado, significa desdém pela morte, paixões perturbadoras e as mais funestas ocorrências.
Considerando o valor emotivo das cores, podemos dividi-las em três grupos: cores quentes, cores frias e cores neutras. Às primeiras, pertencem o vermelhão, o vermelho-carmim, o amarelo-alaranjado, o amarelo-ouro e o verde-amarelado; os azuis, os violetas-azulados e o verde são cores frias; e as cinzentas são cores neutras.
O valor psicológico das cores tem destaque principalmente na pintura da atmosfera, onde prevalece determinada cor.
Se, por exemplo, numa paisagem, numa natureza-morta ou numa figura, prevalecem os cinzentos e os azuis, o observador atento terá uma sensação doce e repousante; ao contrário, prevalecendo as cores quentes, a emoção será mais ou menos viva, eufórica e prazerosa.
Em qualquer tipo de pintura, sempre se deverá levar em conta as propriedades peculiares de cada cor. Alguns tons por sua intensidade luminosa – como os brancos, os amarelos e os vermelhos nos dão a sensação de proximidade; os verdes, os azuis e os violáceos nos dão a ilusão de afastamento.
Em l987, em meu atelier em Porto Alegre, produzi muitas telas, na maioria carregadas de azul. Chamei essa fase de minha carreira de “fase azul”. Uma destas telas se destacou, pois nela usei apenas a cor azul, o branco e um pouco de preto. Quando a pintura ficou pronta, não tinha ainda um nome para ela. Como já era madrugada e a cidade dormia, tomei certa distância do cavalete e disse “O SILÊNCIO É AZUL”.
O psiquismo é fator preponderante na arte, notadamente na pintura; entretanto na idealização de um quadro, o pintor não deverá sentir-se ligado a qualquer regra convencional. Instintivamente é isento de toda e qualquer preocupação, quanto às cores serem utilizadas, o artista seguirá usando o seu próprio impulso criativo. Essa é a chave da realização de obras-primas na arte.
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Adorei a sua coluna, meus Parabéns!
A descoberta das cores sem duvida foi uma grande descoberta!hahaah
adoro pintar com cores vivas e fortes, isso demostra um pouco da personalidade de cada um. Não sei se é assim, mas cheguei a essa conclusao depois de algumas observaçoes.
Sou uma grande fa do seu trabalho. Parabéns!
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