Ricardo Bernardo
A Índia, um país de dimensões continentais, sofreu várias dominações estrangeiras a partir do século XVI, com portugueses, holandeses, franceses e ingleses. Porém, foi através da influência britânica que ela adquiriu uma unidade nacional, pela imposição de um idioma comum e métodos educativos ocidentais, idênticos àqueles existentes na Grã-Bretanha. No decorrer dos anos, as classes indianas atingidas pelo processo educacional começaram a contestar o domínio inglês, fazendo surgir um amplo sentimento nacionalista.
Nesse contexto destacou-se a figura de Mohandas Gandhi, mais conhecido por “Mahatma”, a “Grande Alma”. Advogado com formação britânica, Gandhi presenciou o regime de segregação racial do “Apartheid”, na África do Sul, onde morou por certo tempo. Para tentar deter as opressões, convocou um grupo de hindus a lutar pacificamente contra essas arbitrariedades. Ao retornar à sua terra natal, foi influenciado por amigos e líderes locais a fazer o mesmo contra o domínio britânico.
Após viajar pelo país, Gandhi conheceu o alto grau de pobreza da população, assolada pela miséria e fome, resultante da exploração européia ao longo dos séculos. Assim, passou a defender a necessidade de independência, através de uma resistência pacífica. Sua figura era tão forte e respeitada, fato pela qual se tornou símbolo da união de povos distintos que habitavam o mesmo território e tinham o mesmo objetivo em comum.
Dentro do movimento, incentivou também as campanhas de desobediência civil, propondo o boicote dos produtos ingleses. Elas refletiram-se na questão do vestuário, pois todos deveriam confeccionar suas próprias roupas, ao invés de comprá-las e também à produção de sal, onde cada um utilizaria o oceano Índico para produzi-lo. Tais atitudes desagradaram os colonizadores, que possuíam o monopólio comercial na Índia, mas tornaram Gandhi cada vez mais conhecido por sua capacidade de mobilizar as massas.
Outro fator importante foi a Segunda Guerra Mundial. Após o conflito, a Inglaterra ficou enfraquecida economicamente, tornando inviável a manutenção de seu vasto império colonial, aliado ao crescimento dos movimentos nacionalistas pedindo a libertação indiana. A guerra foi o ponto chave, pois caso contrário, os ingleses somente consentiriam com a independência quando a colônia não representasse mais lucros aos seus cofres.
A diversidade cultural e religiosa da Índia era representada por hindus e muçulmanos. Enquanto lutaram pela libertação, ambos conseguiram manter-se unidos sob a liderança de Gandhi, que acreditou na convivência harmoniosa entre os dois grupos. Mas depois ocorreram cisões e a sua crença não se efetivou.
Os muçulmanos criaram o Paquistão Ocidental, atual Paquistão; e o Paquistão Oriental, hoje conhecido como Bangladesh. Entre eles ficou um enclave hindu, a Índia, que abrigou a maioria da população, originando as hostilidades entre os dois países, principalmente em relação às questões territoriais. Como a independência ocorreu no início da Guerra Fria, o Paquistão alinhou-se aos Estados Unidos, enquanto a Índia voltou-se para o lado soviético, aumentando ainda mais a tensão na região.
Atualmente, o principal motivo da rivalidade entre as duas nações está ligado à Caxemira, uma província do norte da Índia, com maioria muçulmana, reivindicada pelo Paquistão. Essas disputas podem resultar em uma guerra nuclear, pois ambos possuem tecnologia para a fabricação de bombas atômicas e outros artefatos bélicos.
Portanto, o grande legado da independência da Índia está na figura de Gandhi, assassinado por um extremista hindu, descontente com sua maneira tolerante de tratar os muçulmanos. Além disso, o movimento caracterizou-se como uma das poucas revoluções da história que não utilizou a violência para obter sucesso.
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Felipe, parabéns pelo conteúdo elucidativo que apresentou.
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Não vejo porque os comentários do Felipe tenham “implodido” a análise do Ricardo.
Felipe e Ricardo fazem uma leitura diversa sobre os mesmos fatos históricos. São “observadores” situados em pontos diferentes.
E nem todos os comentário de Felipe necessariamente confrontam o que foi colado pelo Ricardo, mas complementam.
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Escolas diferentes vão gerar posições diferentes e dificilmente vão encontrar um ponto em comum.
Posso até aprender, mas os ensinamentos oriundos das classes conservadoras eu dispenso!
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Levy acho que não. Não conheço o Ricardo, parece que ele é jovem. Ele aprende,…
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O Felipe Implodiu o colunista…..rsrsrsrsrs
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Não ti meti.
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Felipe.
Muito obrigado pelos comentários, de suma importância para o enriquecimento do debate, com informações interessantes, que contribuem para o crescimento deste espaço.
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Apenas pode ser denominada de dominação da Índia o Raj britânico, a partir de 1858. Antes a ìndia era formada por estados “principescos” independentes ( marajás, rajás, etc…). Os europeus ( portugueses, holandeses, dinamarqueses, franceses, ingleses), estabeleceram unidades exclusivamente marítimas e comerciais, sob a forma de governos ultramares ou Companhias.
Estabeleceram entrepostos comerciais para explorar o comércio, aliando-se a “príncipes”, sem ter ingerência em seus governos. Ou então disputaram territórios já ocupado pelos muçulmanos (Batalha Naval de Diu, por exemplo), que disputavam o comércio das Índias e o controle do Índico. Os europeus por diversas vezes chegaram a entrar em conflito, não pela dominação da região, mas pela hegemonia das trocas comerciais. Disputavam mercados e não reinos!
Diferente da dominação holandesa no Brasil, por exemplo.
Inclusive há vários relatos de casamentos mistos entre portugueses e indianas, incentivados pelo Governador-geral para fortalecer os laços entre portugueses e nativos e criar uma comunidade euro-asiática.
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7) “ambos possuem tecnologia para a fabricação de bombas atômicas ”
Não só possuem tecnologia, como já realizaram testes subterrâneos. Em maio de 1998 a Índia fez 5 explosões nucleares, e o paquistão 6!
A Índia começou com os testes no Deserto de Rajastã, muito perto da fronteira com o Paquistão.
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6) Por último é preciso diferenciar nacionalismo de nacionidade! Não houve nacionalismo na Índia, houve NACIONIDADE, ou NACIONISMO!
Este conceito foi introduzido pelo professor de Antropologia de Princeton, John Borneman. Pode ser encontrado também no livro de Lord Acton: Um mapa da questão nacional!.
O conceito de nacionidade é perfeitamente encaixado no exemplo indiano. Principalmente por causa da diversidade!
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5) “Os muçulmanos criaram o Paquistão Ocidental, atual Paquistão; e o Paquistão Oriental, hoje conhecido como Bangladesh”
O Paquistão foi criado pelos britânicos às 00:00 hs do dia 15 de agosto de 1947, pelo Indian Independence Act.
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4) “ambos conseguiram manter-se unidos sob a liderança de Gandhi”
Apesar de Gandhi ter sido a grande figura, a liderança do movimento pertencia a Nehru.
Nehru tinha Gandhi como um orientador!
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3)”Após o conflito, a Inglaterra ficou enfraquecida economicamente, tornando inviável a manutenção de seu vasto império colonial, aliado ao crescimento dos movimentos nacionalistas pedindo a libertação indiana”
Antes da Segunda Guerra, o Parlamento Britânico aprovou o Government of Índia Act, em 1935. Esta lei previa o estabelecimento de corpos legislativos autônomos nas províncias da Índia britânica, a criação de um governo central representativo das províncias e estados principescos e a proteção das minorias muçulmanas. Além disso, a lei previa uma legislatura nacional bicameral e um braço executivo sob o controle do governo britânico.
Contudo,o plano para a federação demonstrou ser inviável pelo antagonismo entre os príncipes indianos e os radicais do Congresso Nacional Indiano, assim como as demandas muçulmanas de que os hindus teriam uma influência excessiva na legislação nacional. Por causa disso, a Índia não aderiu como uma federação membro da Commonwealth antes da Segunda Guerra
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2) “através da influência britânica que ela adquiriu uma unidade nacional, pela imposição de um idioma comum ”
Negativo! A tentativa de imposição do inglês na Índia foi um dos maiores fracassos do imperialismo britânico. Esse idioma foi introduzido na Índia para que fosse utilizado por uma elite indiana que expressasse o pensamento do colonizador. A intenção também foi a de que fizesse uma intermediação entre as várias línguas e dialetos. Contudo, atualmente, a Índia apresenta um baixo índice da população que utiliza o inglês e continua apontando para uma tendência a um pluralismo lingüístico. A Índia é pontuada por contradições em diversos níveis, por uma grande diversidade e por uma extrema fluidez lingüística entre seus dialetos e línguas. Neste ambiente de contradições e diversidades, o inglês é a língua dos dominantes e da elite, da negligência para com os vernáculos e do desrespeito em relação aos falares locais. O inglês funcionou como a língua do cisma quando da descolonização e mostrou-se e mostra-se dominador, alienante e DESAGREGADOR.
Fonte: A geopolítica do inglês. YVES LACOSTE.
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Alguns comentários:
1) “A diversidade cultural e religiosa da Índia era representada por hindus e muçulmanos.”
Negativo. A diversidade cultural e religiosa é muito além de hindus e muçulmanos.
Existe o JANAISMO, que é mais antigo que o hinduísmo!
O BUDISMO. A Índia é a terra natal de Sidarta Gautama, e local de origem desta importante religião! A maioria está situada no atual Sri Lanka.
O SIKHISMO, a quinta maior religião do mundo originária do Punjab, região entre Índia e Paquistão.
Mesmo entre hindus e muçulmanos há alguns poréns!
Os muçulmanos são diferenciados entre sunitas e xiitas; e os hindus principalmente entre bramanismo e vedismo!
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