Arno Schleder
No século VI a.C. já se sabia que os raios de luz solar, penetrando num quarto escuro através de um orifício, projetavam nas paredes imagens do exterior. Esse método primitivo de produzir imagens recebeu o nome de câmera escura e foi usado pela primeira vez, com utilidade prática, pelos árabes, no século XI, para observação dos eclipses. Na câmera escura dos antigos encontravam-se os princípios elementares da câmera fotográfica.
Depois dos árabes, o sistema da câmara escura permaneceu esquecido durante algum tempo. Mas a idéia da formação de imagens por esse processo renasceu no século XVI, quando Leonardo da Vinci descreveu o fenômeno, com inovações: “ a imagem de um objeto iluminado pelo sol penetra num compartimento escuro através de um orifício. Se colocarmos um papel branco do lado de dentro do orifício, veremos sobre o papel a imagem com suas próprias cores, porém invertida, devido à interseção dos raios.” Da Vinci descobrira o princípio óptico do aparelho fotográfico, três séculos antes da primeira fotografia.
A câmara escura de Da Vinci passou a ser utilizada por pintores e projetistas da época, como um importante método auxiliar. Uma folha de papel ficava presa à parede onde a imagem era projetada e o artista a “fixava”, desenhando seus contornos. Ainda no século XVI, apareceram os primeiros modelos portáteis de câmara escura, criados pelo italiano Geronimo Cardano. Eram caixas fechadas, sendo um dos lados constituído de uma placa de vidro fosco e no lado oposto havia um pequeno orifício por onde penetrava a luz do objeto iluminado pelo sol, a qual era projetada no vidro. Ficava tanto mais nítida quanto mais iluminado era o objeto. Pouco depois, outro italiano fez algumas experiências com a caixa criada por Cardano: encaixou uma lente no orifício tornando as imagens ainda mais nítidas. É esse o princípio das modernas câmaras fotográficas só que, em vez de ser fixada em seus contornos pela mão de desenhistas, a imagem é registrada mecanicamente.
Em 1727, o químico Johann Schulze descobriu e produziu certa quantidade de nitrato de prata, misturando cal, prata e ácido nítrico em um recipiente e o cobriu com um papel desenhado. As partes brancas do papel deixaram passar luz e as zonas correspondentes ao líquido ficaram vermelhas; as partes onde havia traços desenhados impediam que raios de luz atingissem o líquido. O desenho ficou reproduzido em negativo. Outra experiência foi feita por Thomas Wedgewood que colocou uma folha de árvore sobre um papel impregnado de nitrato de prata e o expôs à luz durante certo tempo. Obteve sucesso: as partes do papel expostas à luz transformaram-se em zonas escurecidas, e as partes protegidas ficaram mais claras. Foi bem sucedido, porém fracassou num ponto: não conseguiu fixar por muito tempo a imagem impressa no papel. Expostas novamente, as partes claras rapidamente escureciam e os contornos desapareciam.
A fotografia com relativa durabilidade, só seria conseguida anos depois, já no século XIX pelo francês Joseph Nicéphore Niepce.
Aproveito este espaço para homenagear ao grande amigo e fotógrafo sãoluizense, Alexandre Reisdorfer o qual venceu, recentemente em Curitiba o 6º Concurso Prêmio New Holland de Fotojornalismo, obtendo o 1º lugar na Categoria Brasil Tecnologia. Parabéns Alexandre!

Alexandre Reisdorfer, o fotógrafo premiado, entre seus amigos artistas: Arno Schleder e Vinícius Ribeiro
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Obrigado Arno, um grande abraço.
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