Dionísio era um bebedor inveterado. Porém,enfrentava um problema sério: não havia na Grécia onde morava, uma bebida que pudesse satisfazê-lo plenamente. As substâncias alcoólicas tinham péssimo sabor.
Mas Dionísio, também chamado Baco (em Roma), era inteligente e, além de inteligente, era um deus. Então introduziu a uva em sua terra e ensinou os gregos a cultivar a videira e fabricar o vinho. Eles não só aprenderam como, depois ainda, deram lições aos romanos. E Dionísio, elevado a deus do vinho, pode tomar em abundância sua bebida predileta enquanto assistia às festas periódicas, (as bacanais) que os povos da antiguidade passaram a dedicar-lhe.
A despeito dessa explicação mitológica, o cultivo da uva não se originou na Grécia. Antes dos gregos, babilônicos e egípcios a conhecerem. Em suas ruínas foram encontrados sementes de uvas; e em seus templos e monumentos figuravam reproduções de folhas e cachos de videira. Aliás, se atentarmos para as vestimentas de Eva veremos quão cedo o homem percebeu a existência da “VITIS VINIFERA” e dela passou a se utilizar. Tampouco se pode afirmar que a videira seja de origem européia, pois Colombo já a encontrou na América, e existem também espécies asiáticas e africanas.
A vitis vinifera é apenas a mais difundida entre as 27 espécies do gênero Vitis.
A importância do vinho como bebida alcoólica diminuiu durante a decadência do Império Romano (século III e IV), perante a forte concorrência da cerveja, de origem Germânica. Contudo, com a adoção do vinho na liturgia Cristã (o vinho de missa) serviu para manter sua fabricação durante a idade média. A viticultura européia recebeu novo impulso no fim do século XV, quando Colombo levou à Europa algumas mudas das espécies americanas, que rapidamente se espalharam pelo velho continente.
De súbito, no século XIX, a florescente indústria do vinho quase desapareceu. Em toda a Europa, regiões inteiras de cultivo da uva estavam sendo atacadas pelas pragas. Diversas enfermidades afligiram as videiras; algumas provocadas por insetos e ácaros (parasitas), mas a maioria originada de certos fungos.
A mais nociva das pragas foi a “Filoxera”. Trata-se de um pequenino inseto (cerca de um mm) da ordem dos “Homópteros” (Phylloxera vitifolieae), parente dos pugões e dos piolhos. Vivia nos parreirais da América do Norte aos quais não causava grandes danos. No entanto, ao introduzir-se na Europa através de plantas infectadas, a filoxera mostrou-se um destruidor implacável das espécies locais.
Uma solução que se mostrou eficiente para combatê-la foi a de enxertar videiras Européias (cuja raízes não resistiam à filoxera), em videiras da América do Norte (cujas raizes eram pouco afetadas, mas a uva era de baixa qualidade). Assim, uniu-se a qualidade das videiras Européias à resistência das Americanas, processo empregado até hoje, embora já se tenham desenvolvido outros métodos de combate às pragas.
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