O surgimento dos “enochatos” – Coluna do Arno

Arno Schleder

———Como já escrevi em outras ocasiões, a história do vinho é remota e magnífica, passando pelos Egípcios, Fenícios e Gregos chegando aos nossos dias. Em todas essas épocas havia os que faziam vinho, tomavam e entendiam de vinho e assim faziam sua classificação conforme a região, e o mais importante: o paladar de cada um.

———-Porém, nos últimos cem anos surgiram milhares de diferentes marcas e sabores, todos em busca de melhor colocação no ranquing do mercado mundial que a cada dia que passa engrossa suas fileiras de apreciadores, cada um com seus gostos e palpites para este ou aquele varietal.

———-Hoje já encontramos nomes para vários profissionais que labutam no fantástico mundo dos vinhos, são eles: o enólogo, que estuda e entende do assunto, o enófilo, bebedor que aprecia o vinho com conhecimento de causa, e o sommelier, profissional que sugere rótulos, em restaurantes. Mais recentemente, o aumento do interesse geral pelos vinhos e a quase obrigatoriedade de fazer algum comentário sobre o assunto em ocasiões sociais propiciaram o surgimento de uma nova categoria: o ENOCHATO, chamado em alguns círculos de ENOBOBO. Não é difícil identificá-lo; trata-se do sujeito que faz um cursinho básico sobre vinhos, leu a respeito em revistas, e assim, com toda essa munição, aproveita toda e qualquer chance para pousar de “expert” de taça na mão. Arrisca-se a imitar os especialistas em identificar aromas exóticos. Nada afasta mais o brasileiro do vinho do que essa bobagem de comparar aromas. A pessoa pode perfeitamente apreciar o bouquet de um vinho sem ficar tentando descobrir se lembra isso ou aquilo.

———-O vinho serve para dar alegria. Não pode “virar um fardo,” concorda Manoel Beato, o mais respeitado sommelier do Brasil, que prova em média quarenta vinhos por dia no restaurante do grupo Fasano, Rio de Janeiro.

———–Aqui vão algumas dicas simples para se beber vinho. Não gostar do vinho não significa que o vinho esteja estragado. Significa que a pessoa fez a escolha errada. Cheirar a rolha e depois o vinho e girar o copo pela haste para liberar os aromas são rituais consagrados para a boa apreciação da bebida – desde que a pessoa saiba o que está fazendo.

———–Eu, não bebo uma gota sequer de bebida alcoólica, sou apenas um pesquisador muito curioso, e como tal tenho algumas opiniões a respeito da nobre bebida: Vinho bom você pode tomar até na concha da mão, porém, do vinho ruim nem a taça mais apropriada vai mudar a qualidade… É como os especialistas avisam: beber vinho deve ser um prazer, não um exercício de comparações. Preparar um bom vinho, de uvas qualificadas também nos dá prazer. É o que experimentei nesta safra 2011 fazendo o exercício da elaboração passo a passo com uvas bordô. E desta safra pretendo trazer uma novidade, fazer um vinho fortificado, vinho especial que pode ser bebido antes ou depois das refeições.

Uvas na fila de espera para serem processadas

Gestação do vinho


Moenda para uvas – modernidade

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