Estive meditando sobre Jesus Cristo e sua santidade por estes dias de Páscoa. Mesmo tendo ao longo dos anos me tornado um pouco, ou muito, descrente em termos de obras místicas e/ou religiosas, de vez em quando vou estudar a Bíblia pra ver se encontro algo interessante.
Me intriga sobremaneira a santidade atribuída a Jesus Cristo, como historiador vejo nele uma das figuras mais interessantes na história universal, mesmo que nada tivesse acontecido após sua morte (me refiro ao cristianismo) sua passagem seria interessante e intrigante.
No mínimo um revolucionário, alguém que contestou a ordem vigente sem o uso da violência, e principalmente sem querer vantagens econômicas para tal (diferente do que se vê hoje).
Nisso penso nele como humano, não como santo. Até aí tudo normal. Mas ao vermos Jesus como santo surge uma dúvida, ao menos para mim. Teria ele pecado?
Vou me ater ao pecado da ira, tido como um pecado capital. Quero crer que Cristo pecou ao expulsar os vendilhões do templo e ao secar uma figueira porque não tinha frutos para alimentá-lo.
Lê-se em Mateus capítulo 21, versículos 12 e 19: “E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; [...] E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela, e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente”.
Expulsar, derrubar mesas e cadeiras, secar uma árvore. Como fazer isso sem estar irado?
Penso que isso nos mostra um Jesus muito diferente do que estávamos acostumados a ver. Como harmonizar o anterior com um Jesus bondoso e santo?
Encerro crendo que Jesus nunca foi santo, como já afirmei anteriormente. Os que vão me apedrejar lembrem: “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra… João 8:7
Abaixo trecho do filme Jesus de Nazaré
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Está escrito na Bíblia, “Irai-vos e não pequeis, não se ponha o sol sobre vossa ira(efesios 4 e 26).” Ou se preferir “O tolo libera toda sua ira, mas o sábio por fim a reprime.” a ira é uma forma criada por Deus para que vc não somatize maus sentimentos em doenças que vão lhe prejudicar. No templo, Jesus irou-se, e expulsou todos os vendedores .Porqe o templo e um lugar sagrado .Jesus não pecou, se vc chegar agora na sua casa e ver um grupo de pessoas em sua casa sambando, vendendo,e bebendo pode ter certeza que expulsa-los de lá não é pecado ou vc ficaria irrado e deixaria eles todos dentro de sua casa? Acho que nao! ao meu ver todos nos em casa exigimos respeito e ordem.
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Prezado Charles
Admiro teu vasto conhecimento teológico. Sem dúvida, conheces mais da doutrina cristã do que maioria dos confessos cristãos.
Me desculpe, estive afastado uns dias e também, pq neste momento não disponho em mãos bibliografia para te argumentar.
Cristão/ não cristãos – existe sim o conceito universal de pecado, no qual se enquadra também o conceito cristão. Para além de Santo Agostinho, de Tomás de Aquino, o termo ocupa o pensamento de Kant, muito estudado na Teodicéia; Leibniz; Kierkegaard e ouitros quando tentam dar uma resposta para as doutrinas sobre o mal ou as consequências.
Diria que na perspectiva da existência humana se confunde com os conceitos de culpa, delito, erro, crime e outros, que designam a transgressão de uma norma moral ou jurídica.
Pode ser entendido como um simplismo atribuí-lo somente ao judeu-cristianismo.
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Prezado Julci:
Para um cristão, a resposta para a tua pergunta – o que é o pecado – não se encontra na metafísica (ou seja, na Filosofia), mas na revelação divina (Bíblia).
Para o judaísmo – donde surgiu o cristianismo – o termo”pecado” expressa a violação da Lei Judaica. Não se trata de uma conduta em desfavor da moral, mas contra a lei objetiva (mosaica).
Já para Santo Agostinho (uma “leitura” cristã, portanto), o pecado é uma palavra, um ato ou um desejo contrário à Lei eterna, ou seja, uma violação aos mandamentos divinos.
A teologia cristã “interpreta” que o pecado é uma espécie de “desvio de finalidade”. O homem (a criatura) foi criado para a glória de Deus (o Criador), porém “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Romanos 3:23. “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho (…)”. Isaías 53:6.
O resultado do pecado é morte (da carne), segundo a linha cristã. “O salário do pecado é a morte” (Rom. 6:23).
Porém, quem crê em Cristo se livra do pecado e ganha a vida eterna (após a morte, via ressurreição, dependendo do julgamento no “Juízo Final”), porque “(…) o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. João 1:29. “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” Atos 16:31. “Pois Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (João 3:16)
A essência do pecado, então, está relacionada à condenação eterna, via morte. Vencer o pecado é vencer a morte (da carne).
Note-se que para o judaísmo somente o povo eleito, o judeu, aquele que pertence a uma linhagem específica, que celebrou um pacto eterno com Deus/Jeová (o patriarca Abraão) é salvo.
Para o cristão, somente será salvo aquele que crê em Cristo (o Messias), na ressurreição da carne e no Juízo final, o que exige o arrependimento em relação aos pecados.
Já o espírita rejeita a ressurreição corporal (que é o fundamento da fé cristã, a comemoração da Páscoa, a vitória do Cristo homem sobre a morte e o pecado), porque tem convicção na reencarnação (referi “convicção” e não crença/fé porque para o espírita o Espiritismo não é uma religião, mas uma ciência).
O espiritismo afirma que fora da caridade não há salvação. Não é a fé em Cristo e na ressureição da carne que salva, mas a caridade, via reencarnação. A reecarnação é o processo mesmo de salvação, através do qual o homem evolui praticando as boas obras, até atingir a perfeição.
Interessante que o judaísmo se divide entre ressurreição/juízo final – os fariseus – e reencarnação.
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Achei o conto!
As três palavras divinas, do Tolstoi.
http://pt.wikisource.org/wiki/As_Tr%C3%AAs_Palavras_Divinas
Recomendo!
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Discutir o sagrado é diferente de profaná-lo!
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Existe um conto muito interessante do Tolstói, chamadoa “As Três palavras divinas”.
O Criador ordena o arcanjo Miguel ir retirar a vida de uma criança durante o parto. Vendo a mãe implorar pela vida do filho, o anjo resolve desobedecer o Criador.
O Criador expulsa Miguel do Paraíso e o joga na Terra. Ele só pode retornar quando descobrir a resposta de 3 perguntas:
- O que existe dentro dos homens?
- O que os homens desconhecem?
- O que faz os homens desejarem viver?
A história é muito bonita e um pouco extensa. Mas a resposta das perguntas (que o anjo foi descobrindo com as sensações humanas) são:
- Compaixão
- A Morte
- Os filhos
Moral da história! O anjo agiu como humano e desconsiderou os planos do Criador, que são além da sua compreensão.
O artigo do colunista é até bom, nos faz filosofar.
Existe um erro histórico, pois Jesus não contestou em nenhum momento a ordem vigente. Mesmo porque sua preocupação era com o mundo espiritual e não com esse mundo!
O que não pode haver é profanação do sagrado. Exemplo: um tabloide dinamarquês resolveu colocar charges de Maomé. Qualquer cidadão com o mínimo de estudo sabe que no mundo islâmico o rosto do Profeta não pode ser feito. E fizeram! Profanaram o sagrado, mesmo sendo de uma cultura diferente!
O resultado: embaixadas destruídas, etc…
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Quanta polêmica!!!
Detesto fundamentalismos religosos, políticos (racionalmente ilógicos)
Aprecio argumentadores e pessoas cientes (com ciência) no assunto.
Parabéns ao Julci e ao Charles. Um dia vocês se entenderão, basta saber que um é teólogo-racional ou cristão racional e o outro racionalmente ateu.
Gosto das vossas argumentações, por serem de olhares distintos e distantes.
Abraços!
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Sr. Felipe:
Então o articulista Anderson deveria ter se calado, não redigido sua crônica?
Ora, dizer que não se pode discutir o “sagrado” é uma falta de argumento…Propor o mísitico, o sagrado pode, mas contrargumentar em relação ao mísitico não pode…
Num ambuente de livre discurso e de livre convencimento, todos tem legitimidade para argumentar e contrargumentar.
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Jesus é um personagem polêmico!
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Antes de Cristo, vários povos adoravam o Deus Sol! A estação verão começa dia 21 de dezembro. Coincidência é Jesus nascer dia 25.
Assim como Jesus, Sócrates (469-399 a.C) também nunca deixou nada escrito. Sócrates admitiu que poderia ter evitado sua condenação se tivesse desistido da vida justa.
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No meu ponto de vista…..
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…A história escrita sempre nos mostra frestas, isto para que possamos espiar a realidade.
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O exotérico é muito fácil de julgar, tentar achar erros, falhas,etc… O que alguns não entendem (e não é para ser entendido) é que a parte exotérica da fé é apenas uma carcaça, apenas o exterior, o modo como qualquer um consegue enxergar.
O esóterico é aquilo que existe dentro das religiões e crenças. É o mistério da fé, aquilo que a razão não pode compreender. Apenas pode ser sentido por pessoas de sensibilidade apurada.
A hóstia exotericamente é um pedaço de pão que homenageia o Cristo, esotericamente é o próprio corpo de Cristo que renova nossa aliança com o sagrado, o Criador.
O comentarista Charles em sua visão materialista, desconsidera este mundo como uma simples passagem. O plano eterno começa com a morte! A morte é o começo, e se quiser empregar bem a vida (maior dádiva do Criador) a morte deve ser pensada. Por isso, quem somos nós para chamar de “assassino” o Criador, se não conhecemos quase nada de seus mistérios? Apenas recentemente descobrimos os seus mistérios ordinários (eletricidade, magnetismo, genética,etc…).
Há muito mais coisas entre o Céu e a terra do que pode julgar nossa vã filosofia!
Acho extremamente desrespeitoso profanar o sagrado. É muito mais sábio ficar calado nestes assuntos!
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É… a incredulidade se soma todos os dias no coração da humanidade!!!! Faço jus ao comentário do Charles Leonel Bakalarczyk!!
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Notei que você mesmo sem acreditar ainda teme a Jesus, se não temesse não haveria citado “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra”… João 8:7
Te falo mais cego é aquele que não quer ver.
temos uma coisa em especial que nos define dos animais, que é a inteligência e capacidade de raciocino que isto vem de nosso espírito e baseado nessa formalidade que afirmo que não temos formação atômica, material para entende a soberania divina ou seja o próprio criador nos deixou essa interrogação,
mesma que teve São Tomè que só acreditava vendo.
Mas você tem duvida e temor ao mesmo tempo Leia o livro ” O evangelho segundo ao espiritismo” e entendera melhor se tiver interesse em ler esse livro e outros mais sobre espiritual idade entre em contato MSN ” lorimatosslg@hotmail.com “
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Creio que eu seja um meramenta racional, já que não entendo tamanhas contradições. Aliás, não são contradições, são fatos a-históricos, que fogem à racionalidade….
Por que a fé em mitos é exatemente isso: são formas de dominação ou de justificação (ou de mera alienação) que não se sustentam ao pensamento lógico, sua manutenção exige exatamente que se afaste o pensamento lógico, a fim de que o ilógico triunfe.
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Feliz Páscoa Anderson!
Cristãos ou não cristãos, me auxiliem na metafísica.
Qual seria a essência de ser do pecado?
O que é o pecado?
Aliás, Jesus diz ser testemunha da Verdade. Ao que Pilatos pergunta a sí próprio: O que é a Verdade? ( Jo 18,38).
Seria o conceito da “Verdade” de Jesus igual ao de Pilatos?
O discurso sobre a verdade vem precedido pelo diálogo:
“- Então tu és rei? (pergunta de Pilatos)
- Você está dizendo que eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para dar testimunho da verdade. ” (Jo 18,17)
O que é um reino ou reinado?
O que é um Rei?
Seria rei alguém sem exército? sem território definido? alguém condenado e humilhado com a morte de cruz?
Como pode um meramente racional concordar com isto? ou entender tamanhas contradições?
“Eu te louvo ó Pai …por que escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos … (Lc 10, 21)
Pela Ressurreição Feliz Páscoa a todos!
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Reverência pelas coisas sagradas!
Não julgue aquilo que não pode entender.
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Anderson:
Destaco a tua coragem por abordar esse tema em plena “Sexta-feira Santa”, num país católico.
Chamo a atenção para o seguinte: de acordo com a fé (e a literatura) cristã, Jesus Cristo integra a Trindade, o Deus Triuno. Ou seja, Cristo é filho de Deus Pai, então Deus Filho. Deus Pai e Deus Filho, junto com o Espírito Santo, formam a Santíssima Trindade.
Para a Trindade não valem as mesmas regras exigidas de suas “criaturas”. O pecado é um ato tipificado na Bíblia cujo sujeito ativo é humanidade, não o divino.
Então Cristo não pecou, mesmo irado. Trata-se da Santa Ira. Aquela mesma que causou a morte de quase toda humanidade no Dilúvio bíblico. Ou então Deus (Triuno) seria um homicida?
Ainda bem que não mais existem Tribunais Medievais para punir “heresias”. Ou ainda existem?
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