A água nossa de cada dia – Coluna do Anderson

Anderson Amaral

       O texto abaixo escrevi e publiquei no dia 12 de março de 2009, estava indignado com a tentativa de privatização dos serviços de água e esgoto em São Luiz Gonzaga. Hoje houve a reunião entre o prefeito Vicente Diel e a Corsan. Penso que isso é um descaso com todos nós, pois são mais de 2 anos de enrolação, o povo está cheio disso tudo. Politicagem barata! O texto na íntegra.

    Nos últimos anos está em curso um processo acelerado de privatização dos serviços de água, assim como da drenagem e tratamento de águas residuais. Esta privatização, designada por “concessão”, consiste na entrega dos serviços públicos de águas e esgotos a empresas privadas para que os explorem e deles obtenham lucro. A concessão é uma perda de direitos de propriedade e de poder de decisão público.

    O Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU (Organização das Nações Unidas) declarou, em Genebra, em 2002, o acesso à água como direito humano indispensável. Declarou ainda que a água seja um bem público, social e cultural; então, um produto fundamental para a vida e a saúde e não um produto básico de caráter econômico.

    Tornar um bem público objeto de lucro não pode ser o caminho para que ocorra melhoria nos serviços de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto. Muito menos ainda dá para se convencer que empresas particulares investiriam na proteção da água com políticas em relação ao meio ambiente cujo único lucro visível no longo prazo é a qualidade de vida da população.

    O risco da escassez exige até mesmo diminuição do consumo, algo fora de propósito do ponto de vista comercial. Esses são procedimentos historicamente fora da esfera de interesse do mercado.

    A reflexão sobre o acesso à água é cada vez mais urgente: segundo a ONU, cerca de um bilhão de pessoas no mundo não dispõem de quantidades mínimas para atender suas necessidades diárias. Além disso, o consumo de água dobrou nos últimos 20 anos.

    Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio, escreveu um artigo sobre a privatização: “em 2000, um caso único no mundo: uma localidade “desprivatizou” a água. A chamada “guerra da água” ocorreu em Cochabamba. Os camponeses marcharam, saindo dos vales, e bloquearam a cidade, e também a cidade se rebelou. Respondendo com balas e gás lacrimogêneo, o governo decretou o estado de sítio. Mas a rebelião coletiva continuou, impossível de parar, até que, na investida final, a água foi arrancada das mãos da empresa Bechtel e as pessoas recuperaram a irrigação de seus corpos e de suas plantações.

    Ora, se a água é uma necessidade básica do ser humano, um direito humano fundamental, sua propriedade não pode ser entregue a ninguém. Sequer a entidades cujo único propósito é a maximização de lucros. Se isso ocorrer, cada ser vivo é diretamente prejudicado.

    E aqui em São Luiz Gonzaga vamos aceitar que privatizem a nossa água? Parece que é isso que o executivo municipal pretende, senão por que não renovou contrato com a CORSAN. Pergunto: quem vai ganhar com a privatização? O povo é que não será! Pense nisso com carinho.

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