por Anderson Amaral
Todos nós temos noção do que seja arte, talvez não consigamos conceituá-la de forma acadêmica, mas sabemos do que se trata. Missões, missioneiro, missioneirismo também são temas de ampla significação ao senso comum, ainda sem uma clara definição teórica, técnica e antropológica.
Bem, juntando os termos temos a arte missioneira. Mas em que consiste essa arte? Como se apresenta, seu estilo, sua temática, suas variáveis? Perguntas que não calam, pelo menos pra mim.
Tentamos fazer uma matéria sobre esse tema no Guia São Luiz, mas não publicamos pela confusão que apresentava ao leitor, tantos foram os depoimentos sobre o tema, a maioria inconstantes, ou confusos.
Estou introduzindo o texto para não chocar tanto ao afirmar que realizamos a 14ª Mostra da Arte Missioneira, mas eu não sei o que é essa arte missioneira contemporânea, conheço a arte jesuítico-guarani do tempo reducional, essa eu conheço, afinal sou historiador e professor de história.
O que precisa para ser arte missioneira?
Na dança, no cinema, teatro, escultura, literatura e pintura não vejo características que definam qualquer tipo de manifestação como sendo missioneira. Talvez se usar essas artes mostrando o índio guarani, os padres… Em se tratando de nativos guaranis, antes da chegada dos europeus não podemos chamar de missioneiros.
Um filme adulto tendo como plano de fundo as relações sexuais no período reducional seria arte missioneira? Nem vou me pronunciar sobre o espetáculo de balé que ocorreu durante a mostra neste ano. Enfim, deixo as dúvidas.
A música eu quero destacar como sendo uma das maiores, senão a maior ferramenta usada pelo jesuítas para converter os nativos, mas a música daquela época reducional era sacra, religiosa. Não temos resquício daquela música nos dias de hoje em São Luiz Gonzaga.
O que é, então, a música missioneira atual? Penso que é a melodia regional sul rio-grandense, ou gaúcha com uma temática do período reducional, ou do índio antes e depois das reduções, creio que temos que unir os dois, a letra sobre o índio e a melodia regional. Senão poderíamos ter um funk com letra sobre as reduções. Seria isso música missioneira?
Encerro cheio de dúvidas e espero que os leitores me ajudem a compreender esse universo da arte missioneira que não consigo identificar como algo que se possa separar de outras artes, Tristemente penso que já se organizaram 14 eventos internacionais sobre a arte missioneira e ainda não se tem uma definição técnica, acadêmica sobre o tema.
Popularity: 3% [?]






























olha acho muito bom todos não apenas os de nossa terra conhecer nossas culturas mas sim pessoas de nosso pais e ate mesmo de fora do brasil
Vote!
0
0
É uma grande discussão sem dúvidas! esse missioneirismo é apenas uma forma criada para expressar as diversas artes (música, poesias, artesanato) que os são-luizenses expressam (não podemos deixar de dizer, maravilhosamente). Não se constituindo cientificamente como história das Missões, e sim, como uma representação.
Vote!
1
0
“Ser ou não ser Arte Missioneira, eis a questão”
A arte por si só já é grande, imensa, sem necessitar ser rotulada. A própria arte dita brasileira, passou a ter reconhecimento com identidade própria, apenas recentemente, após o movimento da semana de arte moderna de 1922.
Eu posso pintar uma tela com tema regional das missões, posso fazer isso morando fora do circuito missioneiro; e as pessoas poderão ligar esse trabalho à história das missões.
Acredito que o que estamos buscando com essa discussão é a nossa identidade como povo, que hoje vive na região onde um dia viveram os guaranis catequizados pelos Jesuítas,.
O estilo da arte dos guaranis daquela época era o barroco europeu. Não foi criado aqui, apenas foi ensinado aos índios, e eles colocaram um pouco de seu estilo, nada mais.
Vote!
0
0
…Interessante…. Uma vez eu falei q era torcedor do Corintians e fui quase q crucificado. Falaram q eu deveria torcer para um time do meu Estado, no caso o Gremio ou Inter… Então eu perguntei qual era o time que tinha mais gaúchos, mas ninguem soube responder. Então eu falei que naquela época era o Corinthians e São Paulo, com 7 jogadores gauchos cada um. No gremio tinha 2 e no inter 2. É mais ou menos semelhante a comparação. Arte missioneira é só feita por missioneiros????? Os artistas das Missões fazem arte missioneira??????
Vote!
1
0
Gosto de ver a arte sendo apresentada ao público, em igualdade de acesso para todos.
Adorei a mostra da economia solidária!
Estou certo de que os guaranís e os jesuítas igualmente aprovariam a isto.
A mim surpreendem certos termos dos discursos, até mesmo na abertura da Mostra da Arte Missioneira.
Tais como: ‘nos que somos um povo que quer o desenvolvimento, o progrsso”. Ou, “somos um povo progressista”. O que seria o “desenvolvimento” ou o “progresso”? Pela história fica claro que em nome do “desenvolvimento” e do “progresso” os bandeirantes paulistas tentavam escravizar os guaranís e em igual intenção também os exterminaram.
Ainda, em passado recente, em nome do desenvolvimento eram destruídas as ruínas remanescentes do período missioneiro. Alguém poderia dizer onde se encontram as pedras das ruínas de São Luiz Gonzaga?
Na ótica guarani, penso eu que, desenvolvimento sem humanização nas relações econômicas, para com a natureza e a para com a própria história é o caos da destruição.
Não convém usar o mesmo discurso da destruição para o resgate da cultura, dos valroes e da arte missioneira.
Vote!
1
1
Trago mais questões. Espero respostas do pessoal ligado às ciências históricas e à arte (Anderson, Ricardo Bernardo, Vinícus Ribeiro, Arno, …) .
A História (arte, cultura, etc.) missioneira está restrita à experiência das reduções? O movimento histórico regional/local travou desde então? Haveria uma arte pré e outra pós-missioneira?
O índio que não aceitava ser reduzido e catequizado na fé católica era a(anti)-missioneiro (ou pré-missioneiro)? E os portugueses que expulsaram os jesuítas eram a(anti)-missioneiros (ou pós-missioneiro)?
Somos missioneiros somente porque moramos nas Missões? Nós que vivemos em São Luiz Gonzaga temos os mesmo hábitos, costumes e modo de ser daqueles que moram em Caxias do Sul, POA, Curitiba, Paris, Londres, Tóquio?
Os missioneiros daqui tem mesmo hábitos e costumes do missioneiros argentinos (paraguaios, uruguaios)?
Esse eventual “missioneirismo” compreenderia um conjunto de vivências acumuladas desde que o território foi habitado, sendo um somatório de valores, inclusive contraditórios, que foram (e estão) se agregando no curso do tempo?
O artista missioneiro (e a sua arte) não seria aquele sujeito que, pela sua criatividade e sensibilidade, consegue perceber esse movimento contraditório e histórico, transcrevendo-o, ao seu modo, em esculturas, pinturas, música, artesanato, etc?
Por fim, a arte é estática?
Vote!
2
0
Muinto interessante e pertinente a discussão sobre o que é arte missioneira, que deve ser entendida em um primeiro momento como arte de “raiz” missioneira ou de “tradição” missioneira e, como tal qualquer manifestaçao cultural, impregnada de sentimento. Este sentimento está inserido no íntimo atraves do inconsciente coletivo, que conserva requicícios imemoriais e que em eventos como a “Mostra” ou como o “Encontro da Timbauva” vem a tona.
Vote!
2
1
Arte Missioneira e’ a arte feita nas Missoes. Seja voltada ao passado, ao presente ou ao futuro – depende do artista. Nos Acores e na Andaluzia vi muitas das raizes da cultura gaucha, que nao e’ totalmente autoctone nem ilhada do resto do vasto universo. Por sua vez, esta cultura estava la’ tendo vindo de outros lugares. Admiro todas as pessoas que se interessam por arte e acredito que nao podemos ser refens dos Talebans do Tradicionalismo Conservador. Como existe a tradicao, existe a ruptura. Arte e’ um substantivo que costuma ser seguido de um adjetivo, ja’ notaram?
Vote!
1
0
Excelentes colocações por parte do Prof. Anderson…Um texto que nos faz refletir sobre nossas origens e pensar através de outra perspectiva o significado da arte missioneira!
Vote!
1
0
No meu pouco conhecimento, pois não sou letrado, todo movimento, cultural, resgate de vultos do passado, ou manifestação política na região missioneira, é missioneirismo. Pode ser em um chamamé, balé, hip hop, dança ancestral guarani, cânticos religiosos. Se é executado por descendentes guaranis, misturados com europeus, africanos e outros tantos povos que formaram nossa raça, é arte missioneira. Somos resultado dessa fusão. Não temos dupla nacionalidade. Somos missioneiros e toda mainifestação artística tem a nossa cara. Um pouco de índio, padre e exploradores aventureiros.
Vote!
2
2
Grande Vinícius. Este sim pode falar com propriedade sobre arte missioneira. Abração.
Vote!
1
1
Saudações Vinícius, obrigado pela participação. Interessante definir missioneirismo como tentativa do resgate da história missioneira. Mas scabe mais uma pergunta: o movimento pró Inheçu é uma atividade contrária ao missioneirismo? Visto que enaltece a figura do guarani que luta contra a imposição da cultura cristã, jesuítica e missioneira.
Abraço.
Vote!
4
0
Faço minhas as tuas palavras caro Professor Anderson. Aos professores de história como nós fica dificil entender e definir o que foi realmente apresentado como arte missioneira. Talvez a visão atual seja de que as pessoas nascidas nas missões mostrem seu trabalho apenas para a venda sem uma referência específica ao seu local de origem, embora alguns artistas do centro de criatividade o façam muito bem. Pena pois a população bem que poderia em uma simples visita conhecer um pouco de sua história.
Vote!
3
1
Prezado amigo Anderson!
No 2º Encontro de Artistas Plásticos, realizados na mística Timbaúva, na propriedade do colega Marquito Moraes, esse foi o tema central: Definição em poucas palavras do que é Missioneirismo.
Faltou tua presença para qualificar a definição, mas mesmo assim, ousadamente, chegamos à seguinte frase: “Missioneirismo é todo esforço em exaltar, resgatar o esplendor que foi essa terra!”
Isso pode ser em qualquer forma artística: música, escultura, pintura e até os meios mais modernos.
É o famoso rasgar o véu de sonolência que teima em nos sufocar, é mostrar ao mundo a rica história da qual somos herdeiros e continuamos a soterrar.
Para melhor compreensão: em um mesmo músico, de acordo com sua liberdade, certas músicas evocam esse sentimento, outras não…
Citei os músicos, pois eles são os nossos maiores divulgadores, mas pode ser aplicado em qualquer forma artística.
Esse assunto é importantíssimo para todos nós, para definirmos com maior clareza. Bom seria um novo debate sobre o tema!
Para mais informações sobre o assunto: Missioneirismo e Encontro de Artistas Plásticos na Timbaúva visitem meu blog: viniciusribeiroescultor.blogspot.com
Vote!
5
1