Ex-compadre – Coluna do Rafael

I - Um antigo conhecido

- meu amigo desde piá –

ontem quis me encontrar

para contar do ocorrido;

a pouco tinha nascido

seu filho tão esperado

e que eu tava convidado

pra batizar o rebento,

respondi-lhe no momento:

- Meu compadre tá tratado!

II - Tomado pela emoção

ou pela honra – que seja;

peguei o rumo da Igreja

pra ver minha situação.

Nunca fui muito cristão

mas também não sou ateu,

só não sabia que DEUS

agora tem que embolsar

“plata” – pra se apresentar

e aceitar filhos seus!

III - A conta não era “baixa”

e eu – chiru – mal de vida,

fui dar uma conferida

no “bolsito” da bombacha;

não tinha o valor da taxa

- confessei ao santo padre -

como era cedo da tarde

telefonei no momento,

recusando o chamamento

do agora meu, ex-compadre!


IV - Em casa, chimarroneando

- por incrível que pareça -

não saía da cabeça

o que eu acabei passando.

- Algo “ta mal” fui pensando…

…como isso ta acontecendo?

- Será que ninguém ta vendo

ou só eu que tô achando

que enquanto cem tão pagando

dois ou três tão recebendo?

V - Não consigo acreditar

ou melhor dizendo: crer

que DEUS só vá proteger,

interferir e abençoar

aquele que arrematar

sua guarnição fiel;

sem querer ser mais cruel

(já que todo excesso assusta):

- Alguém sabe quanto custa

Um lugarzinho no céu?

“…qualquer semelhança é uma baita semelhança…”

Rafael Machado

São Luiz Gonzaga – 10 maio 2011.

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