por Rafael Machado
I – Passei por uma criança
- com no máximo dez anos -
um guri se não me engano
- hoje é brabo ter confiança -
Nos olhinhos esperança,
nos pés uma vida inteira,
na mão direita pulseiras
- hoje são de se enfeitar -
na canhota um celular
tocando marca estrangeira!
II – Vinha da escola talvez
Onde ouvira com certeza
Da revolução francesa
Mesmo não sendo francês
Quem sabe aprendeu inglês
Como dizem é importante
Mesmo sendo ignorante
Completo no português.
III – Acho que nada entendia
daquilo que tava ouvindo,
porém achava bem lindo
e a escutar prosseguia…
Às vezes se retorcia,
dava co’as mãos num sufoco;
depois se acalmava um pouco
- talvez devido a canção -
e eu naquela impressão
de que o guri tava louco!
IV – Como disse: de repente
pode ser só impressão
deste cantor de galpão
que nota diariamente
o quanto tá diferente
O velho pago campeiro;
até os usos costumeiros
ganharam ar de tapera,
pouco restou do que era
e existiu de primeiro!
V – Como muda e tem mudado
O mundo em que nós vivemos,
até as “cosas” em que cremos
se diferem do passado;
não sou de achar culpado
para tudo que acontece
porém nisso me parece
que algo deve estar errado.
VI – Primeiro e antes de tudo
cito o que ouvi estes dias,
de um sujeito de valia
- embora com pouco estudo -
talvez por me ver tão mudo
disse: Que o pior inimigo
do homem – meu caro amigo,
é seu próprio conteúdo!
VII – Há uma imensa aversão
por parte do ser humano
de buscar o que é tutano,
o que é seiva e coração;
o rádio, a televisão
- e outros meios difusores -
exibem tudo – hoje – em cores,
não perdem um só momento!
- De que vale tanto invento
se faltam tantos valores?
VIII – Por isso é que hoje em dia
- por mais ruim que pareça -
nossos jovens têm cabeças
completamente vazias!
A mídia os influencia
e nada mais os retoma
deste lamentável coma
que se esvai quase aos gritos
levando junto aos pouquitos
o nosso próprio idioma!
Rafael Machado
São Luiz Gonzaga – 17 maio 2011.
Popularity: 1% [?]






























Realmente falaste a mais pura verdade ,caro Rafael. Estamos perdendo nossos valores e com ele se vai também nossa identidade. Mas teus versos me arremeteu a um passado não tão distante, mas para uns já ultrapassado, onde dávamos valores a coisas que hoje muitos consideram banais mas que pra nós que vivemos naquela época são fundamentais. Estamos nos perdendo em um mundo de ilusões para viver uma vida de fantasias.
Vote!
2
0