Em nome do lucro – Coluna do Arno

Arno Schleder 

             O ser humano nasce na África, onde há 100 mil anos nosso Homo Sapiens se espalhou para os demais continentes.

            Carinhosamente é chamada de “MAMA ÁFRICA”, por ter abrigado os primeiros seres humanos, no continente africano de culturas milenares. No entanto, foi o palco da mais cruel exploração do homem pelo homem durante mais de 400 anos. O motivo que justificou essa grande barbárie foi simplesmente o LUCRO.

            Em 1441, pela primeira vez, os portugueses levaram negros para a Europa a fim de trabalharem como escravos. Entre 1450 e 1500 cerca de 150 mil africanos foram levados para Portugal e calcula-se que em 1551, os negros escravizados somavam 10% da população de Lisboa.

             Por que os europeus tinham tanto interesse em escravizar os africanos? Não foi somente pela escassez de mão de obra livre portuguesa ou da não adaptação dos índios ao trabalho da lavoura que se optou pela escravidão africana. “LUCRO” é a palavra mágica.

             Os lucros dos traficantes chegaram a 600%. A coroa portuguesa que cobrava altos impostos sobre a atividade, também saía ganhando.

              No Brasil, os escravos eram empregados nos engenhos de açúcar (pois o açúcar era, digamos, o petróleo da época). A venda do açúcar na Europa gerava mais lucros, que eram parcialmente utilizados para comprar mais escravos.

             A escravidão foi uma mina de ouro. Os europeus escravocratas contavam com a conivência da Igreja Católica que por sua vez também fazia uso de escravos para seus serviços e considerava a escravidão uma forma de tirar o africano da barbárie e oferecer-lhes o reino dos céus depois de sua conversão, porém, aqui na terra eles continuariam escravos. “Bela proposta!”

            Calcula-se que o Brasil tenha recebido de 4 a 5 milhões de africanos entre os séculos XVl e XlX.

            As feridas da escravidão transformaram, radicalmente, o crescimento populacional do continente africano. Os principais alvos dos escravagistas eram os jovens, no auge de sua capacidade produtiva.

             No Brasil as feridas ainda estão abertas. Ainda hoje quase que a totalidade das populações negras e suas descendências são atingidas por uma segregação social profunda, a maioria vive em favelas ou sub-habitações; ainda sofrem preconceito racial por parte dos brancos que em pleno século XXl, se consideram superiores,

               Infelizmente, hoje muitos empresários ainda tratam seus empregados como se fossem escravos. Mas é fácil entender: a maioria deles são descendentes de escravocratas e exploradores, “senhores de engenho” e dessa forma fazem com que grande parte da população brasileira ainda se sinta no porão do navio negreiro.

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