Anderson Amaral
———No último domingo batizamos o meu filho mais jovem, Leonardo. Tive a satisfação de reunir alguns amigos em minha casa, comer um churrasco gaúcho, tomar um trago e jogar conversa fora.
———-De tarde estávamos sentados ao sol, lagarteando, quando avistamos uma pandorga subindo, era um dia perfeito, sol e vento, melhor se não fosse tão frio, mas ainda perfeito.
———Logo lembrei dos meus tempos de piá na fronteira oeste, principalmente nos dias em que nos reuníamos para erguer pandorga. Tudo era um processo ritualístico, começando pelo nome: é pandorga, não me venham com pipa ou papagaio, dependendo do tipo de pandorga se aceitavam os termos caixa, ou triângulo, não lembro os outros modelos que existiam.
———-Primeiro tínhamos que conseguir as taquaras para fazer a pandorga, isso mesmo, fazer. Nada de comprar pronta. A taquara tinha que ser bem seca, usando uma faca fazíamos as varetas, depois com um vidro dávamos acabamento, para tirar as ferpas (farpas), as varetas eram finas, resistentes e bastante leves.
———A amarração das varetas seguia padronização definida, sempre com linha de algodão, era a mais adequada. Feito o quadro agora era preciso colocar o papel, o ideal era o papel de seda colorido, leve e bonito, mas normalmente não tínhamos dinheiro pra comprar, então se improvisava um plástico de saco de açúcar, o Cristalçúcar, acho que era esse nome, aí não se usava cola, era tudo amarrado com barbante. Outra alternativa era fazer com papel de embrulho, o problema é que era sempre branco, e também muito frágil, lembro que algumas vezes na ausência do famoso tenaz apelávamos pras mães, que faziam uma cola com farinha de trigo, não lembro se dava certo isso.
———-Também tínhamos que fazer o rabo da pandorga, não lembro se era rabo ou cola o termo correto. O feitio era fácil, na extremidade de baixo da pandorga prendíamos uma tira de pano ou de plástico, se ficasse leve e a pandorga começasse rodopiar era só atar uma guaxuma na ponta e tudo se resolvia.
———-Um produto complicado de conseguir era a linha para erguer a pandorga, quando raramente conseguíamos um troquinho usávamos a linha de naylon, mas isso era muito raro. A solução era ir na cooperativa de lãs, acho que se chamava Imembuy e pedir os restos de linhas. Ganhávamos montes de linha de algodão, pedaços de mais ou menos 50 centímetros, às vezs menos. Amarrávamos um a um, o problema é que a linha ficava muito pesada e criava uma enorme barriga.
———-O último momento do ritual era o de erguer a pandorga, o teste definitivo, nem sempre se conseguia êxito. Normalmente usávamos um campo aberto na vila São Francisco, em São Borja, onde morávamos na década de oitenta do século passado (credo como eu estou velho), se tinha um bom vento era tranquilo, um amigo segurava a pandorga numa distância de uns 15 metros, então era sair correndo pra ela erguer e dando linha. Depois dela erguida era vez de fazermos manobras para mostrar habilidades extras.
———-Lembro que algumas vezes deixávamos elas amarradas e íamos almoçar, na volta lá estavam elas no topo. Bons tempos que não voltam mais, pelo menos aproveitei essa fase fantástica da vida. Sinto por aqueles que nunca ficaram um dia inteiro envolvido com o ritual de uma pandorga.
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Oi, Anderson! Adorei o texto. Me fizeste voltar ao passado e sentir imensa saudade de meu irmão Floribaldo (já falecido). Na falta de um irmão “guri” fui sua companheira para fabricar e erguer as tais pandorgas. Duro era quando ele se afastava e me deixava segurando a dita cuja, na incumbência de não deixá-la cair. Que sufoco! Um abraço.
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Obrigado pelas palavras Leandro, também agradeço aqueles que comentaram (até minha mãe). Quem puder ter contato com as coisas simples da vida, junto as pessoas que ama estará fazendo o melhor. Espero que o texto tenha trazido boas recordações para quem leu, ou quem sabe instigar os mais jovens a construir uma pandorga. Fico feliz com os comentários, eu me realizei ao lembrar esses fatos que jaziam em minha memória, até a próxima.
Anderson.
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Primeiramente, parabéns pelo batizado do filho, e consequentemente, também parabenizo o amigo pela nobre lembrança de nos remetermos aos velhos e bons tempos, a partir da saudosa pandorga ( pelo menos para nós é assim que considerávamos), hoje fala-se muito que são outros tempos, outros modismos, outras conceitos, outra época, e realmente é isso mesmo, mas tem situações que sempre foram mágicos, e que ainda mesmos esquecidos, continuam traduzindo a mesma magia e encanto como em nossa época, digo isso porque muito se fala em era digital, em jogos e brincadeiras eletrônicos, mas a busca de atividades como as que nós tivemos o privilégio de presenciarmos e participarmos, como o ritual de construir a pandorga e outros vários brinquedos para depois brincarmos, os nossos filhos desconhecem, e quando nós reproduzimos junto a eles algumas dessas situações, meu amigo, é sucesso na certa, pois já tirei a “prova”, disto, quando junto com meu filho realizei brincadeiras da minha época, que acreditei que o menino acharia “cafona” e “sem graça”, foi uma susrpresa, pois o moleque achou o máximo. Inocente assunto, ao mesmo tempo interessante.
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Que bom que surjam assuntos como este que nos remetem ao nosso passado. Tu ainda era guri que morava no povo Anderson, pior era eu que morava lá no Rincão de São Pedro e tinha que comprar os materiais quando vinha na cidade. O meu papel era sempre aquele de embrulho. Quanto a cola também se fazia raspando uma mandioca e espremendo aquele caldo e acho que dava uma fervida e tava pronta a cola. Tenaz eu nem sabia que existia naquela época. Mas como tu fala que é da fronteira me parece que lá por Santana do Livramento ainda tem um festival de pandorga.
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valeu Anderson…………….
parabéns pela lembrança,
muito valido mostrar na NET pra gurizada por ai
como era no tempo que não tinha NET, e o quanto as brincadeiras eram saudáveis e divertidas
SOLTE PANDORGA, DIVIRTA-SE MAS LONGE DA REDE DE ENERGIA ELÉTRICA
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Bah, voltei a minha infancia, era assim mesmo, alem das pandorgas eu e meus irmaos tambem faziamos todos os nossos brinquedos, pois nao tinhamos dinheiro para comprar, o tempo bom.
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Ah! lembro como se fosse hoje,que saudade desse tempo em que nossos filhos eram pequenos, e se divertiam muito com as brincadeiras da época,muitas vezes as mães tinham que deixar o que estavam fazendo para ajudar,a gente tinha que segurar as taquarinhas de uma forma que elas não se mexessem para o barbante ser amarrado em cada uma delas ,fazendo a volta no círculo,se não dava certo acabava em discussão,depois a gente tinha que achar uma roupa velha para dar a eles para o benditorabo,mas era muito bom ver eles brincando e felizes. O difícil era tirar da brincadeira na hora do banho para almoçar ou ir para a escola ahahahahah!!!!
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Era isso mesmo,lembro que nos fundos da casa dos meus pais,havia uma árvore que dava umas frutas,vermelhas,pequenas,que quando esmagadas dava uma meleca grudenta que funcionava como cola,inclusive para os trabalhos da escola,não era uma árvore comum,nunca mais a vi.Esta árvore fazia companhia pra uma taleira e uma orelha de bugio,basta a gente se recordar que vem outras.
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Essa tua história Anderson, me remeteu ao passado, tbm peguei essa fase, é era pandorga mesmo, nada de pipa ou papagaio, lembro q as minhas eram de papel de embrulho, mas normalmente rasgavam toda e tinha muita pouca duração.o rabo é que era o problema pq tinhamos que acertar o tamanho se não a pandorga não subia, acabava caindo e rasgando toda, ai ficava difícil, mas tinha q começar tudo de novo, velhos tempo, mas o bom mesmo é a lembrança…
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