Alá é grande – Coluna do Arno

por Arno Leocádio Schleder

            O Islã é geralmente um enigma. O Ocidente tende a envolver suas origens em mistério. Presume-se que o Islã, originário de terras de camelo e de pastores nômades deva ser o espelho de um povo simples para o qual qualquer coisa maior que uma barraca era uma visão desconhecida.

            Na verdade, o Islã surgiu mais de cidades muradas do que do deserto. Surgiu mais de mercadores que estavam em contato semanal com o mundo externo, do que de pastores de rebanhos. Mais de cidades à sombra de montanhas pontiagudas e acidentadas e de cidades próximas ao mar, ou no centro de oásis irrigados do que das areias vermelhas sopradas pelo vento e da solidão árida do deserto.

               Algumas cidades da Arábia eram portos movimentados e, muitos árabes podiam pilotar um navio rumo ao mar com a mesma facilidade com que outros conduziam uma caravana de camelos.

Adoradores

           Meca, que se tornou local de nascimento do Islã, situava-se a pouco mais de 60 quilômetros do Mar Vermelho. Dependia do comércio de longa distância. Essa rota, servida por fileiras de camelos que transportavam carga, foi um estágio fundamental em uma das rotas comerciais que ligavam terras tão distantes entre si como a Índia e a Itália. Dois dos produtos comercializados ao sul da Arábia eram a mirra que custava muito caro, e o olíbano, ambos usados para fazer incenso, perfumar fluidos embalsamantes e os óleos de ungir usado pelos sacerdotes Judeus. Há grande probabilidade de que os valiosos presentes de mirra e incenso apresentados ao menino Jesus tenham, na verdade, sido transportados em camelos por essa rota comercial do deserto, atravessando Meca.

                       Maomé, fundador do Islã nasceu em Meca em 570. Quando jovem perdeu o pai e a mãe. Os árabes por serem marinheiros do deserto, às vezes enviavam suas crianças ou jovens como aprendizes com as caravanas de camelos que mantinham comércio com cidades distantes, e Maomé partiu em uma dessas caravanas. À noite o menino órfão aprendeu a identificar muitas das estrelas do brilhante céu noturno e saber a hora em que a lua aparecia acima da linha do deserto: a lua veio ser o símbolo da sua fé.

Meca

Meca

                Maomé era extremamente inteligente e impressionou sua rica empregadora, uma viúva. Eles se casaram quando ela estava com 40 anos e ele 25. Ela lhe deu dois filhos que morreram ainda crianças, e quatro filhas.  É curioso observar que o fundador de uma religião, hoje reconhecida pela sua sujeição de mulheres, deva tanto a uma mulher. Maomé provavelmente não poderia ter lançado uma nova religião, não fosse o apoio financeiro da esposa. Numa época em que ele era atacado por oponentes, Maomé pregou suas idéias com fervor: era um poderoso persuasor. Através da pregação de sua fé, conseguiu um feito memorável, unir o povo Árabe em torno de uma única religião a qual hoje é professada por grande parte da humanidade.

             O seguidor tem que orar cinco vezes por dia, voltados em direção à Meca: o primeiro homem, a invocar o muezim ou convocar os fiéis para as preces veio a ser um negro. O dia sagrado era sexta-feira, o que distiguia os maometanos dos judeus, com sua adoração aos sábados, e dos cristãos aos domingos. Os seguidores devotos deviam tentar fazer uma peregrinará a Meca ao menos uma vez na vida. Tinham de dar generosamente aos pobres e jejuar entre o nascer e o por-do-sol, no mês lunar chamado “Ramada”.

Mulher islamita

Popularity: 1% [?]

Divulgue!