“Está de volta o cantor,
só a morte é que não tem volta,
trago comigo – de escolta,
lembranças do campo em flor;
o carinho e o amor,
motivos do meu viver,
e preferia morrer,
se me chegasse a faltar,
a vontade de cantar
e o direito de querer!” ¹
1 – Último dia de agosto
e eu que andei afastado
volto cantando rimado
a meu modo e a meu gosto;
pêlos a mais junto ao rosto,
rugas a mais junto a mão!
Motivo a preocupação,
motivo o velho dilema…
Assistir tanto problema
pra tão pouca solução!
2 – Voltei ao São Luiz antigo
lá pelo trevo da CESA
rezar minha humilde reza
ao payador e me intrigo
ao vê-lo sem um abrigo
além do chapéu pampiano
e do pala castelhano
por sobre o ombro direito.
- Quanta falta de respeito
ante Dom Jayme Caetano!
3 – E a praça tão comentada?
- Cadê a iluminação?
- Cadê a manutenção,
informações e bancada?
N’alguma pasta guardada,
N’algum arquivo – de jeito?
No bolso d’algum sujeito
bancando alguma viajada?
4 – Falam em licitação
e a prosa não é de agora!
- Pra que tamanha demora?
- Pra que tanta enrolação?
Nisso por certo tem mão
(se estiver lendo, se flagre)
D’algum cabeça de bagre
dando vigor ao refrão
de que se o santo é do chão
em casa não faz milagre!
5 – Acho-me um pouco cansado
talvez frustrado – não sei
ao ver que o pago Del Rei
onde nasci e fui criado
adere de olhos fechados
(qual um ser irracional)
ao que vem da capital,
ao que chega do estrangeiro.
- Tudo dobrou-se ao dinheiro!
- Tudo nos é tão normal!
6 – Só é maior que a cultura
(que são os usos – a fala)
o ato de preservá-la
para as gerações futuras;
agora nada tortura
mais um povo e seu meio
do que este costume feio
de enxovalhar o terrunho
depois com os mesmos punhos
aplaudir o que é alheio!
7 – Salve Vinicius Ribeiro
(magnífico escultor)!
- Não digo que é um horror
o que este chão missioneiro
oferta pra o mundo inteiro
de artistas – de talento?
- Deste vida no cimento
ao andarengo² imortal!
- É pena obra tão genial
exposta assim ao relento!
8 – Será triste nosso fim?
- Tenho pena do meu povo…
minguando nas mãos – de novo
de gente tão podre assim!
¹ Primeira décima de “a volta do payador” de Jayme Caetano Braun.
² Pseudônimo!
Rafael Machado
Vila 13 – Santo Antônio das Missões
02/09/2011 – 00H26min
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Poesia de qualidade Rafael e traduz um sentimento de muitos Missioneiros que andam indignados com o descaso dos políticos para a Cultura local. Dinheiro para artistas de fora existe mas para resguardar a homenagem ao Payador JCB esta faltando. Prioridades equivocadas talvez (sendo brando no comentário). Parabéns e continue nessa linha. Não vai ganhar dinheiro mas pelo menos a consciência estará tranquila.
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descaso total che com o poeta maior
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Parabens Rafael,ainda existe esperança com a nossa indiada nativa.
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Parabéns!
Que muitos lutem por este ideal.
Abraços…
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O Urutau, voltando a atacar prefeituras, licições “adulteradas” e grandes desvios de dinheiro pra bolsos de aristrocatas sem estes nem pensar na simples riqueza que uma escultura historica nacional significa. Um Abraço meu Ermão, continue assim
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Beleza de pajada, Rafael. Posso postar no meu blog?
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É isso Rafael… espero que ecoe longe estes teus versos, mas que principalmente chegue aos “cabeças de Bagre”, que estão mais preocupados em pagar “cursos e Troféus” do que valorizar e trabalhar pelas coisas realmente importantes a gente da nossa terra.
Desvalorizar o trabalho do Vinicius, o esforço da comunidade em tornar real e palpável a homenagem ao maior payador, ( o nosso Jayme Caetano), porque este é nosso!!!, é um grande desrespeito e a comunidade de SLG tem que estar atenta e “rapar a cola” desta gente, vaidosa e incompetente!!
Gracias Rafael, segue sendo a nossa voz!!
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