O preço que a gente paga – Rafael Machado

 

1 - Às vezes é um absurdo

o preço que a gente paga

aqui no São Luiz Gonzaga

por não ser cego ou ser surdo

 

 

 

 

 

 

 

 

2 - Eu ainda não havia

dado minha opinião

a respeito da função

que se arrasta faz dias;

na verdade uma anarquia

que não me deixa contente!

- Podia ser diferente,

sofre o payador chiru;

coitado do Tiaraju

vizinhando co’esta gente!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 - Coitado do cidadão,

da mãe ou do pai honrado

que só vem a ser lembrado

nas vésperas d’uma eleição;

ganha um aperto de mão,

ganha um sorriso no rosto

mais tarde, contra seu gosto

- isso é caso de polícia -

recebe a triste notícia:

- Criamos um novo imposto!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 - IPTU – BNH

(tanta letra me instiga)

- Não me amolem com siglas

difíceis de decorar

se eu é que vou bancar

pra o mandatário do pago

os custos de um prêmio vago

(soube isso por fofoca)

- Porque não me dão em troca

um centavo do que pago?

 

 

 

 

 

 

 

5 - Vá ver nossa segurança,

vá ver nossa educação,

veja se a arrecadação

pode estimular confiança;

bombeia onde as crianças

estudam – de que maneira?

- Dia de chuva é goteira,

dia de sol luz solar

despois para se explicar

VIRGE que sobram besteiras!

 

 

 

 

 

 

 

 

6 - Mas hoje o tema central

é a água que é vida

a água que é a bebida

unânime e universal,

que brota d’um manancial

e co’a chuva se renova…

Agora te conto a nova

(escuta e veja se posso)

calar-me ao ver o que é nosso

indo direto pra cova!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7 - Pra cova funda que é

(na surdina – sem alarde)

o bolso desses covardes

sem ideal, causa e fé;

volto ao lendário Sepé

sem tabuleta nem canga,

sem camiseta, sem manga

e agora com mais clareza

faceiro – por ter certeza

que não tem bolso sua tanga!

 

 

 

 

 

 

 

8 - Da hora que se levanta

até a hora em que se deita

a situação só se estreita

retrocede,  desencanta;

já nos cobram cosas tantas

do que nos privam nem falo;

queria eu indagá-los:

- Pra que tamanha ganância?

- Se a água é bem’em abundância,

porque não compartilhá-lo?

 

 

 

 

 

 

 

9 - Depois do povo pintar

a cara y sem censura

gritar contra a ditadura

que estão querendo implantar

nos resta – agora – esperar

que o bagre caia na rede,

bata a cara na parede

perca um punhado de dente

ou quem sabe mais pra frente

a míngua – morra – de sede!

 

Rafael Machado

21/10/2011

Vila 13 – Sto. Antônio das Missões

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