por Orci dos Santos Machado
Sobram duas palavras no nome Musicanto Sulamericano de Nativismo;uma vez que musicanto já é a fusão da música e do canto;complementada por Sulamericano, que espraia o evento pela América; não necessitando do complemento de nativismo; haja vista o fato de que este nunca foi prioridade para o festival e cada vez mais, vai sendo deixado de lado.
Acompanhamos o Musicanto à distância,desde sua primeira edição e de lá pra cá,o nativismo propriamente dito vem sendo esquecido, progressivamente. Enquanto mantinha a idéia e a possibilidade de trabalhos nativistas de outras regiões e, não apenas do nosso estado serem valorizados;algo que atingiu seu ápice por ocasião da 23 ª edição, quando o júri preferiu Ser Tão Forte defendido por Genésio Tocantins, de fato, um ótimo trabalho, entretanto, não mais que Rancho Caiado, interpretado por Leonardo Paim e Fernanda Lopes; o nosso rancho da Pampa Gaucha, mais nativo que qualquer outro, o grande injustiçado nessa edição; se justificava o complemento de nativismo no nome;mesmo que isto acontecesse muito esporadicamente e com relação a trabalhos nativistas locais, muito mais esporadicamente ainda,a ponto de eu me lembrar apenas de De Cima Do Arreio, com Erlon Péricles, de cuja edição não recordo mas, lembro que passei, no mínimo, uns cinco anos com esta música na cabeça, direto. Atualmente, ao menos uma vez por dia ela ainda me vem à mente e isto não deve ser por acaso. Acaso, aliás, foi um trabalho nativista bom ganhar o Musicanto.
Esse tempo passou. Alguns letristas e intérpretes ainda persistem, como foi o caso, nesta 25ª edição, de Sílvio Genro, Nilton Ferreiraira e Jorge Freitas que apresentaram o belíssimo trabalho Saga de Um Colono que emocionou os presentes ;levando muitos às lágrimas; de Érlon Péricles, com um fiador de Ângelo Franco, apresentando outro belo trabalho, Falquejado no Rigor e mais um cantor cearense, cujo nome não lembro, bem como do nome do trabalho.Eram os 3 trabalhos dos 15 finalistas, com referenciais nativistas e que, como já se esperava, pela tendência do evento, bem como pelo júri totalmente ligado à música urbana, não figuraram entre os premiados.
O nível dos trabalhos desse festival é altíssimo e assim o foi nesta 25ª edição, onde houve unanimidade entre todos os intérpretes presentes na final, de que independentemente do resultado, já tinham sido premiados por estarem no Musicanto e, principalmente por terem sido classificados para a final e estarem no disco; tamanha a importância do evento e isto é inegável.
Não queremos o prejuízo do Musicanto ou de qualquer outro festival; posto que prestam serviços inestimáveis à sociedade e à cultura.Queremos,isto sim, porque é preciso muita responsabilidade com as coisas que nos são caras e que não são propriedades particulares de quem quer que seja, como é o caso do nativismo, que não sejam usadas como enchimento ou simples atrativo, sem outra função maior ou sem qualquer consideração.
O complemento de nativismo está sobrando no Musicanto Sulamericano; seria importante que seus gestores pensassem nisso. Qualquer Santarosense ou pessoa com qualquer envolvimento com o Musicanto teria dificuldade em fazer esta sugestão; razão por que estou tomando a liberdade de fazê-la.
São Luiz Gonzaga 15/11/2011.Orci dos Santos Machado
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Tenho que concordar com o Paulo, acho o que sustenta no musicanto em detrimento aos demais festivais é o fato de que este se colocar de forma aberta, vai além do nativismo gaúcho, onde se pode acompanhar trabalhos feitos em outros rincões do pais, lembro o caso Lenine que ganhou nos idos dos anos 90 e sua musica dakela época tornou-se tema de abertura da Novela Cordel Encantado. O que acredito é que a música gaúcha ainda está se formando e bebendo em vários cochos até ter uma envergadura própria. Acho q este deve ser o debate…O que enrique a musica gaucha…Abraços!
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Nativismo é toda ação que procure valorizar a cultura de um lugar, em reação à imposição de uma cultura externa, alienígena, em geral dominante, imposta pela cultura de quem não é “nativo” da terra.
Assim, em se tratando de um “nativismo sulamericano”, por oposição à música externa aos sul-americanismo, se está diante de um universo nativista que não se restringe ao nativismo gaúcho.
Naturalmente que um movimento nativista sulamericano é amplo e prural, inclusive com vertentes urbanas.
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Tens razão Orci, é verdade, mas o que eu mais lamento é que um artista de São Luiz é um dos organizadores, artista este que a exemplo de outros “famosos” os fagundes, vem desvirtuando a cada dia a cultura e os costumes da nossa terra.
Preciso dizer quem é?
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