Coluna do Rafael Machado
I – Promessas feitas e votos
como sempre – renovados
chegou o tão esperado
Ano Novo como noto
pra delírio dos devotos
de ondas, superstições …
porém aonde as visões
miram o campo em fumaça
este janeiro que passa
não é de transformações.
II – Mas de olhos estanhados
-sinal de desesperança –
e uma grande semelhança
com o dezembro finado,
com o janeiro passado
isso se não for pior …
“abafo” de “pingá” suor
Parado a sombra mateando
Imagine ao sol lidando
To certo que é bem maior.
III – Previsões são confirmadas
se instala a calamidade
falta água na cidade
pra fora nuvens e nada …
os guaxos, a cordeirada
e os próprios cuscos de estima
são versos de uma só rima …
cabeça erguida ao relento
como a esperar movimento
de seus deuses lá por cima.
IV – Um galo desacorçoado
devido ao mormaço feio
chama o dia que já veio
pra o seu terreiro emplumado
no açude já cortado
pela estiagem que infesta
um par de garças faz festa
junto dos patos caseiros
num banho de corpo inteiro
côa pouca água que resta.
V – Inté a voz das porteiras
antes cantantes terrunhas
hoje tristes testemunhas
destas agruras campeiras
cantam de outra maneira
lentas qual hinos de missa
combatendo com preguiça
pra o ermo do descampado
o vento morno e pesado
que move suas dobradiças.
VI – Numa seca ou enxurrada
nesses extremos da lida
é que se vê como a vida
é mesmo tão delicada
pedras de uma só estrada
nobres de uma realeza
a afirmar concerteza
o quanto nós os “terrenos”
somos “de fato” pequenos
perante a mãe natureza.
VII – E ela tem mesmo disso
destes poderes enfim
desde sempre foi assim
é quase que um compromisso
e não adianta feitiço
reclamações, rumores
até porque meus leitores
em todo este traçado
ninguém é mais culpado
que nós homens – predadores.
Rafael Machado
Barro Preto – São Luiz Gonzaga – Janeiro de 2012
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Alas frescas! Como seria um novo poema do Rafael Machado 40 dia a mais de pura seca. Talves iria rimar com Rios cortados em vez de açude. E tem malucos pensando que da pra tirar agua do piratini pra moia sôja pra vende pros Chineses.
Mas como sempre, brilhante os versos do Urutau.
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Parabens pelos versos, é a pura realidade, se der tempo vou lê-los no Programa da APARP sábado na
Rádio Cidade das 13 as 14 horas.
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Parabens ao amigo pela pelas palavras… Abraço
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