Ei psit, Jack Sparrow é o novo Didi – Coluna do Fabio

 

              Todo mundo com mais ou menos 40 anos cresceu assistindo “Os Trapalhões” que foi um grupo humorístico brasileiro que obteve sucesso na televisão e no cinema desde meados da década de 1960 até por volta de 1990. O grupo era composto por Didi Mocó, Dedé Santana, Mussum e Zacarias, eram hilários.

           Hoje estamos um pouco órfãos dessa alegria tão brasileira, o “Didi” e o “Dedé” já não são mais os mesmos e está muito difícil algo duradouro e engraçado nos programas da TV.

           Os nossos quatro mosqueteiros são insubstituíveis, era engraçado pra qualquer idade: criança, adulto e vovô todo mundo ficava feliz ao assistir eles na tela.

          Os trapalhões eram revolucionários no humor: “Didi” o advogado errante da turma, de caras e bocas, caricatura, o “bobo da corte” que mostra às vezes muito mais do que se imaginava, “Dedé” a “escada do Didi”, o engraçadinho, às vezes um tanto afeminado para o olhar crítico dos mais “machos”, já o “Mussum” era o malandro sambista do morro da mangueira, adorava “mé” (cachaça para os mais jovens), vivia para o samba, era um negro vencedor na malandragem (não deixava de pertencer a cota) e o “Zacarias” era a infância em pessoa (voz e trejeitos), o tímido, o careca cabeludo em tempos de penteados “a la” jovem guarda, Chitãozinho e Xororó e Paulo Ricardo,  era um quarteto vencedor.

            Os Beatles do humor tupiniquim foram enfraquecendo com a morte do Zacarias e depois do Mussum e a separação de Didi e Dedé. Foi melancólico ver o Dedé trabalhando no Beto Carrero dando autógrafos com que um animal exótico em um zoológico sendo fotografado ou mesmo como Garrincha no fim da carreira desfilando em pé num carro alegórico no carnaval.

            O tempo não para, a fila anda, Didi e Dedé estão novamente juntos, mas em contra partida, ter que rir dos Caras de Pau é dose, né? Assim, penso no futuro e vejo que as piadas vão se acabar um dia, porque cada vez mais recebemos informações, e elas não são nada engraçadas: assassinatos, acidentes, catástrofes, chacinas, estupros, drogas, doenças, fome, enfim, o caos. As próximas gerações não irão rir, pois estão perdendo a ingenuidade tão importante na alegria. Seria um prenúncio de um novo tempo?

          O Tião Macalé responde: “nojeeeeeeeeeento!!!”

Fábio dos Santos Júnior

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